O PERIGO DAS MOSCAS

Com a chegada do verão, a presença de moscas aumenta muito. Afinal esta é a época mais propícia para a sua reprodução, graças ao calor e à umidade. Existem milhões de espécies diferentes de moscas e muitas delas provocam doenças ou incômodos aos cães, não importa se de pêlo curto ou longo. Por isso, fique atento à presença desses insetos nocivos.


Apresentamos aqui as doenças mais comuns causadas por moscas em cães e as moscas que, em geral, mais os incomodam.


PREVENÇÃO


Em todos os casos, o melhor meio de prevenção é não deixar o cão em locais com muitas moscas ou em que a incidência de doenças causadas por elas seja grande. Quando isso não é possível, deve-se controlar a presença de moscas, o que pode ser feito eliminando-se o acúmulo de lixo e matéria orgânica, que é onde elas costumam se reproduzir.


Também é conveniente o uso de inseticidas no ambiente e nas paredes do local onde o cão fica. É importante lembrar que, durante a aplicação do inseticida, o cão não deve permanecer no local e os bebedouros e comedouros devem ser retirados. Repelentes tópicos (aderem na pele por bastante tempo) também podem ser usados, mesmo se houver alguma ferida. Xampus repelentes têm efeito pouco duradouro.


DOENÇAS CAUSADAS POR MOSCAS


  • Berne.


É a larva da mosca Dermatobia hominis, que se desenvolve sob a pele de um animal hospedeiro.


- Quem é atingido: qualquer cão, sendo mais comum na zona rural.


- A mosca: a Dermatobia hominis mede de 1,2 a 1,5 centímetros de comprimento. Seu tórax é castanho-escuro e o abdome azul-metálico.


- Transmissão: ao contrário de outras moscas, a Dermatobia hominis não põe seus ovos diretamente no cão. Ela precisa da ajuda de outros insetos, que podem ser desde outras moscas até mosquitos e besouros. Ela deposita seus ovos no abdome desses insetos, e quando eles sugam sangue ou secreções da ferida de um cão, deixam ali os ovos da Dermatobia.


- A doença: uma vez sobre a pele do cão, os ovos de Dermatobia eclodem rapidamente. As larvas penetram de um a dois centímetros sob a pele deixando um orifício aberto. Durante os 39 a 50 dias seguintes, o Berne amadurece no tecido subcutâneo. Ele armazena parte desse tecido para sua nutrição em uma cápsula protetora que produz, na qual há um orifício para ele respirar, causando dor severa ao cão e inflamação local com pus, o que aglutina os pêlos da região afetada.


À medida que o Berne cresce, a cápsula também aumenta e amplia o orifício da pele do cão, causando mais dor e incômodo. Se não for retirada até o amadurecimento, a larva cai no chão, entoca-se e torna-se pupa (fica dentro de um casulo). Depois de 32 a 43 dias neste estado, ela se tonará uma mosca.


- Prevenção: mantenha afastados moscas, mosquitos e besouros.


- Tratamento: o Berne deve ser extraído com as mãos, pressionando ao redor da cápsula até a larva sair. Este é o método mais seguro e quanto antes isso for feito, melhor, para evitar sofrimento ao cão e inflamação. Também porque há o risco de a larva morrer dentro da cápsula, quando o orifício pelo qual ela respira fecha pela cicatrização natural da pele, ou pelo uso indevido de inseticida (não se deve usar antes da extração do Berne). Quando isso acontece a cápsula pode calcificar e formar um nódulo, foco de infecções e de tumores. A retirada do nódulo só é feita cirurgicamente.


Pode-se também usar a invermectina, substância injetável que faz a cápsula secar até cair (se o orifício na pele estiver aberto). O uso, porém, exige acompanhamento veterinário. Algumas raças caninas são especialmente alérgicas a esse medicamento. Collies, Old English Sheepdogs e Pastores de Shetland não podem usar ivermectina sob risco de lesão neurológica com convulsões e inflamação das meninges (meningite), e até morte. Além disso, a aplicação do medicamento é cara.


Extraído o Berne, é recomendável usar um repelente sistêmico cicatrizante (que age em todo o organismo), à base de fention, diclorvos ou piretróides sintéticos. Isso cicatriza a ferida e evita que suas secreções atraiam outras moscas e insetos (não use compostos de organosfosforados).


  • Miíase


Conhecida popularmente como bicheira, é causada pela Cochliomyia hominivorax, que coloca seus ovos na carne de outros animais.


- Quem é atingido: animais com lesões na pele, tanto na zona rural quanto na urbana.


- A mosca: a Cochliomyia hominivorax é uma mosca varejeira, nome popular para as moscas de coloração esverdeada, e que põe seus ovos na carne de outros animais. Ela atinge cerca de 1,7 centímetros de comprimento.


- Transmissão: a mosca coloca seus ovos em ferimentos preexistentes na pele do animal.


- A doença: logo que os ovos eclodem, as larvas da Cochliomyia hominivorax escavam e destroem os tecidos do animal, alimentando-se dos restos dos vasos sangüíneos e linfáticos do tecido destruído. Um forte e característico odor pútrido é exalado. Os ferimentos podem aumentar muito devido à infestação múltipla e, se não forem tratados, geralmente levam à morte.


- Prevenção: além de controlar a presença de moscas, mantenha as lesões de pele sempre limpas e higienizadas.


- Tratamento: é feito com repelentes sistêmicos. Existem dois tipos: um deve ser aplicado no animal e o outro no ambiente. Quando a lesão é muito extensa e há grande quantidade de larvas, utiliza-se ainda antibióticos e antiinflamatórios. Se a área afetada for muito delicada, como o globo ocular, pode ser preciso retirar as larvas cirurgicamente.


  • Dermatite de ponto de orelha


É causado pela picada da mosca Stomoxys calcitrans.


- Quem é atingido: cães que ficam em canis, sem grandes espaços, são os alvos preferidos. O local mais atacado são as orelhas, pois as moscas são atraídas pelo odor de otites e de excesso de cera. A ponta das orelhas é a mais afetada, ou sua dobra se forem pendentes. A base da cauda próxima ao ânus também é bastante atacada, por causado odor da região. No caso das orelhas, se o cão se coçar muito, pode haver hemorragia, por existirem muitos vasos nesta área. Em alguns casos, as escoriações podem evoluir para infecção bacteriana.


O mal é mais comum em cães como os Pastores Alemães e Belgas, Akita e Husky Siberiano, por terem orelhas erguidas e serem mais susceptíveis a problema nos ouvidos, cujo cheiro atrai as moscas. O Cocker também é bastante afetado, mas menos, pois as orelhas pendentes dificultam a identificação do cheiro pelas moscas e o pouso delas. O problema atinge cães tanto na zona urbana quanto na rural.


- A mosca: conhecida popularmente no Brasil como Mosca dos Estábulos ou Mosca do Bagaço, a Stomoxys calcitrans mede de 1,2 a 1,5 centímetros de comprimento, é cinza-acastanhado no tórax e seu abdome é quadriculado em branco e cinza.


- A doença: os cães picados pela mosca, ficam agitados e com coceira. Há a formação de crostas, escoriações e pus.


- Tratamento: em uma primeira fase é preciso eliminaras moscas do local onde vive o cão. Deve-se, então, aplicar repelente e anti-sépticos na região afetada do cão.


OUTRAS MOSCAS INCÔMODAS


Existem outras moscas que também causam grande incômodo aos cães, em especial nas áreas rurais. A maioria delas se alimenta de sangue de outros animais (hematófagas) ou de tecidos podres.


  • Mutuca


Este é o nome popular de várias espécies de moscas da família Tabanidae. Elas possuem grande variação de tamanho, podendo medir de 0,6 a 2,5 centímetros de comprimento, e sua cor predominante é o preto.


Hematófagas, elas são muitas vezes atraídas por lesões na pele do cão. Suas picadas causam irritação, inquietude e estresse. O cão deixa de se alimentar direito e se coça o tempo inteiro.


O tratamento das picadas é feito com repelentes cicatrizantes e, quando já existem lesões na pele, é preciso cuidar primeiro da lesão para acabar com o foco do problema e só depois aplicar o repelente, evitando eventuais irritações na lesão.


  • Borrachudo


Conhecido também como Piun ou Muriçoca, abrange várias espécies de mosca da família Simuliidae. O Borrachudo mede apenas 0,6 centímetros de comprimento, tem o tórax fortemente arqueado e a sua cor pode ser cinza, verde-oliva ou preto.


Só a fêmea se alimenta de sangue. Ela ataca qualquer animal de sangue quente e pica a vítima por várias vezes. Dependendo do número e da intensidade das picadas, podem ocorrem irritações locais ou generalizadas. Pode haver também perda de sangue considerável.


Como as larvas do Borrachudo são aquáticas, devem-se evitar acúmulos de água (há espécies que se reproduzem em água corrente e outras em água parada). O tratamento das picadas é feito com repelentes cicatrizantes.


  • Mosca doméstica


As moscas domésticas (Musca doméstica) também podem incomodar os cães. Mesmo sem se alimentar de sangue nem picar, elas perturbam os cães por causa de sua intensa movimentação.