|
Trecho de
matéria publicada na Cães & Cia 250
|
TESTE DE TEMPERAMENTO DE
FILHOTE DE CÃO (VOLHARD )
Aplicar aos 49 dias de vida do filhote
Lembre-se:
você quer que o filhote de cão cresça com bom temperamento e
deseja conviver com ele por muitos anos. Conhecer o temperamento
antes de comprá-lo é evitar uma futura decepção
Pré-requisitos:
aplique o teste aos 49 dias de vida. É quando o cão está
neurologicamente completo e com cérebro de adulto. A cada novo dia
as reações estarão mais impregnadas pelo aprendizado anterior.
Teste um filhote por vez, em boas condições. Ele deve estar ativo
e com boa saúde. Não faça o teste logo depois de ele comer, nem
no dia da vacinação e nem no dia seguinte. Aplique o teste na
seqüência da tabela abaixo, em local tranqüilo e desconhecido do
cão (basta um cômodo ou área com piso não escorregadio, de 4 m2).
Além do examinador, que pode ser você ou outra pessoa estranha ao
filhote, deve estar presente também o anotador da pontuação, que
não pode interferir na atuação do cão. Antes de marcar os
pontos, o anotador confirma a avaliação dele com o examinador.
Aplicação:
procure não intimidar o filhote. Evite inclinar-se sobre ele,
gesticular ou avançar as mãos bruscamente. Fale com suavidade. Ao
bater palmas, seja delicado. Se o cão não reagir a você ou
demonstrar extremo estresse, afastando a cara e ficando rígido,
pode estar estranhando a sua presença. Nesse caso, tente se
entrosar com o filhote e reiniciar o teste algum tempo depois.
Avaliação:
vale a primeira reação do filhote.
OS
TESTES
1
- Chamar (Atração por pessoas)
Indica:
sociabilidade, treinabilidade.
Como
fazer: o criador traz o filhote e sai. Fique a cerca de 1,20
metro do cão, agachado. Bata palmas e, falando de forma afetuosa,
estimule-o a vir.
Pontuação:
o cão vem logo, animado, e: a) salta e morde a mão do examinador =
1 ponto; b) bate com a pata no examinador, lambe a mão = 2; c) não
encosta no examinador = 3. O cão: a) vem logo, sem mostrar ânimo =
4; b) vem hesitante = 5; c) não vem = 6 (visando aos próximos
testes, deixe o cão cheirar sua mão, acaricie-o e converse com ele
de forma encorajadora para despertar-lhe a confiança).
2
- Acompanhar (Seguir a liderança humana)
Indica:
independência, interação com humanos, treinabilidade.
Como
fazer: aplique após o teste anterior sem interrupção. Levante
e se afaste devagar. Fale com o cão, bata palmas e chame-o. Só
depois marque os pontos de ambos os testes. Enquanto isso, procure
interagir com o filhote.
Pontuação:
o cão segue logo, animado, e: a) coloca-se entre os pés do
examinador e o morde, atrapalhando a caminhada = 1 ponto; b)
coloca-se entre os pés do examinador = 2; c) não se coloca entre
os pés do examinador nem encosta nele = 3. O cão: a) segue logo,
mostrando submissão = 4; b) segue hesitante = 5; c) não segue ou
se afasta = 6.
3
- Restrição (Facilidade de controle sob domínio físico)
Indica:
submissão, treinabilidade.
Como
fazer: agachado, vire com muita delicadeza o filhote de costas e
segure-o com uma mão no peito, sem muita pressão, por até 30
segundos, olhando-o com expressão gentil e tentando estabelecer
contato visual, porém sem falar. Observe a reação.
Pontuação:
a) o cão se debate muito e morde = 1 ponto; b) debate-se muito = 2;
c) debate-se e aceita, sem evitar contato visual com o examinador =
3; d) debate-se pouco e aceita = 4; e) não se debate = 5; f) não
se debate e se esforça para evitar contato visual = 6.
4
- Acariciar (Facilidade de
controle pelo carinho)
Indica:
independência, dominância, aceitação de proximidade de pessoas,
treinabilidade.
Como
fazer: aplique em seguida ao teste anterior, marque os pontos de
ambos depois. Deixe o filhote ficar em pé ou sentar, agache-se ao
lado dele e acaricie-o da cabeça à cauda com uma mão. Observe a
reação.
Pontuação:
a) pula, bate com as patas, morde, rosna = 1 ponto; b) pula, bate
com as patas = 2; c) receptivo, roça no examinador e tenta lamber
seu rosto = 3; d) muito receptivo, lambe a mão do examinador = 4;
e) rola no chão e lambe a mão = 5; f) afasta-se = 6.
5
- Elevação (Facilidade de controle em situação de risco)
Indica:
dominância, medo.
Como
fazer: mantendo a posição agachada, pegue o filhote com as
mãos sob o peito e levante-o cerca de 30 cm, por até 30 segundos.
Pontuação:
o cão se debate e: a) morde = 1 ponto; b) não morde = 2; c)
aceita, debate-se, aceita, seguidamente = 3. O cão não se debate e
fica: a) relaxado = 4; b) tenso = 5; c) paralisado = 6.
6
- Buscar (Vontade de fazer algo pelo dono)
Indica:
treinabilidade, interação com humanos, obediência.
Como
fazer: ainda agachado, acene com um papel amassado (bolinha) e
lance-o cerca de um metro à frente do cão, em local visível,
encorajando-o a buscar.
Pontuação:
a) o cão pega o papel e se afasta = 1 ponto; b) pega, não traz e
não se afasta = 2; c) pega e traz = 3; d) vai até o papel e volta
sem ele = 4; e) começa a ir ao papel mas perde o interesse = 5; f)
não vai ao papel = 6.
7
- Pressão na pata (Resistência à dor)
Indica:
sensibilidade à dor.
Como
fazer: continue agachado e aperte de leve, com o polegar e o
indicador, os dedos de uma pata dianteira do cão. Aumente aos
poucos a pressão e conte mentalmente de um até dez ou pare antes
se o cão reagir. Se ele não deixar tocar a pata, pressione a
orelha.
Pontuação:
total contado a) de 8 a 10 = 1 ponto; b) 6 a 8 = 2 pontos; c) 5 ou 6
= 3 pontos; d) 3 a 5 = 4 pontos, e) 2 a 3 = 5 pontos; f) 1 ou 2 = 6
pontos.
8
- Barulho forte (Reação a sons)
Indica:
sensibilidade a ruído, medo.
Como
fazer: coloque o filhote no
centro da área e fique ao lado dele. O observador, de frente para o
filhote e não muito próximo, bate forte uma colher numa panela,
ambas de metal, uma única vez.
Pontuação:
o cão localiza o som e: a) vai excitado até a origem = 1 ponto; b)
vai até a origem, sem excitação = 2; c) não vai, mas mostra
curiosidade = 3; d) não vai e não mostra curiosidade = 4; e)
encolhe-se, afasta-se e esconde-se = 5. O cão ignora o som = 6.
9
- Perseguir (Reação a algo que se move)
Indica:
potencial para perseguir pessoas, animais e objetos em movimento,
bem como sensibilidade visual.
Como
fazer: ponha o filhote no
centro da área. Amarre uma toalhinha na ponta de uma guia e,
ficando ao lado dele, lance-a rente ao chão. Puxe-a de volta aos
poucos em três vezes e observe a reação que prevalece.
Pontuação:
a) o cão ataca e morde = 1 ponto; b) pega a toalha sem atacar = 2;
c) investiga com interesse = 3; d) olha curioso mas não investiga =
4; e) foge ou se esconde = 5. f) ignora = 6.
10
- Pegar de surpresa (Reação a situação inesperada)
Indica:
estabilidade, equilíbrio.
Como
fazer: a um metro e meio do cão, abra um guarda-chuva e
coloque-o no chão para ele investigar.
Pontuação:
a) avança e morde = 1 ponto; b) aproxima-se e abocanha sem morder =
2; c) aproxima-se, investiga e não abocanha = 3; d) fica parado e
olha = 4; e) afasta-se e esconde-se = 5; f) ignora = 6.
|
|
O
que significa a pontuação
Em
geral, o cão obterá pontuações diferentes no decorrer do teste,
com variação pequena e prevalecendo uma delas. Se a variação for
grande e o cão não tiver problema de saúde, é possível que ele
seja muito instável. Veja o que a prevalência de cada pontuação
indica:
Prevalece
1 ponto: cão muito
dominante, de difícil controle. Com forte desejo de liderança,
não hesitará em lutar por ela, agredir e morder pessoas e outros
cães. Só deve ir a um lar muito experiente, e receber treino
rotineiro. Não deve conviver com crianças, idosos e outros
animais.
Prevalecem
2 pontos: cão dominante, aspira a liderança. De eventual
difícil controle, pode morder. Autoconfiante demais e com excesso
de energia para crianças, idosos e outros animais. Requer
exercício e treino, além de horários rígidos. Donos experientes
podem obter ótimo convívio com ele.
Prevalecem
3 pontos: convive bem com pessoas e outros animais. Pode ter
muita energia e precisar de muito exercício. Boa opção para um
dono que já teve outro cão. Precisa de treino e aprende depressa.
Prevalecem
4 pontos: é o tipo de cão adequado para companhia e a melhor
opção para donos de primeira viagem. Não é o guarda ideal por
ser submisso demais. Raramente se esforçará para obter uma
"promoção" na família. Fácil de treinar e bastante
tranqüilo.
Bom
para idosos e crianças pequenas, das quais pode até precisar ser
protegido.
Prevalecem
5 pontos: muito submisso, medroso e tímido, requer manejo
cuidadoso. Tende a se assustar com pessoas, lugares e barulhos
estranhos. Até um piso diferente pode incomodá-lo. Quando recebe
carinho, na chegada do dono, pode urinar em sinal de submissão. Se
encurralado, tenta fugir. não conseguindo, pode morder. Precisa de
um lar especial, sem crianças e onde o ambiente não mude muito.
Melhor para um casal tranqüilo.
Prevalecem
6 pontos: tão independente que não se apega ao dono. Apesar de
pessoas o utilizarem como guarda, não é recomendado pois costuma
provocar acidentes.
Pontuação
muito irregular: indica temperamento instável, não
recomendável em um cão para uma família.
Outras
interpretações
O
teste Restrição é um dos mais cruciais: indica como o cão
reage à liderança humana.
Para
crianças: o filhote com prevalência da pontuação 4, e, a
seguir, da pontuação 3, será bom com as crianças e se dará bem
nos treinos. O filhote que fica relaxado e não se debate durante o
teste Elevação será fácil de lidar quando adulto.
Treinabilidade:
os mais facilmente treináveis são os com prevalência de
pontuação 4 ou 3 ou de ambas, mesmo que tenham baixa sensibilidade
ao toque, que pode ser compensada com equipamento adequado de
treino. No teste Buscar, o filhote que volta com ou sem o
papel está propenso a trabalhar para as pessoas. Pode ter ótimo
desempenho em provas de obediência e ser, por exemplo, apto aos
treinamentos mais sofisticados, como o de cão para guia de cegos.
Para
experts: o cão com pontos repetidos 1 ou 2 precisa de muita
liderança e experiência para ser controlado. É o dominante.
Especialmente se obteve 1 ponto nos testes Restrição e Elevação.
Guarda:
conforme a prevalência de pontuação nos dez testes, o cão
demonstrará potencial para um determinado tipo de guarda. Os cincos
primeiros testes são os mais importantes, pois avaliam graus de
dominância, porém os demais também devem ser levados em conta.
a)
casa com adultos inexperientes: prevalência de 4 pontos;
b)
casa com adultos experientes e com tempo disponível para dedicar ao
cão: prevalência de 3 e 2
pontos;
c)
guarda restrita ao uso profissional: prevalência de 2 e 1
pontos. Leigos que ficam com esses cães estão muito sujeitos a
provocar acidentes.
Casos
especiais: a pontuação 5 no teste Barulho Forte está
bastante relacionada a timidez e medo — o melhor para esse cão é
um lar calmo e silencioso. Não reagir de forma alguma ao som pode
indicar surdez.
Um
filhote com muitos 6 e 1, além de independente (ver Prevalecem 6
pontos), pode ser mordedor e, se tiver pontuações 5, pode ter
pânico de pessoas.
Pontuação
5 nos testes Pressão na Pata e Barulho Forte indicam
um cão que pode se apavorar facilmente e morder por medo em
situações estressantes.
|
|
O
CÃO NEM SEMPRE É O ESPELHO DO DONO
O
temperamento herdado determina traços fundamentais do comportamento
de um cão. Saiba como detectá-los no filhote, antes da
compra
"A
posse responsável de cães não basta para evitar a agressividade
excessiva e os desequilíbrios comportamentais", adverte o
leitor de Cães & Cia, Luciano Jamas dos Santos, major, oficial
veterinário e chefe do setor de cinotecnia da Polícia Militar do
Rio de Janeiro, em carta publicada pela revista. "É preciso
também valorizar a criação responsável."
|
O
conceito de criação responsável refere-se à produção de cães que
possibilitem aos donos realizar a parte deles, a posse responsável,
visando evitar danos à comunidade. A criação é fundamental no momento
de decidir quais cães acasalarão, buscando privilegiar não só as
formas mas também o equilíbrio do temperamento. Quem cria pode ainda
desempenhar um papel importante vendendo o cão certo para o dono certo.
"Os criadores deveriam medir a dominância dos filhotes e vendê-los
conforme o temperamento inato e o lar onde irão viver", diz Luciano.
"Os mais submissos seriam para o convívio com crianças, os
dominantes para quem quer um cão de guarda, sendo o dono orientado no
sentido de socializar e treinar para proteção. Os extremamente
dominantes com forte agressividade — só seriam vendidos mediante a
assinatura de um termo de responsabilidade."
Quem
tiver a sorte de encontrar um vendedor preocupado em avaliar e indicar o
filhote adequado ao perfil do comprador, saberá que está lidando com um
criador responsável. "Já me recusei a vender um filhote muito
dominante para uma pessoa sem experiência para educá-lo", conta
Daniela Prado, do Canil Mendara Rottweilers, que orienta os compradores a
escolher um filhote com base no temperamento. "Fui até chamado de
louco por não vender filhotes para pessoas despreparadas para lidar com
os cães que haviam escolhido", lembra o criador de Golden Retriever,
Marcos Nishikawa, do Golden Trip's Kennel. "Estudo o perfil do
comprador e sugiro o filhote mais adequado", revela.
O
futuro dono deve conhecer o temperamento de um filhote antes de
adquiri-lo, mesmo que o criador não tome a iniciativa. Nem todo filhote
chega ao mundo com o temperamento considerado ideal para a raça dele, e
nem todos nascem "bonzinhos". Alexandre Rossi, zootecnista e
adestrador, explica que o temperamento inato molda todas as reações do
cão durante a vida. "Se um cachorro apresentar aversão a estranhos
e situações novas até a oitava semana, dificilmente terá uma reação
calma e amistosa em relação a desconhecidos, mesmo não atacando por ter
sido treinado", avisa. Para o norte-americano Daryl Cooper,
adestrador e especialista em comportamento animal há mais de trinta anos,
o temperamento inato do cão é como a planta de um edifício. "Cabe
ao homem agir como o empreiteiro e trabalhar sobre essa planta usando seus
conhecimentos e as melhores ferramentas de que puder dispor."
São
comuns os casos de donos que se decepcionam ao ver aquele filhotinho tão
sapeca se transformar em um adulto agressivo e desobediente. "Cão
que não é o que se esperava dele acaba negligenciado pelo dono, gerando
uma situação infeliz para ambos", lamenta a treinadora e
comportamentalista Cláudia Pizzolatto. Casos extremos, como o sacrifício
do cão por excesso de agressividade, também são conhecidos. Tanto
Cláudia quanto Alexandre Rossi já se viram obrigados a sugerir esse
recurso. "A maioria dessas decepções seria evitada se os filhotes
mais dominantes fossem vendidos a donos mais experientes", comenta o
veterinário especializado em comportamento animal, Mauro Lantzman.
Pode-se
identificar o temperamento de um filhote por meio de testes. Entre eles,
destaca-se o dos adestradores, estudiosos do comportamento canino e
autores de livros sobre o assunto, Jack e Wendy Volhard. Conhecido por
Teste de Volhard, é considerado um dos mais abrangentes. Baseia-se em
outros testes com histórico de bons resultados, como o de Campbell e o
utilizado por Pfaffenberger, que, testando filhotes, aumentou de 9% para
90% o aproveitamento de cães para guia de cegos.
"Milhares
de criadores já adotaram o Teste de Volhard, com alto índice de acerto
na previsão do comportamento adulto", afirma Wendy Volhard. "Eu
mesma testei mais de 500 ninhadas e aconselhei donos e criadores sobre o
que era mais indicado para cada filhote. " Wendy lembra que a idade
ideal para o teste é 49 dias de vida do filhote (ver Pré-requisitos em Teste
de Volhard). Para Cláudia Pizzolatto, se a data ideal for perdida, é
admissível a aplicação com alguns dias de atraso, nunca passando de 60
dias.
Cláudia
utiliza e recomenda o teste. "Dos filhotes testados, pude acompanhar
pelo menos doze até se tornarem adultos e seu comportamento confirmou as
previsões", afirma. "Uma vantagem é evitar que o comprador
leve para casa um cão agressivo ou medroso demais", acrescenta
Alexandre Rossi, que alerta: "Erros de avaliação podem acontecer
por parte do examinador ou devido a fatores que alterem as reações do
filhote."
O
teste de temperamento é muito usado por profissionais envolvidos com o
treino de cães para a guarda. A meta é selecionar os mais aptos (ver Teste
de Volhard, Outras Interpretações). A Polícia Militar do Rio
de Janeiro aplica, desde 1995, testes desse tipo. "Por meio de
seleção genética e testes nos filhotes, queremos formar um plantel
adequado para o serviço policial", informa o major Luciano. O mesmo
acontece na Polícia Federal com relação a cães de guarda e
farejadores. "Instintos como defesa e caça não se ensinam ao
cachorro, pois já nascem com eles em maior ou menor grau", destaca o
chefe do Canil Central da PF, Antônio José de Miranda Magalhães.
"Um cão que não demonstra vontade nesses testes poderá até ser um
bom cão para o trabalho, mas não o ideal."
O
comprador, para aumentar a chance de adquirir um filhote equilibrado, deve
se certificar do bom temperamento dos pais. "Não compre o filhote
se, na presença do dono, um dos pais não puder ser solto entre
estranhos", recomenda Daniela Prado. "Se o casal teve filhotes
em outras crias, procure conhecer dois ou três deles", acrescenta
Alexandre Rossi.
Do
ponto de vista comercial, um cão colocado em um lar adequado se
transforma em uma ótima forma de divulgação, pois se tornará um animal
simpático, do qual todos gostam e perguntam onde foi comprado. Para
Marcos Nishikawa, priorizar o temperamento só tem trazido benefícios.
"O número de pedidos é maior que o número de cães que tenho para
entregar."
|
SATISFAÇÃO
GARANTIDA PELO TESTE
Bono
e Andrea têm muitas afinidades. O criador Marcos Nishikawa analisou
o estilo de vida de Andrea e demonstrou por que Bono seria melhor
para ela do que Edmundo
"Decidi
comprar um Golden Retriever, pois achava que se encaixaria bem no
meu estilo de vida.
Eu
pensava que, escolhida a raça, era só encontrar um bom canil e
levar o filhote que mais me agradasse. Mas, por sorte, fui orientada
pelo criador sobre as diferenças entre cães da mesma raça e sobre
o quanto uma escolha emocional poderia me causar transtornos no
futuro.
Na
hora da compra, fui mais avaliada do que o filhote. O criador quis
saber se eu morava em casa ou apartamento, se viajava muito, quanto
tempo ficava fora e o que eu esperava do cão. Respondidas as
perguntas, ele sugeriu fazer um teste para identificar um filhote
adequado para mim. Selecionei um que tinha baixo nível de
dominância e alta probabilidade de ser obediente quando adulto.
Para comparar, o criador fez o teste em outro filhote, apelidado de
Edmundo, e a reação foi oposta à do primeiro, ficando claro que
ele seria difícil de lidar. Levei meu escolhido para casa dias
depois.
Meu
Golden, Bono, hoje tem 8 meses e estou muito satisfeita. Ele é
muito obediente e companheiro, posso dizer que é tudo que eu
esperava". Andrea Wanderley Capelo, Administradora de
Empresas, São Paulo.
|
UM
DRAMA NA FAMÍLIA
Maria
Cristina desconhecia ser possível identificar o temperamento
herdado por Axel e descobriu tarde demais que ele era uma
ameaça para a família dela
"Queria
muito ter um cão adequado à nossa família, com três
crianças, acostumada a receber visitas. Para realizar esse
sonho, mudamos de um apartamento para uma casa.
Procurei
um conceituado criador de Pastor Alemão. Ele me vendeu Axel,
um filhote de 45 dias. Era lindo como o pai, que vimos em
fotos.
Axel
se revelou muito nervoso. Mordia nossas canelas e perdia
facilmente o controle. Devia ter algum problema de
temperamento, alertou meu irmão psicanalista. Apesar do nosso
carinho, Axel se tornou mais e mais agressivo. Conseguimos
algum progresso com a ajuda de um adestrador, mas Axel
continuou extremamente instável e fomos avisados para termos
cuidado.
Em
conversas descobri que o pai de Axel tinha fama de agressivo.
Ouvi que ele e uma de suas filhas eram desequilibrados.
Não
nos sentíamos mais seguros em receber visitas. Axel mudava de
atitude de uma hora para outra e, rosnando, tentava
agredi-las.
Assim
que meu filho Arthur, que Axel adotara como dono, viajou, Axel
tentou se impor mais em casa. Quando Arthur voltou, Axel
deixou de aceitá-lo, rosnando sempre que ele se aproximava.
Um dia, Axel entrou na cozinha e Arthur o repreendeu. Axel
tentou atacá-lo, parecendo querer matá-lo. O ataque não se
consumou porque Arthur se colocou atrás de uma mesa e a
empregada, com um banquinho, evitou o pior.
Eu
não conseguia mais trabalhar. Axel poderia causar uma
tragédia com meus filhos. Fomos orientados a não doá-lo,
pelo perigo de seu temperamento. A única alternativa era
sacrificar Axel.
Foi
um trauma muito grande. Afinal, depois de quase três anos de
convivência, Axel era como um membro da família.
Continuamos
gostando de cães. Mas agora temos receio de escolher mal e
viver outro drama". Maria Cristina Abrami, professora
de Educação Física, São Paulo |
|
|