Como anda a criação do Fila Brasileiro

04/11/2016 - 07:06

Conheça a opinião de especialistas sobre a situação deste molosso brasileiro que já tem fãs em muitas regiões do planeta

Cintia M M Junqueira de Barros / Canil Itanhandu

Cintia M M Junqueira de Barros / Canil Itanhandu

Poderoso e com forte instinto de proteção, o Fila Brasileiro é um dos mais prestigiados (e temidos) cães de guarda. Vindo de fazendas de Minas Gerais, onde lidava com boiadas e enfrentava predadores como onças, conquistou as cidades atuando como guardião.
Durante os anos 1977 a 1982, o Fila reinou como o cão mais registrado do Brasil, conforme dados da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). “Um pouco antes daquela época, a popularidade da raça atraiu mestiçagem com Mastins Ingleses, Mastins Napolitanos e Dogues Alemães pretos, e falsificação de pedigrees”, relata o cinófilo Francisco Peltier, do Rio de Janeiro. “Desde fevereiro de 1976, fui o primeiro a denunciar sistemática e publicamente esses crimes”, assegura. Chico, como é conhecido, tornou-se um dos idealizadores do Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro (Cafib), fundado em 1978 com foco na criação com controle rigoroso. Para conhecermos melhor a situação atual do Fila, ouvimos alguns cinófilos de renome. Harrison Pinho cria a raça desde 1985 pelo canil Singular, de Fortaleza, e é membro do Conselho Brasileiro da Raça Fila Brasileiro (CBRFB) da CBKC desde 2011. Airton Campbell, de São Paulo, criou a raça por 30 anos pelo canil Parque do Castelo, tem Filas desde 1975, foi o primeiro presidente do Cafib, é diretor do Clube desde a fundação e já julgou Filas no País e no exterior pelo Cafib.
A seguir, veja conteúdo exclusivo sobre a raça. Para ler mais, confira reportagem completa publicada na Cães & Cia 449, do mês de novembro, de 2016.  
 
1. Quais características do Fila mais atraem interessados?
Harrison Pinho: O grande destaque é a aptidão inigualável da raça para a guarda e proteção do lar, proporcionada pela aversão a estranhos, ao mesmo tempo em que o Fila manifesta amor incondicional aos donos.
Airton Campbell: A instintiva ojeriza a estranhos, com violenta reação a pessoas desconhecidas, e a incondicional meiguice e submissão ao dono são os principais atrativos.
 
2. Quais programas são seguidos para reduzir a incidência de doenças genéticas no plantel?
Harrison: Os males que afetam o Fila são aqueles típicos das raças de grande porte. Para combater a displasia coxofemoral, os bons criadores buscam só cruzar exemplares com avaliação “excelente” quanto à ausência da doença. Em menor proporção ocorrem glaucoma (aumento da pressão intraocular) e entrópio (reviramento da pálpebra para dentro do olho), problemas que foram expurgados em nosso canil por meio de acasalamentos direcionados. Para evitar torção gástrica, que é fatal se não for tratada de imediato com cirurgia, divide-se a comida do dia dos adultos em duas refeições servidas na altura dos ombros deles.
Airton: O contínuo processo de avaliação dos reprodutores, feito há quase 40 anos pelo Cafib, detecta com eficiência os defeitos mais comuns na raça, como faltas dentárias, prognatismo e falhas de temperamento e de sistema nervoso, o que contribui para o desaparecimento desses problemas com o tempo. O Cafib não exige atestado de displasia coxofemoral para acasalamentos.
 
3. Atualmente existem quantas linhagens da raça?
Harrison: As linhagens são muitas, com criações espalhadas por todo o Brasil. Como molosso, o Fila Brasileiro é de grande porte, forte, pesado e cabeçudo, características buscadas pela maioria dos canis. Mas no interior de Minas há quem trabalhe com linhagens mais leves.
Airton: Na criação Cafib, de maneira geral, o plantel é homogêneo graças à análise técnica dos reprodutores que segue os mesmos critérios de seleção e descarte para todos os exemplares.
 
4. Comente sobre a qualidade dos julgamentos da raça nas exposições.
Harrison: O advento da internet facilitou a obtenção de conhecimento sobre as particularidades do Fila Brasileiro pelos juízes, resultando em notável melhora dos julgamentos. Além disso, recentemente um dos membros do Conselho da Raça (CBRFB), Carlos Panajotides, que é também juiz e criador, concluiu um excelente estudo de 23 páginas sobre a movimentação do Fila Brasileiro, que indico a todo apaixonado pela raça (baixar em goo.gl/7oDLQP). Esse trabalho foi apresentado pelo autor em palestra com a presença de mais de 20 juízes no maior evento cinófilo do Brasil: a Exposição de Aniversário da CBKC.
Airton: Os julgamentos do Cafib são estritamente técnicos, sem se preocuparem com mostras no estilo “show,” como são adotadas nos Estados Unidos, e sem jamais avaliar a “outra ponta da guia”. No Cafib, não existem handlers nas exposições. Os Filas são apresentados pelos seus donos, todos amadores e apaixonados pela raça. Não se posicionam os cães em stay e os juízes estão acostumados com esse tipo de apresentação que valoriza somente o animal e não a sua performance em pista.
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