Cão Comportado com visitas!

Correção de maus hábitos: transforme seu cão num gentleman com as visitas.

Foto de Jeong Min Yi/Pixbay

Por André Barreto

Copular nas pernas ou braços das visitas :

São bastante frequentes os casos de cães que simulam o ato sexual na presença de visitas, seja trazendo uma almofadinha até a sala ou, até mesmo, tentando copular com a perna das pessoas. Essa situação, além de poder provocar bastante desconforto, tornase ainda mais delicada quando o cão oferece risco de morder quem tenta interrompê-lo.
Desde o aleitamento, os filhotes de cães realizam movimentos pélvicos, principalmente enquanto brincam com seus irmãos. Esse “treinamento sexual” instintivo precoce é importante para a reprodução da espécie e ocorre por toda a vida, inclusive entre cães do mesmo sexo.

Na medida em que vai ficando adulto, o cão não castrado, tanto macho quanto fêmea, pode desenvolver o hábito da masturbação. Esse
comportamento, praticado com uma almofada, braço de sofá ou brinquedo de pelúcia, por exemplo, incluindo tentativas de copular com a perna ou o braço das pessoas, pode ser reforçado involuntariamente caso o cão se sinta recompensado por outras gratificações além do prazer sexual. É o que acontece quando ele consegue atenção do dono nesses momentos, mesmo que na forma de broncas, o que tende a ocorrer com mais ênfase na presença de visitas.
Além disso, a masturbação pode oferecer ao cão o bônus extra de se aliviar temporariamente da ansiedade que sente quando vê o dono entretido com os amigos.

Exercícios práticos: três estrategias ajudam a corrigir a masturbação canina na frente de visitas. Uma é mostrar ao cão que existem várias formas de ele conseguir atenção. Para tanto, passe a recompensá-lo em diferentes situações do dia a dia. Por exemplo, quando ele
estiver sentado em um canto, deitado na cama, roendo um osso, brincando com os brinquedos dele, indo ao banheiro
ou, simplesmente, fi cando quieto perto de você. Nesses momentos, clique(*) e premie-o com carinho, atenção ou um pedaço de petisco. Outra iniciativa é estimular o cão a adotar um objeto só dele para a prática da masturbação (pode ser um brinquedo de pelúcia,
uma almofada do tamanho dele ou, ainda, uma “cachorra de borracha” à venda em pet shops), evitando assim que tente copular com pernas e braços das pessoas. Sempre que ele utilizar o objeto, recompense-o. A terceira estrategia é reprimir qualquer tentativa
de copular com a perna ou braço de alguém ou com objetos da casa. Ao pegá-lo em fl agrante, diga “não!” de imediato e vá para outro ambiente (feche a porta, para que o cão não o siga), privando-o da sua companhia por cinco minutos. Repita quantas vezes forem necessárias. Se o fato acontecer na presença de outras pessoas, elas deverão sair da sala com você, de modo que o cão fi que sozinho.

A ajuda da castração: castrar é a maneira mais eficaz de combater a masturbação canina, por eliminar o instinto sexual (se o cão já se
masturbava quando foi castrado e continuar com o hábito depois disso, a causa provavelmente é comportamental e deverá ser corrigida pela educação). Além de não trazer prejuízo para a qualidade de vida, o bem-estar e a alegria do animal, a castração é útil na prevenção do câncer de mama e de próstata, doenças de alta incidência nos cães mais idosos, e acaba com a possibilidade da reprodução por
acasalamentos acidentais, que resultam em muitos casos de abandono.

Roubar objetos das visitas; Há cães que costumam roubar objetos das visitas, hábito que geralmente adquirem ao perceber que conquistam atenção com isso. Broncas, corridas atrás deles, pessoas em volta que riem, tudo contribui.

Exercícios práticos: para corrigir esse hábito, uma boa iniciativa é mostrar ao cão que ele pode conseguir atenção pegando os brinquedos dele. Faça sessões para ele perceber isso e, também, aprender que, com o roubo de objeto, perde a sua atenção e companhia.
Comece colocando três brinquedos no chão, distantes 40 cm um do outro. Brinque com o cão usando cada um deles por pelo menos um minuto. Em seguida, sente-se no chão e aguarde imóvel. Se o cão pegar um dos brinquedos espontaneamente, recomece a brincadeira, interagindo com ele por mais três minutos. Se, passados alguns minutos, ele não tiver demonstrado interesse pelos brinquedos, repita o
procedimento inicial, para que com novas brincadeiras o cão valorize mais os brinquedos. Quando ele tiver pegado por três vezes consecutivas um brinquedo para chamar a sua atenção, comece uma nova etapa. Sente-se no sofá ou numa cadeira, com os
brinquedos por perto, e simule estar entretido com uma revista ou com o celular. Se ele pegar um brinquedo, brinque com ele por mais três minutos. Se, porém, ele tentar roubar o que você tem nas mãos, interrompa-o. Diga “não!”, retire o objeto dele e vá para
outro ambiente, fechando a porta para que ele fi que sozinho. Passados cinco minutos, retorne e reinicie a sessão.
Repita quantas vezes forem necessárias.

Agressividade com as visitas; Alguns cães não se sentem confortáveis na presença de estranhos e se comportam de forma agressiva com eles. Um alvo comum são as
pessoas que se movimentam de forma brusca e falam alto, inclusive crianças, o que pode assustar o cão e estimular o instinto de perseguição. Demonstrar medo do cão e se movimentar muito vagarosamente também são estímulos à agressividade canina. Para tornar o cão mais equilibrado, trabalhe em três frentes:

Treine obediência: o cão que atende ao “senta”, “deita”, “fica” e “vem” torna-se mais controlado.
Reforce a socialização: mesmo não sendo preciso que o cão goste das pessoas ou que peça carinho a elas, é fundamental que não se
sinta desconfortável na presença de desconhecidos e, muito menos, que seja agressivo com eles. Esse é o objetivo da socialização com estranhos, que consiste em associar a proximidade deles a coisas boas para o cão. Quando o trabalho não foi feito preventivamente
com o filhote, poderá ser feito corretivamente com o exemplar adulto. Aproxima-se o cão das pessoas desconhecidas sempre de maneira
gradual e de forma a premiá-lo com carinho e petisco por se manter tranquilo. Essa premiação nunca deverá ocorrer no momento em que o cão estiver mostrando qualquer sinal de agressividade, pois isso reforçaria o mau comportamento e, a cada reforço, a agressividade poderá aumentar. (atenção: dar bronca em cão agressivo também reforça a agressividade);

Dessensibilize: reverta a associação negativa desenvolvida pelo cão com relação à presença de desconhecidos por motivos como um susto ou por ter ficado confinado sempre que um estranho estava na casa. Para tanto, peça para um amigo fazer o papel de visita, participando de sessões de cerca de 10 a 40 minutos, entre uma e três vezes na semana, até o cão atingir nível satisfatório
de comportamento. Então passe a praticar com outra pessoa, até o cão não manifestar mais nenhuma agressividade. O amigo será orientado a se mostrar sempre confiante e calmo. Combine o horário da vinda dele, de modo que antes de a sessão começar
você possa ter levado o cão para passear e, depois, ter confinado ele por pelo menos 10 minutos, em local próximo daquele onde a sessão acontecerá. Por exemplo, se a “visita” vai ser recebida na sala, confi ne o cão na cozinha. Faça isso de modo agradável para o animal, oferecendo algo de que ele goste muito, como um dispensador de petiscos, um osso ou um brinquedo de roer. Peça
para a “visita” entrar, se acomodar e falar em tom normal, não alto. Se o cão, ainda no outro ambiente, latir, a “visita”
continuará a conversar e você esperará até que ele pare de latir, ficando em silêncio por pelo menos trinta segundos.
Quando o animal estiver ficando quieto por esse tempo no ambiente ao lado, comece uma nova etapa. Venha
com ele, na guia, para o ambiente onde o seu amigo está e poste-se com o cão no ponto mais distante, sem tirar o seu amigo do campo visual, o qual conversará com você em tom normal e sem gesticular. Se o cão começar a latir, ignore-o e aguarde até silenciar. Enquanto ele estiver latindo, as pessoas permanecem em silêncio e sem gesticular, mesmo porque o barulho dificulta a comunicação.
Após 3 segundos de silêncio, clique e recompense. Obtidos três acertos consecutivos, aumente o tempo gradualmente. Quando o silêncio
alcançar 10 segundos, reinicie a conversa, clique e recompense.
A cada três acertos, continue a aumentar gradualmente o tempo em que o cão fica em silêncio e recompense-o sempre que ele apresentar bom comportamento, como simplesmente prestar atenção na conversa sem latir e sem tentar atacar ou olhar para os
lados, ou se sentar ou, ainda, roer um brinquedo. Quando o silêncio perdurar por dois minutos, peça para a “visita” fazer
gestos leves ou cruzar os braços ou as pernas enquanto conversa. Se o cão latir, ignore-o. Repita até o cão não latir por três segundos para o movimento e, então, clique e recompense. Quando ele não latir mais para um gesto, treine outro. Aos poucos, pratique
os vários gestos que as visitas fazem naturalmente. Passada essa etapa, peça para o seu amigo ficar em pé. Se o cão latir, ignore-o, ou, se ele permanecer em silêncio, clique e recompense. Depois, comece a ficar com o cão ao lado ao receber seu amigo e treine
também andando com a “visita” pela casa.
Em casos mais graves, quando o dono não consegue conter o cão com a guia, é recomendável que um adestrador profissional o faça.

Para quem tem cão agressivo com visitas
• Oriente quem entra na casa: para evitar que o cão se sinta ameaçado, peça para a pessoa se manter confi ante e calma, sem olhar para ele e nem se aproximar muito dele, evitando movimentos bruscos;
• Não deixe o cão solto: na presença de visitas, mantenha-o sempre com guia e coleira resistentes e bem ajustadas. Se o cão escapar, poderá morder a pessoa e a culpa nunca será dele – a responsabilidade sempre cabe ao dono do animal;
• Se necessário, recorra a profi ssional: se você tentou corrigir o comportamento do cão sem sucesso, procure ajuda de um adestrador ou
comportamentalista profissional.

André Barreto treina cães há 14 anos e é especialista em
adaptação de cães para o convívio doméstico. Tels.: (11)
2503-7333 e 5093-6244. Site: www.andrebarreto.com