Cães: Como não ser lesado na compra

Categoria: Antes de comprar seu filhote

Autor(a): Reportagem: José Tadeu Moraes Texto: Marcos Pennacchi | Cidade: Campinas - SP | 18/11/2014 - 16:20

Acompanhe aqui em dois capítulos a reportagem da revista Cães&Cia sobre compra de cães. Dicas, experiências e um modelo de contrato na hora da compra.
Leitores denunciam problemas na aquisição de cães e cinco especialistas orientam sobre como evita-los

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Denúncias contra vendedores de cães chegam à redação de Cães&Cia freqüentemente. As queixas vão desde viroses fatais e males genéticos nos cães comercializados, até desonestidade do vendedor, por não enviar o pedigree prometido ou, pior, não entregar o filhote já pago. Para complicar ainda mais, criam-se laços afetivos com o cão "com defeito", e não dá para substituir um se que se ama.
     Conhececer casos de compradores lesados e ter a orientação de quem mais entende do assunto pode ser muito útil para evitar futuras experiências ruins na compra de um cão. Reunimos aqui dicas de profissionais experientes - a advogada especializada em direito sobre animais de estimação, Monica Grimaldi; a cinóloga Hilda Drumond; o presidente do Conselho de Árbitros da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), Joni Petrovich; o comportamentalista Alexandre Rossi; e a veterinária Cyntia Peixoto. Aproveite!
SABER ANTES, NEGOCIAR DEPOIS
     Decidir comprar uma determinada raça somente com base nas recomendações do vendedor às vezes é um erro fatal. Informações incorretas dadas apenas para não perder a venda pode causar sérios problemas. Ao comprar o Pit Bull Spot, para conviver com o Pastor Alemão Astor, o leitor Marcelo Zerbini, de Mauá, SP acreditou no vendedor que lhe garantiu o bom convívio entre os dois cães. Mas Spot cresceu e matou Astor numa briga, revelando uma combatividade omitida na negociação apesar de Spot ser dócil com pessoas.
    Para saber como é o estilo de vida de uma determinada raça, o melhor é estudar o comportamento dela, os cuidados necessários e o que mais for preciso, sem depender para isso do vendedor. Leia sobre a raça desejada e o padrão oficial dela. Compare-a com outras. Ouça relatos de pessoas experientes, que não queiram apenas vender um exemplar. Descubra as diferenças entre o filhote e o adulto da raça escolhida.
ENCONTRAR O VENDEDOR IDÔNEO
     O vendedor responsável e idôneo é de longe, a maior garantia para um final feliz na compra de cão. Por outro lado, quando impera a má-fé, os desfechos podem ser bem ruins para o comprador. Denúncias de crimes de estelionato não são raras. A leitora Carmem Pina Simões, de Belém, PA, perdeu R$200 enviados a uma vendedora de São Paulo como sinal na compra de um Poodle, que nunca chegou às mãos dela.
Para fugir de golpes como esses, o jeito é ser cuidadoso ao identificar o fornecedor do futuro cão.
Aprovação inicial, por telefone:
como teste, pergunte ao vendedor se o cão vai se dar bem em uma situação não recomendável para a raça. Se ele der informação incorreta, desclassifique-o. Caso contrário, peça o telefone de três clientes recentes, de preferência de outras cidades - a distância é um estimulo para os vendedores não idôneos darem golpes. Peça também o telefone do Kennel Clube emissor do pedigree do filhote e o do veterinário do canil, mesmo se o vendedor for um intermediário. Se ele não lhe informar, procure outro fornecedor. Pegue referências com os compradores, confirme no Kennel Clube a situação do canil e se foi pedido registro do filhote. Ao veterinário, pergunte sobre a saúde geral do plantel do canil, se há males genéticos, se os atuais filhotes foram vacinados e vermifugados ou quando serão. Percebendo problemas nessas conversas, não tenha dúvidas: desclassifique o vendedor.
Aprovação dos documentos: exija o comprovante de registro do filhote. Atualmente, não há justificativa para o criador não entregar esse documento juntamente com o filhote (ver cláusula 4 do contrato). Os Kennel Clubes filiados à CBKC oferecem um comprovante por filhote registrado, na entrega do mapa da ninhada, o que pode ser providenciando a partir do dia do nascimento. Noventa dias depois, o pedigree definitivo já estará à disposição do criador, para que ele o repasse ao comprador. Não se preocupe com o nome do cão que consta no documento de registro — na prática, o dono pode usar o nome que preferir. Outras duas entidades cinófilas - a Associação Cinológica Brasileira (ACB) e a Sociendade Brasileira de Cinofilia (SOBRACI) - também entregam rapidamente. Uma vantagem do pedigree CBKC é o reconhecimento internacional.
A não entrega do pedigree é um problema bastante frequente. Entre tantas vítimas estão os leitores Carlos Mattos, de Campinas, SP, e Valmir Moraes, de Niterói, RJ. Eles compraram respectivamente um Husky Siberiano, há quatro anos, e um Pinscher, há dois anos, e, apesar da promessa dos vendedores, não receberam o documento.
Só aceite a inexistência do registro se o filhote ainda não nasceu. Nesse caso, veja o pedigree dos pais da futura ninhada: se um deles não tiver registro, o filhote não terá direito a recebê-lo.
Premiações dos pais ou o controle de males genéticos, quando valorizam o preço da venda do filhote, devem ser comprovados com documentos (ver cláusula 11 do contrato)
Procão: Seu canal de utilidade pública
 
Aprovação do estilo de negociação:
fuja de vendedor que agir de forma suspeita, tiver má-vontade em informar, orientar incorretamente ou insistir em receber adiantado, sem justificativa convincente. O venddor que se recusa a entregar filhotes com menos de 45 dias de vida dá sinais de idoneidade- a retirada precoce do convívio com os irmãos e a mãe pode causar, além de problemas de saúde, insegurança e timidez no cão. Entregar o cão entre 50 e 60 dias de idade é sinal de responsabilidade, pois essa é a faixa de idade adequada para o filhote ir a um novo lar. Por dois motivos: estar psicologiamente pronto para ser afastado da mãe e dos irmãos e encontrar-se na fase mais importante para a boa socialização, que vai até 90 dias de idade. Na entrega feita depois dos 60 dias, o cão deverá ter tomado a vacina óctupla, dada entre 50 e 60 dias de idade (repetida depois de 30 e de 60 dias), para reduzir o risco de viroses, com atestado datado, assinado e carimbado com o número de registro do veterinário responsável no CRMV.
Aprovação no local: deve ser feita sempre que possível, pois permite ao comprador ver de perto o que vai adquirir.
Nessa oportunidade, estar acompanhado por alguém que tenha experiência com cães, pode ajudar. Antes da compra, vistorie o filhote, a vitalidade dele, as condições de higiene e a saúde do local. Desconfie de vendedores que não deixam ver o canil. Se o lugar for sujo, quente, frio, úmido, agitado ou barulhento demais ou se reunir filhotes de diversas procedências, o risco de doenças aumenta, devido ao estresse e à facilidade de contágio. Aos 49 dias de idade do filhote pode-se aplicar o teste de Volhard que mede traços de temperamento: agressividade, obediência e timidez.
É ideal ver também os pais do filhote —conferir a aparência e a personalidade deles, para ter idéia de como o cãozinho ficará quando crescer. Se essa visita não for possível, ao menos examine fotos do pai, da mãe, do filhote e da ninhada.