Conheça o verdadeiro Cão Lobo Tchecoslovaco

03/04/2017 - 08:27

Veja o temperamento correto da raça, alvo recente de polêmica na Itália onde cães híbridos com pedigrees falsos eram comercializados como sendo aptos ao convívio humano

Canil: Tobrok  Foto: Petra Rothbauerová

Canil: Tobrok Foto: Petra Rothbauerová

Raças com a aparência de lobos, ancestrais dos cães de estimação, encantam. Ter um cão des-ses em casa dá a impressão de que convivemos com verdadeiros animais selvagens. Porém, ter um Cão Lobo Tchecoslovaco em casa como pet, não é o mesmo que ter um lobo selvagem ao seu lado. Pelo menos não era para ser. 

Conforme já dito em reportagem na Cães & Cia edição 405, a Itália está entre os países que mais registram cães dessa raça e seu crescimento por lá é significativo, já que são populares. O número de registros é, inclusive, bem maior que na Eslováquia, país de origem da raça, com apenas 97 cães registrados em 2015, segundo o principal clube da raça, o Clube Eslovaco de Criadores de Cão Lobo Tchecoslovaco (http://csv.sk). Em contrapartida, nesse mesmo ano, na Itália, nasceram 1.373 Cães Lobos Tchecoslovacos. Contudo, tais números nem sempre representam algo positivo. “Mesmo havendo mais registros de ninhadas e criadores da raça na Itália e França, o pedigree da maioria dos cães vindos desses países não é reconhecido pelo país patrono da raça, a Eslováquia”, diz Paula Pandolfo, do canil Taura Berá, de Porto Alegre, que trouxe a raça para o Brasil em 2008. Ela explica que muitos criadores desses países ferem a regra que considera puros apenas aqueles animais cujos ancestrais podem ser traçados até os cães que deram origem à raça na antiga Tchecoslováquia (veja mais em “Futuro da criação”). “Assim, temos muitos animais registrados nesses países, mas poucos são verdadeiramente Cães Lobos Tchecoslovacos”, completa. “Costumo dizer que na Itália a raça é mais produzida e não criada”, reforça Petra Rothbauerová, do canil Tobrok, da Eslováquia. Além disso, outro agravante abalou a criação italiana. Em janeiro de 2017, a polícia do país revelou uma investigação que acusa nove fazendeiros italianos, principalmente da região norte do país, de realizarem cruzas de Cães Lobos Tchecoslovacos com lobos selvagens capturados ilegalmente. Pelo menos 229 pessoas compraram cães desses criadouros acreditando serem exemplares da raça Cão Lobo Tchecoslovaco e tiveram os animais confiscados. Cada cão foi vendido entre 1.500 e 5.000 euros, valor considerado exorbitante já que o preço de um filhote legítimo é no máximo 1.500 euros. Daniela Piccoli, uma das oficiais envolvidas na investigação que durou 4 anos, disse em entrevista ao site The Local que o objetivo desses criadores era obter animais com aparência mais próxima à dos lobos para impressionar juízes em competições de beleza, e mais resistentes a doenças ósseas. Contudo, também apresentavam temperamento medroso e potencialmente agressivo, o que não é típico de um cão puro da raça. 


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