Especial – atividades divertidas

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): Jornalismo Cães & Cia | Colaborador(es): Jornalismo Editora Top.Co | Cidade: Campinas - SP | 27/01/2015 - 09:20

Fortes emoções: é com agility

Imagem meramente ilustrativa Foto: Divulgação

Imagem meramente ilustrativa Foto: Divulgação

"Os cães, assim como os seres humanos, precisam de exercício para manter a boa forma física, ser saudáveis e, ainda de quebra, ficar de bem com a vida”. Essa frase do veterinário e treinador de agility mais conhecido do Brasil, Dan Wroblewski, é um dos mantras da atualidade. Mas como proporcionar ao cão (e ao dono) um exercício o mais divertido possível? A partir desta edição vamos trazer uma série sobre atividades que divertem e contribuem para o bem-estar e a saúde dos cães

 

Uma dupla em perfeita sintonia. É como cão e dono se sentem na prática do agility. O desafio é o cão transpor diversos obstáculos que exigem diferentes habilidades, no menor tempo possível e numa sequência que sempre muda – ele só fica sabendo qual é o obstáculo seguindo ao passar pelo anterior. “Depois de algum tempo de prática, um simples olhar do dono pode bastar para o cão compreender o que deve fazer”, conta Betina Correia, que há 14 anos treina duplas de cães e donos na Academia Brasileira de Formação em Agility (Abrafa), em São Paulo.

O dono se exercita e se diverte também. “É comum o parceiro humano correr o percurso de agility na frente do cão sinalizando o caminho a seguir”, exemplifica Betina. “Há clientes que consideram essa prática a melhor atividade do dia e não gostam de perder um treino sequer, mesmo com chuva.”

 

Benefícios físicos

Bastam duas sessões de agility por semana para proporcionar ao cão um bom condicionamento cardiorrespiratório (veja “Como treinar”). “Com a prática do agility, o cão consegue a mesma excelente condição cardiorrespiratória que obteria com caminhadas diárias de 40 minutos em ritmo acelerado, além de trabalhar o físico e o equilíbrio comportamental de maneira bem mais completa”, compara a médica-veterinária especialista em fisioterapia de pequenos animais e também praticante de agility com seus cães, Mônica Veras. Isso significa que treinar mais de duas vezes por semana não melhorará ainda mais a saúde cardiorrespiratória do cão. “Uma eventual terceira sessão semanal servirá principalmente para um maior desenvolvimento da musculatura, principalmente do abdômen, dos membros anteriores e dos membros posteriores (quadríceps, glúteo, supraespinhoso, infraespinhoso e intercostal)”, explica Mônica. Äliás, três treinos de agility são o limite máximo semanal – mais que isso pode sobrecarregar as articulações do cão e causar lesões.”

Quem só pratica agility uma vez por semana também faz bom negócio.  “Bastam mais duas caminhadas semanais de 40 minutos, em ritmo acelerado, para completar o bom condicionamento cardiorrespiratório”, opina a veterinária.

 

Benefícios comportamentais

O aumento da cumplicidade e da confiança entre o cão e seu dono é uma característica do agility. “A prática ocorre em ambiente de festa, no qual o dono estimula o cão com palavras de incentivo, lhe dá confiança para não ter medo de passar pelos obstáculos e o premia quando acerta”, resume Wroblewski, treinador, praticante de agility desde 1993 e proprietário da escola de agility Dog World, em Cotia, SP. Ele explica que não há punições e a vontade do cão é respeitada. O animal não é forçado a vencer o obstáculo que refuga em determinado momento e nem a prosseguir se dá sinais de cansaço ou de querer parar. “Dessa forma, o cão passa a confiar no dono e a obedecer de bom grade aos comandos dele”, concorda Betina.

O agility também influi positivamente para o bom comportamento em casa, pelo alto consumo de energia pelos estímulos mentais que proporciona. “A concentração necessária para entender, em plena corrida, qual obstáculo vencer em seguida e para passar por ele corretamente é desafiadora, com estímulos mais intensos que os típicos das caminhadas”, ressalta Mônica. Além disso, nos treinos, o cão aprende a se comportar com outros cães e pessoas.

“Uma boa maneira de experimentar o agility é assistir a um aprova ou match desse esporte e, num intervalo, testar alguns obstáculos conduzindo um cão treinado”, sugere Henrique Garcia, Coordenador Nacional de Agility da Comissão Brasileira de Agility (CBA), da Confederação Brasileira de Cinofilia. “É normal que, nos intervalos dos eventos, quando não há atrasos, convidemos os interessados a participar desse tipo de experiência.”

 

Quem pode praticar

Quase todos os cães estão habilitados a se beneficiar do agility. Aqueles que gostam muito de seguir o dono e de brincar, facilmente atraídos por brinquedos e petiscos, adoram o agility desde o início. E mesmo os que não têm esse perfil podem revela-lo. “Existem cães que nas primeiras aulas correm para a porta de saída sempre que conseguem, mas depois de algum tempo passam a praticar o esporte com alegria”, relata Betina. A prática do agility pode ser aprendida pelos cães a partir de filhotes, dos 4 meses em diante, inclusive quando adultos.

Cães muito grandes e pesados ou muito baixos: raças gigantes como o Dogue Alemão, o São Bernardo, o Kuvasz e o Bioadeiro Bernês e cães com sobrepeso, mesmo sem estar obesos, podem ter problemas precoces de articulação causados por impactos excessivos. “Em vez de fazê-los saltar a altura padrão de 60 cm, o ideal é que saltem entre 40 e 45 cm de altura”, explica Mônica. Já para cães muito baixos, a recomendação é limitar a altura dos saltos à do carpo (punho) do cão. Nos Estados Unidos, uma associação que organiza competições apenas para cães com até 43 cm, chamada Teacup Dogs Agility Association, estabelece saltos de 10 cm para cães com até 20 cm de altura, por exemplo. “Desaconselho também a utilização da rampa ‘A’ tanto para cães muito grandes quanto para muito pequenos, pelo nível de exigência das articulações, bem como sugiro baixar para ambos a altura da passarela de 1,20 m (altura oficial) para 50 cm”, observa a veterinária.

Cães com problemas articulares ou ósseos: a orientação médica é fundamental nesses casos. “O agility pode ser treinado somente para fortalecimento, com corridas leves e impactos reduzidos”, comenta Mônica.

 

 

 

 

Quem não deve praticar

Cães com pernas muito curtas e coluna alongada: “Dachshunds, Basset Hounds, Welsh Corgis e Scottish Terriers, entre outros, podem sofrer problemas de coluna em obstáculos como os de salto, a rampa ‘A’, a gangorra, o slalom e as trocas de direção bruscas nas curvas”, diz Mônica. “Eles teriam que passar antes por um programa de fortalecimento muscular intenso, com exercícios abdominais diários por cerca de um ano e meio.”

Cães muito obesos: “Por ser um exercício de explosão, os cães muito acima do peso podem passar mal e sofrer sérios problemas de articulações”, comenta Mônica. A orientação é que percam peso antes de começar no agility, o que pode ser obtido com adequação alimentar e um programa de atividades físicas mais leves, à base de caminhadas, por exemplo, e hidroesteira, exercício realizado com menor impacto e mais força.

 

Rotinas preventivas

Para todo cão atleta, é recomentado:

Vacinas em dia e vermifugação trimestral: proteção importante pela multiplicação de contatos com outros cães.

Exame de Raios X para verificar isenção de displasia: a partir de dois anos de idade, quando há predisposição da raça ou histórico familiar.

Check-up anual: a partir dos cinco anos de idade (eletrocardiograma, hemograma, análise da função renal, dosagem de sódio e potássio).

 

Escolha do treinador

“As provas de agility são um bom lugar pra avaliar os estilos dos treinadores e conversar com eles”, orienta Garcia. A qualificação desse profissional é de grande importância, pois depende dele calibrar o esforço realizado pelo cão para vencer os diversos desafios. “São 13 modalidades, considerando os saltos duplos, os combinados e os obstáculos individuais”, informa Garcia, referindo-se ao regulamento oficial.

Um treinador não qualificado pode causar lesões nos cães se os sobrecarregar nos saltos ou se forçar determinadas articulações. “Pode também provocar problemas de comportamento se utilizar técnicas agressivas para obter resultados, como dar tapas na lateral do corpo dos cães para estimulá-los a correr e saltar”, adverte Betina.

 

Escolha do loca

Academia: observe  cães praticando, converse com os donos desses cães, faça aula-teste gratuita para avaliar o treinador e verifique a limpeza das instalações. A presença de um veterinário responsável, que indique exercícios mais adequados para cada cão, é um bom diferencial.

Parque, praça ou condomínio: um grupo de proprietários de cães se reúne, compra alguns obstáculos, procura um profissional capacitado e se organiza para treinar (a administração do local deve autorizar). Para recreação, é suficiente uma área livre de, no mínimo, 200 metros quadrados. “com esse espaço dá pra começar com obstáculos menores que os oficiais – sugiro quatro de salto, um túnel e uma passarela”, diz Betina. O piso não deve ser de cimento, para não machucar a almofada das patas (areia ou grama, natural ou sintética, são materiais adequados).

 

Antes de treinar

“Para o cão poder começar no agility é importante que obedeça  ao ‘fica’ – ele precisa saber aguardar até recever ordem de partida nos treinos”, diz Garcia. “Durante a prática dos exercícios, outros comandos irão sendo aprendidos de forma natural.”Ele acrescenta que o ‘fica’ será útil também em estágio mais avançado, quando o cão precisar apender a pisar nas zonas de contato.

Betina orienta os alunos da Abrafa a cursar obediência básica por dois meses antes de começarem os treinos de agility. “Quando o cão aprende comandos de obediência, o dono inexperiente ganha melhor condição de liderar a dupla”, observa. “São três aulas semanais de 45 minutos cada uma, as quais já podem ser iniciadas quando o filhote tiver 4 meses e vacinação completa.”

 

Como treinar

Assim como acontece com os cursos em geral, a metodologia do ensino de agility varia conforme a academia ou a escola. Os treinos aqui expostos são formulados por Betina Correia, da Abrafa, que estima já ter atendido cerca de mil alunos, em 14 anos – aproximadamente 30% deles competiram em provas oficiais da CBA. Seu curso demora de 6 a 12 meses, dependendo da resposta do cão, considerando-se duas aulas de aproximadamente uma hora por semana. Na aula típica há cerca de cinco minutos de aquecimento (dois minutos de alongamentos e três de pegar bolinha). Em seguida, o cão entra na pista, treina por 10 minutos e descansa por mais 10 minutos. Outros dois treinos de 10 minutos são realizados, com outro intervalo de 10 minutos entre eles.

 

Aquecimento

Feito antes de entrar em pista, serve para prevenir lesões nas articulações e distensões musculares. Cada exercício é praticado uma vez.

Patas: as duas patas dianteiras do cão são levantadas com delicadeza. Ele é mantido apoiado nas patas traseiras por 10 segundos. O mesmo é feito com as patas traseiras.

Pescoço: na frente do cão, movimente um petisco ou uma bolinha ou brinquedo do qual ele goste muito, de modo que o cão vire a cabeça para a direita e para esquerda umas cinco vezes. Depois balance o brinquedo para cima e para baixo, também umas 5 vezes.
Pegar bolinhas: arremesse a bolinha umas dez vezes para o cão pegar.

 

Salto

É o primeiro obstáculo a ser treinado, inicialmente com vara de salto encostada no chão. Vá até a frente do obstáculo com o cão e comande “fica”. Corra até o outro lado do obstáculo, pela lateral esquerda, dizendo “pula” e “aqui”. Pare na frente do obstáculo, de frente para o cão, e mostre para ele um petisco ou brinquedo do qual goste muito e incentive-o a vir, repetindo “pula” e “aqui”. Assim que o cão chegar tendo passado por cima da vara, entregue o prêmio. Repita o treino, mas agora correndo pela lateral direita. Treine as duas sequências até o cão fazê-las logo no primeiro comando e sem dar a volta por fora. Ofereça sempre o prêmio no final.

Quando o cão dominar o exercício, acrescente um segundo obstáculo de salto na sequência. O ponto de partida continua a ser a frente do primeiro obstáculo. Corra pela lateral esquerda comandando “pula” e “aqui” e vá até depois do segundo obstáculo. Chame o cão. Repita correndo ela lateral direita. Quando ele fizer corretamente o exercício, passe a aumentar a altura das varas.

Treine agora com as varas dos dois obstáculos a 5 cm do chão. Sempre que o cão dominar o exercício sem dar a volta por fora, aumente a altura mais 5 cm. Faça isso até as varas ficarem na altura do cotovelo do cão, se ele tiver entre 6 e 14 meses de idade, ou na altura oficial, se a idade for maior. As alturas oficiais são de 25 a 35 cm para a categoria Mini (menos de 35 cm de altura na cernelha), de 35 a 45 cm para a categoria Midi (35 cm a 43 cm) e 55 a 65 cm para a categoria Standard (43 cm ou mais).

Pré-requisito: o cão obedecer ao comando “fica” e estar com a vacinação tomada.

Demora deste treino: cerca de três aulas.

 

Passar pelo túnel reto

Posiciona-se o túnel depois do segundo obstáculo de salto. O ponto de partida continua sendo a frente do primeiro obstáculo de salto. Comande “fica”. Vá correndo pela lateral dos obstáculos dizendo “pula”,  “passa” e  “aqui” até a saída do túnel e pare de modo a permanecer visível para  o cão. Mostre um petisco ou brinquedo de que ele goste muito e treinem até ele vencer os três obstáculos sem dar a volta por fora. Alcançada essa etapa, o treino passa a incluir um terceiro obstáculo de salto depois do túnel. A ideia é reforçar o conceito de circuito na mente do cão.

Pré-requisito: o cão saltar dois obstáculos seguidos, em linha reta, sem dar a volta por fora.

Demora deste treino: cerca de quatro aulas.

 

Atravessar o pneu

Esse obstáculo pode ser incluído depois do terceiro obstáculo de salto, no circuito do túnel. O treino é parecido com o de salto. Nas primeiras tentativas, o pneu fica encostado no chão e a altura e aumentada progressivamente a cada 5 cm, até alcançar a altura adequada para o cão, que não sobrecarregue. Pelo regulamento, o centro do pneu fica a 80 cm de altura máxima do solo na categoria Standard e de 55 cm nas categorias Midi e Mini.

Pré-requisito: o cão ter, no mínimo, 6 meses.

Demora deste treino: cerca de seis aulas.

 

Passar pelo túnel curvo

O treino começa com o cão sendo ensinado a fazer curvas fechadas para a direita e para a esquerda. Faça o cão saltar um obstáculo. Corra até o lado de onde ele partiu, comandando “aqui” e “pula”, para ele pular o obstáculo de volta. Faça isso repetidamente, de modo que o cão salte de um lado para o outro do mesmo obstáculo por cerca de 10 vezes, repetindo um movimento semelhante a um “oito”. Quando ele dominar a execução, monte o túnel em forma de “L”. Fique na frente do túnel com o cão. Comande “fica” e corra pela lateral até o final do túnel, de modo que o cão não perca contato visual com você. Chame “aqui” e mostre o prêmio. Se ele atravessar o túnel, ótimo. O mais provável é que ele refugue, por não ver o final do túnel. Tente mais algumas vezes. Se não der certo, ponha o cão dentro do túnel de onde ele possa ver a saída, e comande “fica”. Poste-se no lado externo da saída e chame “aqui”, mostrando o prêmio. Depois de o cão perder o medo, faça o treino completo, com ele começando na frente da entrada do túnel e saindo do outro lado. Quando o cão fizer a travessia completa, aumente a curva para ficar em “U”. Depois de o cão fazer mais essa travessia com sucesso, treine um novo circuito contendo um obstáculo de salto, o túnel em “U” e outro obstáculo de salto.

Pré-requisito: o cão ter no mínimo, 6 meses e saber passar pelo túnel reto.

Demora deste treino: cerca de oito aulas.

 

Passarela, rampa “A” e gangorra

A passarela e a rampa “A” podem ser treinadas durante as mesmas aulas. Já o treino da gangorra fica para a fase seguinte, em aulas exclusivas, por ser mais difícil (em geral, o cão se assusta quando a gangorra desce de repente). Cada um desses obstáculos tem duas zonas de contato obrigatório – o cão deve encostar as patas no piso imediatamente antes de pisar no obstáculo e imediatamente antes de pisar no obstáculo e imediatamente depois de sair dele (não pode pular).

Para treinar, fique postado em frente ao obstáculo e comande “fica”. Corra lateralmente ao obstáculo, chamando “vai, vai, vai”, até posicionar-se no final dele, onde um petisco espera pelo cão na segunda zona de contato. Quando o cão chegar lá, comande “pega, pega, pega” para estimulá-lo a dar uma paradinha na zona de contato, e, com isso, condicioná-lo a pisar nela. Em seguida, chame “aqui”. Se ele não estiver pondo a pata na zona de contato do início da passarela, passe também a colocar um petisco naquele local e a comandar “pega, pega, pega”.

Pré-requisito: o cão ter a ossatura completamente formada.

Demora deste treino: cerca de 20 aulas para a passarela e rampa “A” e cerca de 10 aulas para a gangorra.

 

Cães de competição

Cães de raças variadas e até sem raça definida têm conseguindo bons resultados em competições e agility. Entre eles estão: o Labrador, o Golden Retriever, o Poodle, o Beagle, o Cocker e o Yorkshire. Mas o maior destaque é de raças originalmente de pastoreio, entre elas o Border Collie, nas categorias Standard e Midi, seguido pelo Pastor de Shetland, nas categorias Midi e Mini. Na categoria Standard, Pastores Malinois têm tido sucesso e também Pastores Alemães. “Os cães de pastoreiro possuem forte instinto de trabalho e são especialmente atentos a qualquer movimento do dono, com destaque para os que têm físico leve para o tamanho, fator de rapidez e agilidade”, enumera Betina.

Isso não significa necessariamente facilidade para treinar. “O Border, por exemplo, costuma andar na fretne do dono, afasta-se e voltar, quando no agility se deseja o contrário, ou seja, que ele siga o rumo indicado pelo parceiro humano”, avalia Betina. Detalhes como esses tornam necessário um trabalho de obediência mais firme nos primeiros treinos. “Em compensação, quando o cão aprende é lindo ver a facilidade com que é conduzido à distância – há até quem consiga orientá-lo a partir do centro da pista, apenas com gestos e comandos de voz, sem precisar correr na frente”, diz Betina.

 

 

Comissão Brasileira de Agility (CBA)

Diversas informações relacionadas com a prática do agility podem ser encontradas no site desta entidade oficial de agility no Brasil, filiada à Confederação Brasileira de Cinofilia (www.agilitybr.com.br):

-Endereços de escolas: existem nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, estando 80% das escolas em São Paulo. Entre dez academias consultadas (SP, RJ, MG, PE, RS e PR), o valos mensal para três aulas semanais variou de R$ 170 (SP) a R$ 380 (RS);

-Endereços de fabricantes de obstáculos: Betina Correia lembra que os obstáculos podem ser encomendados com fabricantes, já acostumados aos obstáculos oficiais e de outros tamanhos, adaptados a ambientes diferenciados. Quem preferir contratar um marceneiro ou serralheiro para fazer os obstáculos, encontra as medidas oficiais em www.tudodecao.com.br/obstaculos-de-agility/oficiais.html;

-Regulamento do Agility: contém dados como as categorias conforme os tamanhos dos cães e a altura dos obstáculos;

-Calendário de provas: com datas e endereços dos próximos eventos de agility.

 

Slalom

Este é o treino mais difícil e demorado. Com o petisco ou brinquedo na mão, faça o cão passar entre as hastes verticais em ziguezague. Para ajuda-lo a entender, podem ser usados anteparos (veja foto), os quais são retirados logo que o conceito do ziguezague tiver sido compreendido.
Pré-requisito: ter aprendido os demais obstáculos.

Demora deste treino: cerca de 25 aulas.

 

Alimentação, petiscos, água

É suficiente dar o cão praticante de agility uma ração de boa qualidade, na quantidade indicada na embalagem. “Essa quantidade é calculada para cães ativos, caso dos praticantes de agility – deve, portanto, ser diminuída no caso de cães menos ativos, para evitar sobrepeso”, explica Mônica. “É melhor que a raçao seja também de alta digestibilidade, para produzir fezes menores e atrapalhar menos se o cão defecar na pista”, lembra Betina, que recomenda dar uma voltinha com o animal antes de entrar em pista, para evitar esse tipo de acidente.

Nos dias de treino Mônica aconselha alimentar o cão duas horas antes de entrar em pista, com a metade da porção normal e completa-la ao voltar para casa. “Isso evita a torção gástrica e permite ao cão treinar com energia e com a digestão feita”, explica a veterinária. “Outra vantagem é que o cão não entrará saciado em pista, o que aumenta o interesse por petiscos.”

É normal consumir cerca de 20 pedaços de petisco em cada treinamento. “Como os petiscos industrializados costumam ter sódio e corantes, recomendo deixar de dá-los fora dos treinos para não sobrecarregar os rins do cão”, orienta Mônica. Ela explica que o petisco com menos quantidade desses ingredientes é a salsicha de frango. “Mas a melhor opção é dar pedacinhos de carne crua: acabou o treinamento, joga-se fora a sobra para evitar que seja ingerida deteriorada”, recomenda ela.

Quanto à água, pode ser oferecida à vontade durante os intervalos (não se deve dar bebidas como Gatorade, pois os cães não perdem eletrólitos na transpiração).

A suplementação nutricional fica reservada exclusivamente para cães de competição. “O objetivo é aumentar a oxigenação dos músculos para deixar o cão mais rápido, mas a prescrição deve ser feita por veterinário a partir da avaliação do cão e dos treinos que ele pratica”, diz Mônica.

 

Riscos do agility

Como atividade física de explosão, o agility oferece riscos de lesões por excesso de esforços repetitivos quanto de contusões musculares, principalmente quando se tenta superar limites. Esses riscos são bem maiores nos cães atletas (como acontece no futebol) ou quando o instrutor não é cuidadoso ao estabelecer limites. Por um lado, há cães com 10 ou mais anos competindo, e por outro, existem os que têm a vida profissional interrompida ao redor dos 5 anos por apresentarem problemas articulares.

Os cuidados preventivos incluem fazer aquecimento antes de entrar em pista, não treinar mais de três vezes por semana e não repetir em excesso um mesmo exercício. Quando o cão erra por muitas vezes um obstáculo, não se deve repetir excessivamente. “Se, passado um minuto, o cão não conseguiu ultrapassar o obstáculo, tente outro exercício e depois volte para aquele”, orienta Mônica.

Para ela, que já atendeu a mais de 100 cães praticantes de agility, um dos obstáculos que mais causam lesões é a rampa “A”. “Por ser íngreme, exige muito esforço dos ombros e do pescoço”, diz. “Uma causa de problemas de coluna é o slalom, se o cão passar as varetas com apenas uma pata em vez de com as duas”, avisa a veterinária. A altura dos saltos deve respeitar a altura do cão estipulada no regulamento oficial ou, antes dos 14 meses, ser limitado à altura dos cotovelos dele.

 

Contatos

Dog World: www.parquecanino.com.br, tel.:(11) 4243-1054, Cotia, SP;

Abrafa: e-mail: agilityabrafa@terra.com.br, tel (11) 9800-7476, São Paulo, SP;

Mônica Veras: www.petplus.vet.br, tel (11) 3746-0117, São Paulo, SP.