Cachorro Bullmastiff: cão de guarda-companhia

Categoria: Bullmastiff

Autor(a): Samia Malas | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas - SP | 31/08/2017 - 09:25

Renda-se aos encantos deste grandalhão protetor e amoroso no convívio familiar, o cachorro Bullmastiff
Edmilson Reis / Eashik Kennel. Cão: Absolut Bullsquare, campeão brasileiro e pan-americano

Edmilson Reis / Eashik Kennel. Cão: Absolut Bullsquare, campeão brasileiro e pan-americano

Não se impressione com o tamanho do cachorro Bullmastiff. Essa é a primeira lição que os criadores da raça dão àqueles que não a conhecem. Apesar de ser um cão de guarda eficiente, função que executa por instinto (sem precisar de treinamento), esse molosso é tido também como cão de companhia, afetuoso e adequado para o convívio familiar. “O Bullmastiff gosta de estar perto das pessoas, mas nem por isso deixa de tomar conta enquanto faz companhia”, revela Katia Tárraga, do Canil Hillsborough, de São Roque, SP. “Até mesmo sentado aos nossos pés, ele se mantém vigilante, ficando de costas para nós de modo que possa observar o que acontece em volta”, acrescenta. “Por motivos como esse, dizemos aqui em casa que o cão Bullmastiff é um cão de guarda-companhia.”

Outra faceta interessante da raça é ser beijoqueira. Isso mesmo. E, ainda por cima, com a habilidade de dar os lambeijinhos na cara do dono mesmo que ele esteja em pé. Por ser um cachorro de grande porte, o Bullmastiff consegue alcançar a face de uma pessoa de estatura média apoiando as patas dianteiras sobre os ombros dela e ficando em pé apenas sobre as patas traseiras (confira em vídeo no YouTube: Dozer the tall Bullmastiff). 

Como guardião, o Bullmastiff não é daqueles que pula no portão, late sem parar e faz o maior estardalhaço para afastar os intrusos. “Ele assusta os estranhos principalmente pela aparência: é grande, robusto, com cabeça enorme e olhar firme”, detalha Katia. “Se necessário, dá um latido curto e grosso de advertência, deixando claro que não é para se aproximar.” Katia acrescenta que, num primeiro momento, quem desconhece a raça fica com receio, mas quando ela explica que o cão atende aos comandos dela, as pessoas acabam perdendo o medo.

A atuação da raça na guarda assim está descrita no padrão da Federação Cinológica Internacional: “O Bullmastiff é inteligente, observador e totalmente confiável, tanto física quanto mentalmente, podendo avaliar rapidamente uma situação.” Isso inclui seu estilo de defesa, que prioriza acuar o invasor de território em um canto da propriedade e esperar pela chegada do dono, em vez de simplesmente atacar. “Se for preciso, o Bullmastiff usa a boca para segurar o invasor e mantê-lo imobilizado e, se a pessoa tentar se livrar, poderá se ferir, como se tivesse sido mordida”, explica Katia. Como exemplo, ela conta que um dia abriu o portão para uma vizinha acompanhada por dois cães, um deles trazido na guia e o outro livre. Um Bullmastiff de Katia estava solto e foi direto para cima do cão sem guia, mantendo-o preso no solo com a boca. Assustado, o cão dominado ficou imóvel. “Mandei o Bullmastiff soltar e examinei o cão atacado: não havia sequer um furinho, somente hematomas, mas se ele tivesse se mexido quando estava imobilizado, provavelmente estaria ferido”, completa Katia, que também é médica-veterinária. 

Cachorro Bullmastiff é Ativo à noite 

Desenvolvido na Inglaterra a partir de 1860, por meio de cruzamentos que lhe proporcionaram sangue 60% do antigo Mastiff Inglês e 40% do antigo Bulldog, o Bullmastiff foi criado para ser um gamekeeper’s night dog, ou seja, um “cão vigia de caça noturno”. Sua função era rastrear silenciosamente caçadores ilegais, que invadiam de noite grandes propriedades rurais, e imobilizá-los no chão com o peso do corpo e com a boca, até segunda ordem. 

“Andar no escuro sem fazer barulho é um comportamento que continua presente na raça – muitas vezes, de noite, pensamos que nossos Bullmastiffs estão dormindo, mas, de repente, aparecem ao nosso lado”, comenta Katia.

Cachorro Bullmastiff é família

Fã de cães de guarda e dono experiente – ele já teve nove cães de grande porte ao longo da vida –, o administrador de empresas Alexandre Sanlouzans Louzao, de Arujá, SP, adquiriu há 13 meses, no Eashik Kennel, seu primeiro Bullmastiff, o Bruce. “A raça é um tanque de guerra, muito mais forte que o cachorro Rottweiler e o Dogo Argentino, cães que já tive (e olha que eles são fortes). Digo isso porque sempre brinquei com meus cachorros de correr, pular, pega-pega etc., e os que tive antes, apesar de também serem pesados, não conseguiam me derrubar usando o peso do corpo. Bruce, ao contrário, me derruba com certa facilidade, apenas trombando nas minhas pernas, sem precisar pular em cima de mim, mesmo eu pesando 115 quilos e fazendo força para não cair. Derruba também com muita facilidade a minha Presa Canário, Fúria, de 7 meses, que já pesa 40 quilos.”

Antes de comprar Bruce, Louzao tinha lido que o Bullmastiff é carinhoso, mas não imaginava que fosse tão carinhoso. “Desde filhote, Bruce gostou de ficar no colo do meu filho, de 13 anos, e hoje, mesmo com 60 quilos, ainda dá um jeitinho”, descreve ele, que vê a raça como muito protetora da família e do território, sem demonstrar agressividade, além de ser ágil, apesar do tamanho. “As pessoas ficam surpresas quando falamos que, até completar 3 anos de idade, Bruce ainda vai crescer e ganhar cerca de 10 quilos, boa parte deles em forma de músculos”, ressalta. “Também com Fúria, Bruce se dá muito bem – enquanto ela só gosta de brincar de morder, ele tem a maior paciência, até que se cansa e a derruba e imobiliza. A facilidade com que ele derruba é absurda”, diz. 

Cachorro Bullmastiff: gigante jeitoso 

“O Bullmastiff de boa genética, ao brincar com crianças e cães menores, é paciente e cuidadoso, demonstrando ter ciência do tamanho e da força dele”, observa Nateusca Fernandes, criadora do Eashik Kennel. Diversos vídeos no YouTube mostram isso, como Baby  Leaping Over Bullmastiff. 

A raça Bullmastiff costuma ser cuidadosa também no dia-a-dia. “As fêmeas que ficam comigo dentro de casa quando têm ninhada são extremamente asseadas. Pedem para sair mesmo sem nenhum adestramento e nunca roeram ou danificaram nada. Já fiquei em um hotel com uma Bullmastiff adulta e, mesmo sem treino algum e sem o hábito de ficar dentro de casa, ela se comportou como uma lady”. 

Adestramento de cães deve começar cedo

Atitudes como pular nas pessoas para festejar, puxar a guia e correr pela casa, tão comuns nos cães e que podem até ser relevadas nas raças de menor porte, ganham enorme dimensão diante do poderio físico do Bullmastiff. Por mais que, na essência, esse cão tenha bom caráter, precisa aprender a atender aos comandos básicos de obediência. Por sorte, a esposa de Louzao, Nilciane, não foi arrastada um dia desses quando caminhava com Bruce e uma Capivara apareceu diante deles. “Bastou uma rosnada de Bruce para a Capivara sumir na mata, mas se, em vez disso, ele tivesse começado uma perseguição, Nilciane, que pesa quase o mesmo que ele, não conseguiria segurá-lo”, comenta Louzao. Como ela sai com Bruce para caminhar cinco vezes por semana e o leva no carro para buscar o filho na escola, Louzao contratou um adestrador que está ensinando os comandos de obediência a Bruce.

Convivência com cachorro Bullmastiff

A empresária Monica Maluf, de Jundiaí, SP, já teve duas Bullmastiffs, ambas adquiridas no Canil Hillsborough: Greta, que já faleceu, e Vogue, hoje com 4 anos. A opção pela raça foi feita a partir de uma reportagem da própria Cães & Cia, publicada em maio de 2006 (edição 324). “A raça é dócil, convive bem com meus outros animais e com crianças. Embora tenha um porte físico que impõe respeito, é mansa”, resume Monica, que já teve um Dobermann na época de Greta, mas conta que as pessoas temiam mais a Bullmastiff. Tanto Vogue quanto Greta sempre se deram bem com outros animais. “A Vogue e a nossa vira-lata ‘Cesa’ (abreviatura de Princesa) dormem juntas na mesma casinha e nunca brigaram. Greta adorava a minha gata – ficavam juntas dentro de casa –, e era companheira inseparável de minha Dobermann”. Monica diz que suas Bullmastiffs nunca mataram os animais que vez ou outra entram na propriedade. “Avisam com latidos fortes e espaçados sobre a presença do intruso, chegam a cercá-lo, mas não o atacam – latem sem parar até alguém sair para ver o que está acontecendo.”

De magro a fortão

Dos 4 aos 12 a 15 meses de idade, o Bullmastiff passa por uma fase de crescimento rápido, na qual ganha principalmente altura. Nesse período, fica magro, alto e desengonçado. “Tentar forçar o encorpamento nessa fase não é recomendável pelo risco de aparecerem problemas nas articulações”, ensina Nateusca. Depois desse período, começa o ganho de massa. Ela explica que exercícios como natação e outros esportes ajudam a fortalecer os músculos, mas não são necessários para o Bullmastiff ficar forte. “A plena forma física será alcançada naturalmente aos 3 anos de idade”, conclui.

Higiene e beleza do cachorro Bullmastiff

A retirada semanal dos pelos mortos por escovação evita que se espalhem por onde o Bullmastiff passa. E, tomando um banho quinzenal, ele não vai adquirir odor forte. Como acontece com os demais cães molossos, a raça baba ao comer, ao beber água e ao praticar atividade física. “Nessas ocasiões, sugiro limpar com papel toalha, que é mais higiênica que paninho”, orienta Katia.
 

Popularidade do cachorro Bullmastiff

Ainda pouco conhecido no Brasil, o cachorro Bullmastiff teve apenas 176 registros em 2013, na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). O número, apesar de relativamente pequeno, comparado com os 41 registros de 5 anos antes mostra tendência de expansão. 

Curiosamente, no Reino Unido, país de origem da raça, ocorre o oposto. Desde 1997, quando o Bullmastiff alcançou o auge da popularidade com 2.357 registros no The Kennel Club (TKC), os números vieram diminuindo até chegaram em 672 registros em 2013. Segundo David Robson, do TKC, esse resultado pode decorrer da crescente busca por cães de pequeno porte e do Dangerous Dogs Act, de 1991, que proibiu a criação do Fila Brasileiro, do Pit Bull, do Dogo Argentino e do Tosa, mas que pode ter induzido pessoas a pensar erroneamente que o Bullmastiff e outras raças de grande porte também estavam na lista.