Treinando o cão para obedecer sem guia

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): André Barreto | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 06/02/2017 - 09:08

Soltar o cão da guia em um parque para que possa correr e brincar livremente é o sonho de consumo de muitos proprietários de cães. Saiba como fazer isso com segurança

Brincar livremente no parque: ótimo para o cão, mas é preciso conseguir controlá-lo à distância (Big City Little Blog)

Brincar livremente no parque: ótimo para o cão, mas é preciso conseguir controlá-lo à distância (Big City Little Blog)

Antes de soltar o cão em ambiente público, é importante que ele aprenda a vir até você assim que for chamado e que você esteja a par de algumas regras para aumentar a segurança dele e não perturbar a comunidade.
 

Vir até você no primeiro chamado

Em sessões de 20 a 40 minutos, de preferência diárias ou, pelo menos, três vezes por semana, pratique o seguinte exercício em local público, inicialmente com poucas distrações.

Coloque uma corda de algodão com 5 a 10 metros de comprimento ou uma guia longa atrelada à coleira ou peitoral do cão. O acessório deve ser o mais leve e macio possível e, ao mesmo tempo, ter resistência para conter o cão caso ele tente fugir. 

Brinque com o cão e anime-o a explorar o local, com a corda sempre frouxa. Para tanto, acompanhe-o de modo que ele consiga se movimentar à vontade, como se estivesse solto. 

Aquecimento Se o cão vier até você espontaneamente, segure-o pela coleira por três segundos. Clique(*) e recompense-o com o petisco ou brinquedo favorito dele. Em seguida, deixe-o voltar para o que fazia antes. Se ele vier de novo até você, repita a premiação. Faça isso por até três vezes. Trata-se de um aquecimento que, se der certo, facilitará a etapa seguinte. Passados cinco minutos, se o cão não tiver vindo espontaneamente até você, vá direto para a próxima parte.

Chamado Com o cão mantido na guia ou corda, faça-o explorar o local. Quando ele estiver distante cerca de dois metros de você, olhando ao redor (baixo nível de distração), diga o nome dele seguido pela dica “vem” (por exemplo: “Rex vem!”) e faça o gesto correspondente. Se ele vier na sua direção, segure a coleira dele, clique, recompense e libere-o para voltar a explorar o local. Caso ele não atenda, significa que o nível de distração está alto demais para essa etapa. Tente mais tarde, em local mais calmo e começando a partir de menor distância. Após cada cinco minutos de treino, aumente a distância gradualmente de acordo com os acertos. A etapa estará completa quando o cão atender regularmente ao primeiro chamado estando na maior distância que a guia permite. 

Aumento das distraÁıes Depois de ter sido atendido por três vezes ao chamado feito com o cão olhando ao redor, aumente gradativamente o nível da distração, diminuindo a distância para facilitar o acerto e então passe a aumentá-la de acordo com o sucesso. Por exemplo, chame o cão enquanto estiver farejando o chão. Depois de três acertos, chame-o enquanto ele estiver observando outros cães. Depois, quando estiver interagindo com pessoas ou com cães.

Conclus„o do treino Só acontecerá se o cão atender 100% das vezes em que for chamado, mesmo com alto nível de distração e estando distante. Isso não quer dizer que ele virá sempre com presteza quando estiver solto no parque, mas já é um excelente indicativo. Geralmente, com duas a seis semanas de treino os cães alcançam esse estágio.

Senta, deita e fica O “vem” é o principal exercício a ser treinado pelo cão que brinca sem guia. Mas o “senta”, o “deita” e o “fica” treinados com ele solto são importantes complementos para aumentar a segurança do animal. 


Conduzido por André Barreto, cão explora livremente com guia longa frouxa: a intenção é simular que está solto (Arquivo André Barreto)

 

DICAS GERAIS

Não repita chamados: se o cão não atender logo que for chamado, a cada novo chamado se sentirá recompensado por continuar solto, o que equivale a ensiná-lo a continuar não atendendo;

Associe vir com algo agradável: só diga o nome do seu cão seguido pela dica verbal “vem” se, quando ele atender, obterá algo do agrado dele. Nunca utilize o “vem” para chamá-lo para algo desagradável. Se ele não gosta de banho, de medicamento ou de cortar as unhas, nessas ocasiões simplesmente aproxime-se dele sem nada dizer e execute a ação, procurando incomodá-lo o mínimo possível; 

Depois de prender o cão, proporcione algo agradável para ele: chamar o cão que brinca no parque para colocar a guia nele e ir embora pode criar associação negativa. O melhor é, depois de colocada a guia, clicar, recompensá-lo e brincar um pouco com ele no parque;

Se o cão não estiver ouvindo os chamados, use um apito: em ambientes como parques, por causa da distância ou do barulho, acontece de o cão não conseguir ouvir o chamado do dono. Uma ótima escolha para substituir o chamado vocal é fazê-lo com apito comum ou de ultra-sons (o som quase imperceptível ao ouvido humano pode ser ouvido pelos cães a quilômetros de distância); 

Nunca chame o cão para dar bronca nele: se isso acontecer, ele vai querer distância de você ao ser chamado;

Passeie diariamente com o cão: quanto menos frequentes os passeios, mais difícil será ensinar o cão a obedecer nas áreas externas;

Não ponha enforcador no cão que usa guia longa: tanto o enforcador quanto a coleira tipo cabresto (headcollar) e o peitoral antitração (easy walk) podem causar lesões ao cão em caso de a guia longa ou corda ser puxada bruscamente;

Nunca solte o cão em área pública não cercada: por mais obediente que o cão seja, uma única desobediência poderá custar a vida dele ou causar traumas, má reputação na comunidade e até multa;

Não solte o cão em local proibido: antes de soltá-lo, verifique se isso é permitido no local;

Respeite as normas de cidadania: não se esqueça de recolher a sujeira causada pelo cão e de seguir as leis e regras do seu município (consulte-as antes de começar os treinos);

Cuide do bem-estar do cão: leve água para ele tomar;

Cuidado ao manusear a guia ou corda: ao tentar interromper uma tentativa de fuga, nunca puxe a guia longa ou corda – o tranco no pescoço pode machucar o cão. Outro risco é a guia ou corda “queimar” a sua mão. Para parar o cão, acompanhe-o na direção para onde ele vai e reduza gradualmente a velocidade até contê-lo;

 

Identifique o cão: placa de identificação presa na coleira, contendo os telefones de contato do proprietário, é essencial.
 

André Barreto treina cães há 14 anos e é especialista em adaptação de cães para o convívio doméstico. Tels.: (11) 2503-7333 e 5093-6244. Site: www.andrebarreto.com