Pastor Belga Malinois: a vedete dos adestradores

Categoria: Pastor Belga Malinois

Autor(a): Marcos Pennacchi e Samia Malas | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 06/06/2017 - 09:59

O Pastor Belga Malinois é cada vez mais procurado para auxiliar polícias e participar de competições de adestramento avançado
Malinois: raça selecionada para alta adestrabilidade em proteção/Crédito: Arquivo canil Vom Roten Sturm

Malinois: raça selecionada para alta adestrabilidade em proteção/Crédito: Arquivo canil Vom Roten Sturm

O Pastor Belga Malinois possui marcante habilidade na proteção, detecção, busca e salvamento e em funções que exigem alta treinabilidade e agilidade e por isso vem conquistando espaço crescente como cão de elite de polícias e exércitos e para competições de alta adestrabilidade.
Noticiários e documentários que mostram o Malinois como um dos cães preferidos nos Estados Unidos pelo Serviço Secreto e pelas Forças Armadas, bem como, em Israel, pelas Forças de Defesa, entre outras organizações militares e policiais, têm atraído também o interesse do público em geral. Ficou famoso o Malinois Cairo que integrava a tropa de elite Seals, da Marinha norte-americana, por ocasião da captura e morte do terrorista Osama Bin Laden. A raça também está entre as preferidas pelos profissionais de adestramento avançado em países como Bélgica, Alemanha, Holanda, Canadá, Austrália e China. “Certamente fatos como esses contribuem para o aumento generalizado do interesse pelo Malinois”, opina Marcel Piacentini Abrantes adestrador e criador, do Canil K9 – Cão Educado, de Santa Isabel, SP.
No Brasil, o reflexo da maior notoriedade da raça pode ser medido no ranking de popularidade da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). O Malinois saltou da 33ª posição, em 2008, para a 18ª, em 2102, com 1.227 exemplares registrados, mais do dobro que os 458 registros de quatro anos antes.
No exterior também há casos de expansão da raça. O desempenho mais notável acontece na França onde, em 2009, o Malinois ingressou no seleto grupo das dez raças caninas mais criadas. E, em 2011, alcançou a 5ª posição, com cerca de 6.500 registros, quantidade mantida em 2012. No American Kennel Club (AKC), dos Estados Unidos, a raça evoluiu da 96ª posição, em 2003, para a 60ª, em 2013.
 
Parecidos, mas não iguais
O Pastor Belga Malinois é a variedade mais criada das quatro do Pastor Belga ou Chien de Berger Belge, como a raça é chamada no país de origem, a Bélgica. O padrão oficial é o mesmo para as quatro variedades, diferenciando-as exclusivamente quanto ao tipo e à cor da pelagem: longa, no Tervueren e Groenendael; curta, no Malinois, e dura e levemente encaracolada no Laekenois, que é mundialmente o mais raro dos quatro e não tem registros no Brasil.
O Pastor Belga Groenendael é comumente confundido com Pastor Alemão preto, por ter pelagem longa e negra. Os demais são exclusivamente fulvo-encarvoados (pelos bege com ponta preta), sendo que no Tervueren é permitido também o cinza-encarvoado.
 
Origem das variedades

No século 18, ancestrais do atual Pastor Belga eram utilizados para pastorear, vigiar e conduzir rebanhos de ovelhas e existiam com grande variedades de tipos e pelagem. Quando não estavam no “trabalho”, esses cães tomavam conta da casa e da família. No entanto, a raça como conhecemos hoje surgiu apenas no século 19, com o objetivo de ser um cão de proteção. A iniciativa partiu de Adolphe Reul, professor da Escola de Medicina Veterinária de Cureghem, na Bélgica. Junto com um grupo de cinófilos, ele selecionou, em 1897, na cidade de Cureghem, 117 exemplares com características em comum, como porte médio, olhos marrom-escuros, orelhas pequenas, eretas e triangulares e cauda longa, mas que diferiam quanto à textura, comprimento e cor da pelagem. No mesmo ano, foi fundado o Clube do Cão do Pastor Belga e, no ano seguinte, foi redigido o padrão oficial da raça, primeiramente com três variedades de pelagem e sem distinção de cores: pelo longo, pelo duro e pelo curto.
Em 1901, os Pastores Belgas foram reconhecidos pela entidade máxima da cinofilia belga, a Société Royale de Saint-Hubert (L.O.S.H.). Desde aquela época, o cruzamento entre as variedades é proibido, norma seguida tanto pela Federação Cinológica Internacional (FCI) quanto pelo AKC, sendo que esse último reconhece cada variedade como raça distinta, exceto o Laekenois, ainda não reconhecido.
 
Qualidades do cão
O Malinois é vigilante e ativo, transborda vitalidade e está sempre pronto para a ação. A criadora Morgane Tissier, do canil Forge aux Sept Flammes, na França, descreve a raça como desenvolvida para o trabalho em situações que exijam habilidade extrema. “É um cão determinado, incansável, enérgico, rústico e resistente ao estresse”, detalha. Aliás, ela menciona que durante as duas Grandes Guerras, ao contrário da maioria das raças caninas que foram quase dizimadas, os Pastores Belgas foram preservados por sua utilidade na guerra como mensageiros, patrulheiros de fronteiras e auxiliares da Cruz Vermelha.
Um dos atributos do Malinois que mais admira os policiais é a agilidade e a capacidade para imobilizar sem causar grandes ferimentos. Ao atacar, esse cão morde e solta repetidamente, ficando menos exposto ao agressor, pois não permanece agarrado a ele.
Entre as quatro variedades de Pastor Belga, o Malinois é a que possui maior instinto natural para atacar. “Inteligência, agilidade, rapidez e coragem são características que mais se destacam nele”, complementa Abrantes, que além de criador, também é membro da Associação Brasileira de Mondioring, modalidade esportiva que testa a habilidade do cão para proteger a si próprio e a seu condutor, mesmo em ambientes com muitas distrações. “O Malinois se destaca por ser excelente para o trabalho de obediência, faro, saltos e proteção”, explica. “Em competições de mondioring e no trabalho de segurança não há quem o supere.”
 
No trabalho

www.moveoneinc.com
Cão de guerra: Pastor Belga Malinois Cairo, integrante do esquadrão que capturou o terrorista Osama Bin Laden

Sociabilidade com estranhos
Visitas na presença do dono são bem aceitas. “Depois de recepcionada cordialmente, a pessoa pode circular pela casa sem problemas”, comenta Abrantes. “Mas o estranho que entrar na casa sem ter sido recepcionado será atacado”, acrescenta. Um dos pontos fortes do Malinois adestrado é fazer a defesa pessoal e da casa sob comando.
 
Esportista nato
O Malinois adora correr por horas seguidas. Precisa de ambiente espaçoso ou passeios de duas a três vezes ao dia. Ágil, com físico ideal para suportar longas caminhadas e com grande vitalidade e alto grau de obediência e devoção, o Malinois é um esportista nato, especialmente dotado para provas de adestramento avançado em ataque e defesa e que testam também saltos extremos, como o mondioring e o schutzhund além de outras correlatas, como o ring na França e Bélgica e o KNPV na Holanda. A raça também apresenta bom desempenho em modalidades como agility e flyball.
 
No esporte

K 9 Cão Educado
Treino de perseguição e ataque: Abrantes e seus cães treinando para competições esportivas

Dia a dia com um Malinois
Depois de ver a atuação do Malinois nas forças militares norte-americanas pela televisão, Matheus Abrahão, de 11 anos, que vive em São Paulo, quis ter um exemplar da raça. A opção causou certo receio no pai dele, o advogado Adriano Abrahão, que além de um Weimaraner e cinco SRDs teve dois Filas Brasileiros, cães que, como o Malinois, precisam de dono com pulso firme.
“Fiquei apreensivo, pois sabia que o Malinois não é para donos inexperientes”, comenta Adriano. Mesmo assim, ele atendeu ao pedido de Matheus. “Fada chegou filhote e sempre que testava liderança tentávamos fazê-la perceber que não era ela quem estava no comando mas, mesmo assim, às vezes ela se recusava a obedecer ou atendia sem convicção. Tinha também energia incrível. Busquei a orientação do treinador Marcel Piacentini Abrantes e Matheus e eu pusemos em prática um programa que combina caminhadas diárias com exercícios de mondioring, totalizando cerca de três horas diárias de atividades. A cada três meses o programa é revisado por Abrantes, quando levamos Fada ao canil dele para ser avaliada. Com o treino, Matheus aprendeu a se impor definitivamente sobre ela e só encerra uma sessão depois de ter sido completamente obedecido”, relata Adriano.
Fada se tornou parte da vida da família Abrahão, mostrando-se amorosa e obediente, e isso motivou a aquisição de um segundo Malinois, Peper. Agora Fada tem quase 2 anos e Peper, que está com 8 meses, segue rotina semelhante. Assim como ela, se revelou amoroso com a família, ao mesmo tempo em que já mostra certa intolerância a estranhos.
“Encontramos na raça todas as qualidades que desejamos – são bons na guarda, companheiros que gostam de passeios longos e que não exigem muitos cuidados com pelagem e saúde”, relata Adriano. “Aonde vamos, levamos os dois conosco.” Ele acrescenta que Fada e Peper são cães discretos, que sempre buscam a proximidade da família e gostam de estar junto sem ser pegajosos. “O mais marcante para mim é a capacidade desses cães para aprender.”
Quanto aos pontos negativos da raça, o advogado cita apenas um: “Latem muito e isso, às vezes, causa alguma chateação”. Para quem pretende adquirir um Malinois, ele adverte: “Não é cão para sedentários nem para quem não sabe se impor – é preciso exercitá-lo sempre e saber definir claramente a subordinação dele.”
 

Arquivo pessoal
Os Malinois bem exercitados e adequadamente liderados são bons pets: Matheus Abrahão, 11 anos, exercita os dele, Peper e Fada (apoiada na bicicleta)