Cães farejadores de câncer

02/12/2019 - 13:58

Veja o que se sabe sobre a eficiência dos animais para a detecção da doença e conheça cães brasileiros treinados para a função

Coach, Border Collie brasileira treinada nos Estados Unidos para detecção de câncer torácico em amostras de saliva human

Coach, Border Collie brasileira treinada nos Estados Unidos para detecção de câncer torácico em amostras de saliva human

Já pensou em ter como aliado o melhor amigo do Homem na luta contra o câncer? Essa ideia pode não estar tão longe assim da realidade. Segundo estudo publicado em junho pelo periódico americano The Journal of the American Osteopathic Association, três Beagles treinados mostraram com sucesso que são capazes de identificar o câncer de pulmão pelo cheiro, um primeiro passo na identificação de biomarcadores específicos para a doença. A pesquisa é liderada por Thomas Quinn, professor do Lake Erie College of Osteopathic Medicine, e a expectativa é que as habilidades dos cães possam levar ao desenvolvimento de meios eficazes, seguros e baratos para o rastreamento do câncer em massa.

Após oito semanas de treinamento, os Beagles – uma das raças que possuem o melhor olfato – foram capazes de distinguir entre amostras de soro sanguíneo coletadas de pacientes com câncer de pulmão maligno e controles saudáveis com 97% de precisão. Para os testes, os cães foram conduzidos para uma sala com amostras de pacientes com câncer de pulmão e de controles saudáveis. Depois de cheirar cuidadosamente uma amostra, os cães se sentavam para indicar uma descoberta positiva para o câncer ou seguiam em frente se nada havia sido detectado.

Trabalho semelhante tem sido realizado pela americana Dina Zaphiris, da Fundação In Situ (Califórnia, Estados Unidos), que treina cães há mais de 23 anos e já ensinou mais de 50 cachorros a detectar câncer, com a parceria de renomados centros de pesquisa como o da Universidade Duke e o da Universidade da Califórnia, em Davis. Com a Universidade Duke, Dina está colaborando com um estudo sobre o câncer de mama a partir do treinamento de três cães para distinguir o câncer de tumores de mama benignos no plasma sanguíneo. Já com a Universidade da Califórnia, uma equipe de cães está sendo treinada para detectar o câncer torácico em amostras de saliva humana. Um dos cães que conheceu de perto o protocolo de Dina é a Border Collie Coach, de 5 anos, do treinador brasileiro Glauco Lima. As habilidades da peluda e a capacidade de aprendizado rápido chamaram a atenção da americana que acabou convidando a dupla para participar dos testes da Fundação In Situ em maio deste ano. “No Brasil não temos nenhum estudo nesse nível avançado e que tenha um protocolo tão efetivo para treinamento de cães para a detecção de câncer. Por isso levei a Coach para ter contato com as amostras nos Estados Unidos e finalizar o treinamento dela como cão farejador de câncer”, conta Glauco que já treinava a peluda para a detecção de cédulas de dinheiro no Brasil. “Por aqui ainda há uma grande resistência em reconhecer que o cão é sim uma ferramenta eficiente para a prevenção do câncer”, continua o adestrador.

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