Para ter um cão confiante e seguro de si

Categoria: Comportamento

Autor(a): André Barreto | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 06/11/2017 - 16:22

Aprenda a evitar que o filhote desenvolva medos e, caso ele já os tenha adquirido, saiba como eliminá-los
iStock / WebSubstance

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Entre os motivos que podem deixar o cão inseguro a ponto de sentir muito medo, estão a falta de socialização, os traumas causados pela inexperiência na lida por parte dos donos e até predisposição genética à insegurança, herdada de algum ancestral. Mas, qualquer que seja o motivo, um cão medroso pode ficar agressivo e atacar o próprio dono e seus familiares. Por isso, ajudar o animal a não sentir medo significa assegurar maior qualidade de vida para ele, bem como para a família humana com a qual ele convive.

 

Para crescer equilibrado

As primeiras experiências do fi-lhote influenciarão o comportamento dele por toda a vida. Muitos medos podem ser evitados encaminhando corretamente o contato inicial com as situações que podem causá-los.

Fogos e trovões. São, sem dúvida, o motivo número 1 para os cães ficarem temporariamente apavorados. Para o filhote aprender que estrondo não significa ameaça, é preciso que, quando o barulho ocorrer pela primeira vez na vida dele, todos por perto se mantenham calmos. Nesse momento, o cãozinho colocará as orelhas para trás, olhará ao redor e, se ninguém reagir, sossegará e interpretará que não há o que temer, a não ser que sofra de insegurança de origem genética.

Entreter o filhote com algo do agrado dele, como roer um ossinho ou brincar de buscar bolinha antes de o estrondo acontecer, de modo que o filhote ouça o barulho enquanto está se divertindo, é uma boa alternativa, desde que seja possível. Dessa maneira, o impacto do primeiro contato com o ruído fica reduzido e o risco de ele sentir medo diminui.

O que não deve ser feito em hipótese alguma ao ocorrer estrondo é pegar o filhote no colo ou acariciá-lo. Ou, então, dar bronca nele porque abaixou as orelhas ou fugiu e tentou se esconder embaixo de algum lugar. Essas reações, como qualquer outra, poderão ser compreendidas como confirmação de que o ruído é uma ameaça e que há razão para ter medo dele.

Barulho de motos e carros. Assim como se age com estampidos de trovões e fogos, o barulho de motos e carros não deve causar reação nossa diante do filhote. O certo é, a partir dos dois meses de idade, apresentar a rua para ele de forma gradu-al. Antes de terminado o período da vacinação, dê voltinhas com o filhote no carro ou no colo, inicialmente em ruas calmas. Enquanto ele se mantiver tranquilo e observando ao redor, recompense-o de vez em quando com um clique(*) e um pe-daço de petisco. Por outro lado, sempre que ele se mostrar assustado, ignore-o. Dessa maneira, aos poucos, ele se acostumará a encarar com naturalidade as várias situações típicas das ruas.

Andar de carro. A adaptação ao veículo também deve acontecer de forma gradual. O primeiro passo é fazer o cão gostar de entrar nele. Para tanto, leve-o até o carro e, quando estiverem em seu interior, clique, ofereça um pedaço de petisco e brinque um pouco com ele. Depois de três sessões em que ele se manteve confiante dentro do automóvel, ligue o motor. Na primeira saída, dê apenas uma volta de quarteirão. De acordo com a confiança mostrada pelo cão, aumente gradativamente a extensão e a movimentação do percurso.

Cães na rua e pedestres. Desde os primeiros meses de vida, é recomendado que o filhote tenha contato com pessoas e cães de todos os tipos, caso contrário é provável que desenvolva insegurança e até agressividade nesses encontros. Na faixa etária de dois a cinco meses, até terminar a vacinação, faça a socialização em casa, recebendo convidados, e na residência de amigos, sempre em ambientes limpos e seguros e com cães saudáveis, que estejam com a vacinação em dia.

Aprender a interagir e a interpretar a linguagem canina é fundamental para que o cão consiga, no futuro, se comunicar adequadamente nas interações com cães desconhecidos e se sentir mais seguro.

 

Medo já adquirido

É possível eliminar medos já adquiridos ou reduzi-los bastante por meio da dessensibilização controlada, processo que pode levar de dois a oito meses, com sessões diárias ou, no mínimo, três vezes por semana, de 15 a 40 minutos.

Ruídos assustadores. Coloca-se o cão em contato com o barulho que o atemoriza, no começo com volume bem baixo para não incomodá-lo. Para tanto, utiliza-se uma gravação do ruído (há estrondos de trovão e de fogos, roncos de motocicleta, por exemplo, na internet e em CDs). Sempre que o cão não reagir ao barulho, clique e dê um pedaço de petisco para ele. Depois de ele se manter calmo por três vezes seguidas, aumente um pouco o som e repita o treino. O exer-
cício avançará gradualmente, até que o medo não mais se manifeste, mesmo que o som seja tocado bem alto. Caso, durante a prática, o medo aparecer, retorne à altura de som que não causa reação e prossiga com o treino a partir daí.

Na rua. Se o seu cão tem medo de pessoas ou de outros cães na rua, ou é agressivo, treine-o a se manter calmo enquanto a causa da reação indesejável estiver no cenário. Para tanto, poste-se longe o suficiente da pessoa ou do outro cão, de modo que o seu cão continue calmo. Durante o contato visual, clique e entregue um pedaço de petisco ao seu cão desde que permaneça calmo. Ele não deve latir nem rosnar, não pode puxar a guia nem dar sinais de medo ou agressividade (ou seja, ficar arrepiado, franzir os lábios, colocar a cauda entre as pernas, esconder-se atrás das suas pernas). 

Depois de três repetições seguidas em que o seu cão não esboçou reação, aproxime-o mais um pouco do outro cão ou da pessoa e continue a treinar. Sempre que o seu cão mostrar medo ou agressividade para com pessoas ou cães, retome o exercício distanciando-o mais, para que fique calmo e possa ser premiado. 

O treino estará completo quando o seu cão se conservar ao lado de pessoas ou cães sem dar qualquer sinal de medo ou agressividade. O exercício pode ser praticado com conhecidos (tanto pessoas, como cães) ou com passantes em parques ou ruas.