Jack Russell: priorizar instinto ou aparência?

24/04/2017 - 09:45

Recente reconhecimento do Jack Russell Terrier pelo The Kennel Club no Reino Unido cria polêmica quanto à perda ou não da aptidão da raça para o trabalho. Veja os dois lados da moeda

GlobalP/iStock.com

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Divertido e intenso, especialista em expulsar raposas e coelhos das tocas, além de bom rateiro, o Jack Russell foi originalmente desenvolvido no Reino Unido, no início do século 19. Mas, tornou-se mundialmente conhecido em uma versão australiana, de pernas mais curtas e com outras diferenças menores em comparação com o que era praticado no país de origem. Como pôde acontecer isso?

Desde a sua fundação em 1974, o clube britânico da raça, o Jack Russell Terrier Club of Great Britain (JRTCGB), sempre defendeu a criação com prioridade para as qualidades instintivas da raça. A padronização física do plantel, típica da grande cinofilia, é considerada prejudicial pelo clube à capacidade de trabalho da raça. Por isso, o JRTCGB nunca pediu o reconhecimento do Jack Russell à principal organização cinófila de seu país, o The Kennel Club (TKC). O próprio JRTCGB emite registros da raça e organiza exposições especializadas.

Por outro lado, a Austrália oficializou rapidamente esse terrier. Em 1960 começou a importá-lo do Reino Unido e 12 anos depois era fundado o Jack Russell Terrier Club of Australia. Em 1990, a raça foi reconhecida pela entidade máxima da cinofilia local, o Australian National Kennel Council (ANKC). Desenvolvida a partir de Jack Russells heterogêneos, a versão australiana tinha as pernas mais curtas do que aquela preconizada pelo padrão do JRTCGB.

O Jack Russell “australiano” ganhou dimensão mundial a partir de 2000 quando obteve reconhecimento provisório pela Federação Cinológica Internacional (FCI) a pedido de sua filiada, a ANKC. O padrão adotado mundialmente pela FCI reforçou o conceito de cão de pernas relativamente curtas praticado pela ANKC, ao definir que ele é “mais comprido que alto, isto é retangular”. A FCI também introduziu no padrão o uso da raça como pet, com os termos “Excelente cão de companhia”, sem deixar de mencionar seus dotes para o trabalho. Em 2003, o reconhecimento definitivo pela FCI abriu as portas para o Jack Russell “australiano” ser criado de uma vez por todas nos 92 países membros.

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