Problemas ao passear com o cão?

Categoria: Comportamento

Autor(a): André Barreto | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 04/07/2017 - 16:48

Latidos em excesso, medo de entrar no carro, puxões na guia e agressividade com outros cães. Veja como evitar esses problemas que podem tirar toda a graça dos passeios
 Bom comportamento nos passeios: momentos prazerosos para dono e cão | eldadcarin / ISotckphoto

Bom comportamento nos passeios: momentos prazerosos para dono e cão | eldadcarin / ISotckphoto

Sabe aqueles dias em que você acorda com uma enorme vontade de dar uma volta com o cão? Se esse não for o seu caso porque seu amigo de quatro patas não sabe se portar nos passeios ou se você tem um filhote e planeja fazer agradáveis caminhadas com ele, aproveite esta matéria. Ela foi elaborada para ajudar quem quer se divertir caminhando com o cão e, junto com ele, manter a forma física e mental.

Coleira e guia ideais

Não se deixe levar pela variedade enorme de apetrechos disponíveis nos pet shops. Para caminhar com conforto e segurança com o cão, basta uma coleira e uma guia, ambas leves e resistentes. Nada de enfeites em excesso na coleira; incomodam o cão e podem até ser engolidos. Também devem ser evitadas guias elásticas, retráteis ou com amortecedor porque estimulam o cão a puxar.

Preparação do filhote

Durante o período de resguardo, aquele em que é preciso esperar a vacinação produzir efeito e que coincide com a fase de ouro da socialização e do aprendizado, você já pode ir preparando o filhote para as caminhadas. 

Sem sair de casa, acostume-o ao uso da coleira e da guia. Mesmo que no começo ele morda esses objetos estranhos ou que pule, puxe ou fique imóvel sem saber como agir, com cerca de uma semana de treino estará circulando normalmente com a coleira e permitirá, inclusive, ser conduzido com a guia. 

Ainda durante o período de resguardo, você pode apresentar a rua ao filhote, mas não deixe que ele tenha contato direto com o chão. Caminhe com ele no colo para acostumá-lo ao movimento e aos ruídos e odores que encontrará quando for passear para valer.

Assim que terminar o período de resguardo, saia com o filhote para caminhar na rua. Desde o primeiro passeio dele, ensine o que é certo sempre que ele agir de maneira inadequada. Por exemplo, se ele puxar a guia, pare imediatamente e reinicie a caminhada quando ela estiver frouxa, ou seja, sem ser puxada.

Créditos: BrianAsmussen / ISotckphoto | Latidos: É preciso distinguir os sinais de hostilidade dos de convite para brincar

Latidos em excesso

Não deixe o cão latir para pessoas que estiverem se aproximando. Se ele tiver essa atitude, na primeira vez ignore os latidos e continue andando. Da próxima vez, mantenha mais distância das pessoas e, assim que o cão avistá-las sem latir, mesmo que seja de longe, clique e recompense fazendo carinho. A intenção é mostrar que sempre que ele permanecer em silêncio será recompensado. Aos poucos, de acordo com os acertos, aproxime mais o cão das pessoas.

Já os latidos para outros cães durante as interações e brincadeiras são um comportamento natural. Mas não devem ocorrer durante as aproximações. Se o seu cão latir nessas ocasiões, interrompa a caminhada enquanto ele não silenciar e não permita que a aproximação aconteça. 

O cão pode latir também pela simples excitação de estar passeando. Para acabar com isso, faça-o associar os latidos com interrupção do passeio. Cada vez que ele latir, pare, permaneça imóvel e só volte a andar depois de ele ter ficado em silêncio por cinco segundos.

Agressividade com cães

Latir por agressividade ou medo nos passeios é outro comportamento bastante comum, muitas vezes incentivado inconscientemente pelo próprio dono. Por exemplo, carinhos para acalmar o cão que late podem ser interpretados como gestos de aprovação. Ou o dono se afastar bruscamente de um cão que late, como se estivesse fugindo dele, pode resultar no entendimento de que a aproximação de outro cão é uma ameaça para ambos.

Qualquer que seja o motivo dos latidos de medo ou agressividade, a técnica para evitá-los é associar a aproximação de outros cães com algo bom. Isso é feito por meio de sessões de treino nas quais se coloca o cão latidor a uma distância tal do outro cão que não se sinta estimulado a latir. O objetivo é proporcionar uma sequência de premiações por ficar quieto, motivando o cão a querer mais. A recompensa é dada na forma de um clique(*) seguido por um pedaço de petisco. Repete-se a premiação de acordo com a intensidade dos latidos do cão. Se ele é de latir muito, no começo é recompensado a cada 2 segundos, e, aos poucos, o intervalo entre uma premiação e outra vai sendo aumentado. Sempre que o cão ficar por três minutos sem latir por duas ou três vezes seguidas, pode-se aproximá-lo um pouco mais do outro cão. Se, com isso, ele começar a latir, volta-se a afastá-lo o suficiente para se acalmar, dentro do princípio de que o importante é recompensar. 

Se o cão permanecer em silêncio por três minutos, duas ou três vezes seguidas, é aproximado um pouco mais do outro cão, até ficar tranquilo bem perto dele. 

Com prática diária, o treino costuma levar de duas semanas a três meses. No mínimo devem ser feitas três sessões por semana.

Transporte de carro

Quando não há parque ou rua calma perto de casa para passear com o cão, é preciso transportá-lo até um local adequado. Fazer uso correto do carro é importante para evitar surpresas desagradáveis. 

De dentro do veículo, comece convidando o cão para entrar. Para tanto, ofereça um pedaço de petisco (clique quando o cão entrar e, em seguida, entregue a recompensa).

Estando ele tranquilo no automóvel, de preferência sentado ou deitado, recompense-o de vez em quando. Assim que ele tiver se  mantido calmo por dois minutos, comece a nova etapa. 

Feche a porta, coloque no cão o cinto de segurança (espécie de peitoral com guia curta, encaixável na fêmea do cinto de segurança do carro) e sente-se no banco do motorista. Inicialmente, recompense o cão a cada 5 segundos em que ele se mantiver tranquilo (aumente gradualmente o intervalo entre as premiações). Se ele ficar agitado, querendo sair de onde está, ou se der sinal de medo, encerre a sessão e reinicie mais tarde, quando a frequência das recompensas será maior (a intenção é associar a presença no carro exclusivamente com algo bom). Repita o exercício até o cão ficar tranquilo por dez minutos.

O passo seguinte é ligar o carro, movimentá-lo na garagem para frente e para trás e, se o cão não estiver desconfortável, dar uma volta no quarteirão.

Quando o percurso estiver sendo completado com o cão tranquilo, comece a fazer uma volta maior. E, assim, passo a passo, será possível levá-lo bem comportado até o destino, ou seja, aonde ele irá se divertir passeando com você. Logo o cão fará uma associação de ideias poderosa: automóvel com passeio. Geralmente, o treino completo demora até duas semanas, em seções de 5 a 15 minutos, realizadas diariamente (não convém praticar menos de três vezes por semana).