COMO MONTAR UM CANIL E REGISTRAR FILHOTES


O dono de uma cadela com pedigree, ao reproduzi-la, participa da história da raça. Essa contribuição torna-se tanto mais positiva quanto mais exemplares de boa genética e saúde ele conseguir gerar, e desde que registre os filhotes, para a criação oficial continuar.


Registro de canil: a oficialização de um canil pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), ligada à Federação Cinológica Internacional (FCI), é feita por meio de um Kennel Clube filiado. Se não houver um no município do criador, o registro pode ser realizado em outro município. É preenchido um formulário com três opções e nome para o canil (informadas na ordem de preferência, com o máximo de 22 dígitos cada). O pedido é feito pessoalmente, pelo dono do canil ou por um procurador constituído em cartório (por correio não é aceito). Se o canil tiver sócios, deve-se anexar o contrato da sociedade.


A taxa de registro do canil deverá ser paga conforme tabela da CBKC. Que tambémm poderá expedir o registro internacional, que garante a exclusividade do nome do canil entre todos os associados à FCI nos mais de 70 países onde a entidade atua. Esse registro pode ser pedido a qualquer tempo.


Se o canil oferecer serviços ao público, como adestramento e hospedagem, deve ter um veterinário responsável, exigência do Conselho Nacional de Medicina Veterinária.


É possível registrar um canil depois de a primeira ninhada nascer. Porém, haverá uma demora maior que a normal para a expedição dos documentos de registro dos filhotes - a CBKC não poderá entregá-los enquanto o canil não estiver registrado.


Preparando a criação: para começar uma criação é importante considerar, além das preferências pessoais, as necessidades de investimento e de tempo para administrá-la. E preciso conhecer também as características ideais e os problemas mais típicos da raça que será criada.


No início, o melhor é praticar com apenas uma fêmea ou duas e fazer os acasalamentos com machos de terceiros, O regulamento internacional da FCI determina que o valor de um acasalamento corresponde ao de um filhote e que deve ser pago com o próprio filhote ou em dinheiro.


Registro de filhotes: na CBKC, o registro só é possível se o pai e a mãe da ninhada tiverem pedigree emitido pela entidade (a CBKC, em geral, reconhece os pedigrees dados por outros sistemas). O registro deve ser solicitado pelo canil dono da matriz, ou seja, da mãe da ninhada - o nome desse canil é integrado ao nome dos filhotes, facilitando futuros levantamentos de árvores genealógicas.


Ver Figura 249p39n1.jpg


DIMENSÕES


Mínimo sugerido conforme o porte da raça:


Gigantes: (Dogue Alemão): dormitório 3 m x 3 m; área externa 9 m x 3 m; exercícios 100 m2 e cama 1,5 m x 1 m. Grandes (Rottweiler): dormitório 2,5 m x 2,5 m; área externa 7,5 m x 2,5 m; exercícios 50 m2 e cama 1 m x 0,8m. Médios (Boxer): dormitório 2 m x 2 m; área externa 6 m x 2 m; exercícios 50 m2 e cama 0,8 m x 0,6 m. Pequenos (Poodie Toy): dormitório 1,5 m x 1,5; área externa 4,5 m x 1,5 m; exercícios 20m2 e cama 0,6 m x 0,4m.



O CANIL


Ao construir o canil é importante levar em conta diversos detalhes para tornar a criação mais prática e saudável. Veja as dicas de dois criadores de sucesso e veterinários, Luiz Renato e Carlos Roberto Flaquer Rocha, do Canil Chaputepek, especializado em Mastifes, e também as da criadora Maria Júlia Vagnotti, do Canil Great Lellos, dedicado às raças Dogue Alemão, Buldogue Inglês, Dachshund, Bull Terrier e Schnauzer Miniatura.


Ver Figura 249p40n1a.jpg


Localização: em diagonal (45o) à linha percorrida pelo sol (ver planta parcial), para permitir uma distribuição mais uniforme dos raios sobres por todos os cômodos.


Ver Figura 249p40n1b.jpg


As dependências do canil precisam ser ensolaradas para combater o excesso de umidade e evitar a proliferação de bactérias, vírus e fungos. Para os cães, o hábito de tomar sol é importante e favorece a ossificação.


Construção principal: todos os dormitórios ficam em uma única construção (ver planta do conjunto). Um corredor dá acesso rápido a eles, através de portas do tipo baia de cavalo. Para inspecioná-los, basta abrir a parte de cima. Essas portas abrem para o corredor e uma não deve ficar na frente da outra. No corredor, colocam-se um interruptor de luz para cada dormitório, tomadas, lâmpadas e uma torneira - para limpeza - em cada extremidade. O acesso ao conjunto é feito por uma porta no inicio do corredor.


Dormitório: as paredes são de tijolo furado (tijolo baiano, não maciço). O ar contido em suas cavidades reduz a umidade e as oscilações bruscas de temperatura.


Para a temperatura interna ser a mais agradável possível adotam-se telhas de barro. Elas são sustentadas por uma estrutura de madeira. Por baixo é fixada uma tela mosquiteira (ver corte) para evitar insetos e bichos. Pelo vão entre as telhas e a tela entra ar no dormitório. O telhado avança 1 metro sobre a área externa, formando uma varanda que protege da chuva o refeitório (nela, é posta uma lâmpada). A altura do piso ao telhado, no ponto mais baixo do dormitório, é de 2,5 metros (ou 3 metros em regiões quentes).


As paredes, para evitar frestas e pontos de acúmulo de microrganismos que possam ser prejudiciais à saúde dos cães, têm acabamento liso, com massa de cimento queimado. Esse mesmo acabamento pode ser adotado no piso do dormitório e refeitório, para maior higiene.


Em cada dormitório há uma lâmpada e uma tomada, útil, por exemplo, quando for preciso um aquecedor para esquentar os filhotes.


Cama: instale uma com capacidade para abrigar até dois cães (ver medidas em Dimensões). Mande fazer uma estrutura em alumínio, com quatro pés de 15 cm a 20 cm de altura, (ponha protetores de borracha na base deles) para facilitar a lavagem do piso e evitar umidade para os cães. Por cima da estrutura, fixe o colchão. É uma placa de borracha maciça (com 1,5 cm de espessura) colada, com cola de sapateiro, por cima de uma placa de madeira rígida. Esse colchão é confortável e saudável para o cão e evita a formação de calos. Periodicamente, poderá ser preciso substituir a borracha devido às roeduras.


Refeitório: protege a comida e a água da ação do sol e da chuva. E um espaço entre o dormitório e a área externa, separada do dormitório por uma parede baixa (1,5 m) que protege do frio e da umidade, e permite a circulação do ar no vão que tem por cima.


Área externa: serve para os cães tomarem sol, fazerem as necessidades e movimentarem-se. O acesso é feito pelo refeitório através de um vão de 2 m de altura por 90 cm. E cercada com tela galvanizada de alambrado (80 cm de altura), chumbada em uma mureta e fixada em tubos de ferro (pintados com grafite) ou de PVC (preenchidos com concreto). A mureta tem a função de impedir que os cães de diferentes canis se vejam e, quando soltos, briguem. A mureta tem 1,40 m de altura (ou 1 m para as raças pequenas) próximo ao portão frontal (e um pouco menos próximo ao refeitório, devido inclinação do piso).


Para prevenir escorregões e malformações ósseas, o piso da área externa deve ser áspero. Não deve ser gramado por dificultar a manutenção e facilitar a proliferação de vermes, parasitas, insetos e aranhas.


Para os cães de pelagem longa bem tratada, que se queira manter afastada da ação do vento e da chuva, a área externa pode ser coberta com telhas de fibra de vidro transparente, para entrar luz.


Sistema de água potável: o bebedouro ideal é o automático (usado em criações de suínos), que oferece sempre água fresca. Para cães de pêlo longo, o bebedouro de bico metálico usado em criação de coelhos não molha nem mancha os pêlos da cara.


Sistema sanitário: para a água escorrer em direção aos ralos, o piso deve ter uma pequena inclinação (4%), desde o inicio do dormitório até o fim da área externa. Um dos ralos (10 cm de diâmetro) fica no refeitório e recebe a água da limpeza do dormitório. É ligado sob o piso por um cano de esgoto, de PVC (de 100 mm de diâmetro), ao cano principal (150 mm), que corre na área externa, sob a parte mais baixa do piso. Esse cano serve a todos os canis que estão um ao lado do outro. Sua inclinação é de 10%. No piso, sobre o cano, há dois ralos (15 cm de diâmetro) em cada área externa, que recebem a água da chuva e a da limpeza. A sujeira é conduzida a uma fossa séptica ou caixa de inspeção, comum a todos os canis.


Outras dependências: o canil pode ter, ainda, na construção principal: depósito para ração (local seco, pois a umidade a estraga); cozinha; maternidade; farmácia e sala de banho e tosa.


Fora da construção principal é muito útil reservar uma área para exercícios (ver medidas em Dimensões). Serve para movimentar os cães e mantê-los isolados durante a limpeza das instalações do canil. O piso é cimentado, áspero, e a área é cercada com tela galvanizada de alambrado.


Uma piscina estreita e longa (6 m x 1,5 m, com profundidade de 0,5 m em uma extremidade evoluindo para 1,5 m na outra) permite exercitar todos os músculos do cão e acostumá-lo a conviver em ambiente com água.


Convém também manter uma área para a quarentena dos cães recém-adquiridos, afastada das demais instalações.


Alambrado antifugas: para evitar que um cão saído do canil pela porta da área externa tenha acesso a toda a propriedade, cria-se uma área de contenção anexa a todas as áreas externas dos canis que estão lado a lado, cercada por um alambrado. Uma porta, com a mesma tela, permite o acesso a essa área (ver planta).


Ver Figura 249p41n1.jpg


Desinfecção: é importante desinfetar o piso e as paredes de todos os canis semanalmente. Pode-se intercalar uma vez com água sanitário e outra com Lysoform ou similar à base de amônia quartenada. Os cães só voltam ao canil depois de o piso estar seco e o cheiro dos produtos químicos ter desaparecido (fiscalizar cantos e rachaduras). Infestações de pulgas, carrapatos e insetos podem ser combatidas queimando o piso e as paredes com um maçarico acoplado a um botijão de gás (vassoura de fogo) ou lavando-os com água fervente (máquinas de vapor a 1402).