Coceira generalizada

Meu cão tem coceira por todo o corpo desde quando o comprei, há cinco meses. Surgiram feridas avermelhadas e o pelo foi caindo, principalmente sobre as orelhas. O cheiro era fétido, o cão se lambia o dia todo e, onde se mordia para coçar, removia o pelo. Surgiram crostas e pus líquido por cima dos ferimentos. Os ferimentos só melhoraram depois de passarmos pelo terceiro veterinário, que recomendou apenas banho com sabonete contra sarna. Agora a pele está rosada, com feridinhas parecidas com espinhas e sem pus. O cão está usando cone, pois, se o tiro, se morde para coçar principalmente as patas, próximo à cauda e atrás das orelhas. Nos locais onde o pelo caiu ficaram manchas pretas e nelas ele não cresce bem. Vocês podem me ajudar a resolver o problema? Antonio Alex Serrano, Araxá, MG.

 

Antonio, para fazer um diagnóstico com segurança de mal de pele, que pode ter diversas causas, é preciso analisar o cão pessoalmente. Pelas pistas que você deu, parece ser um caso de sarna sarcóptica (escabiose), com infecção bacteriana secundária, ou seja, decorrente da sarna. A melhora do cão com o uso de sabonete para sarna reforça essa possibilidade. Mas existem sabonetes com múltiplos fármacos que atuam contra diversas dermatopatias e desconhecemos a marca em uso no seu cão. Feridas também podem ser removidas sem promover cura, pelo ato mecânico do banho. Quanto às feridas do seu cão, que parecem espinhas e têm pus ou manchas pretas, podem representar diferentes fases da piodermite superficial bacteriana, uma infecção secundária à sarna. Como o pus parece ter desaparecido, acredito que houve resolução dessa infecção. Quanto à falta de pelos, eles precisam no mínimo de 21 dias da eliminação da doença para voltarem a crescer. Para um tratamento efetivo, que torne inclusive desnecessário continuar a pôr cone no cão, é preciso que um veterinário especializado em dermatologia faça a avaliação. O exame de raspado cutâneo permite identificar os ácaros causadores de sarna. Se o seu cão estiver com sarna sarcóptica, leve em conta que ela é contagiosa para outros animais e humanos. Paulo Sérgio Salzo, veterinário especializado em dermatologia e professor da Universidade Metodista de São Paulo.