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Diário da Região de Osasco, SP

O primeiro passeio do filhote

Saiba como preparar o filhote para a primeira caminhada dele em ambiente público, de modo a prevenir problemas de comportamento na rua

Por André Barreto

    Após 12 anos ensinando a passear com cães, pude notar que muitos problemas de comportamento são causados pelos próprios donos nos primeiros passeios. Arrastar o dono pela guia, latir em excesso, demonstrar medo, ansiedade ou agressividade com outros cães são os problemas mais comuns. E a causa, geralmente, é a falta de apresentação prévia da rua e de comunicação correta com o cão.

Apresentação prévia da rua
    Adestradores e comportamentalistas são unânimes em indicar que a rua seja apresentada para o filhote bem cedo (a partir dos 2 meses de idade). É claro que, até receber todas as vacinas, o filhote não deve pisar na rua nem ter contato direto com outros animais que por ela circulam. Pode, porém, acompanhar a movimentação e os sons de dentro do carro ou no colo do dono e se familiarizar com o que encontrará nos primeiros passeios. Isso ajudará a evitar que surjam problemas comportamentais.
    Sempre que o filhote for exposto a algo diferente, deve receber carinho e petiscos desde que permaneça calmo. Não será recompensado se estiver latindo, ou mostrar-se ansioso, medroso ou agressivo. Planeje com o veterinário como fazer a apresentação da rua com resguardo suficiente.

Acostumar-se à coleira
    Compre uma coleira de nylon de acordo com o tamanho do filhote (essas coleiras não costumam durar o suficiente para serem aproveitáveis quando o cão se tornar adulto). Não uso nem recomendo enforcador. Para colocar a coleira facilmente, segure o petisco favorito do filhote de modo que ele fique de olho na guloseima em vez de prestar atenção na colocação da coleira. Assim que ela estiver posta, entregue o petisco.
Nas primeiras vezes, é natural que o filhote faça algumas tentativas de tirar a coleira. Nesses momentos, desvie a atenção dele mostrando um petisco ou brinquedo.
Faça várias sessões por dia, de 5 a 15 minutos cada. Coloque a coleira no cão e, após o término de cada sessão, tire-a e guarde-a. Não deixe o filhote com a coleira sem supervisão até ele estar plenamente adaptado a ela.

Treinar dentro de casa
    Distraia o filhote com petisco e conecte a guia na coleira. Prefira uma guia de nylon ou de algodão, com no mínimo 1,15 m de comprimento e, no máximo, 1,80 m.
Comece a andar com o cão preso pela guia. Ao mesmo tempo, estimule-o a seguir a sua mão, exibindo nela um petisco. Inicialmente, caminhe apenas em linha reta. Recompense-o sempre que ele seguir você sem morder a guia nem puxá-la. Ele pode andar ao seu lado esquerdo ou direito, atrás ou um pouco à frente de você. Se ele puxar ou morder a guia, pare.
Somente ande com a guia frouxa. Nunca puxe nem arraste o filhote, para evitar que ele desenvolva uma associação negativa com a guia.

Criar percursos domésticos
    Quando o cão o estiver acompanhando bem em linha reta, crie alguns percursos dentro de casa. Ande ao redor da mesa, pare na porta da cozinha, vá para o quintal, volte, etc. Recompense o filhote sempre que ele seguir você com a guia frouxa.
    Outro treino: deixe no chão de diferentes cômodos coisas de que o cão goste, como petiscos ou brinquedos. Ande com ele calmamente na direção dos atrativos. Se ele puxar a guia para tentar alcançar algo, pare e permaneça imóvel até que a guia afrouxe. Assim que afrouxar, continue andando até a recompensa ser alcançada.
    Não diga nada durante o exercício. Quando sentir a guia tensionada, apenas pare - deixe o cão perceber que, quando puxa a guia, não consegue chegar aonde deseja.
    Faça sessões curtas de no máximo 15 minutos. Após cada sessão, que deve sempre terminar com um acerto, tire e guarde a guia e a coleira.
    Em até duas semanas o cão pode aprender a andar com a guia, sem tentar mordê-la nem puxá-la pelo caminho.

Aplicando o exercício na rua
    Depois que o filhote souber andar na guia, é só manter o treinamento e aguardar o término da vacinação para aplicar o mesmo exercício na rua. Lá o cão encontrará atrativos como cheiros nos postes, árvores, pessoas e outros cães. Mas somente permita que ele atinja os objetivos dele com a guia frouxa. Aproveitem o passeio!

André Barreto treina cães há 12 anos e é especialista em adaptação de cães para o convívio doméstico. Tel.: (11) 2503-7333, www.andrebarreto.com

 


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