Acabe com as reclamações dos vizinhos com medidas simples

Categoria: Na íntegra

Autor(a): André Barreto | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 08/03/2017 - 16:14

Cães são comumente alvos de insatisfações da vizinhança, seja pelos latidos excessivos, xixi no lugar errado ou por pequenas atitudes do próprio dono que podem ser evitadas com algumas regrinhas básicas de convivência. Conheça quais são elas

Scampering Scotties / Flickr

Scampering Scotties / Flickr

Grande parte dos administradores de prédios e condomínios aponta os cachorros como um dos principais motivadores de reclamações e até de brigas entre vizinhos. Porém, a grande verdade é que, na maioria dos casos, trata-se apenas de provocação. Ou seja, um vizinho reclama do barulho da festa e como retaliação o outro reclama do barulho do cão. Na maioria dos casos, o bom senso poderia prevalecer, mas não é o que ocorre. Saiba agora como evitar atritos desnecessários com a vizinhança.

Nas casas

Quem pensa que morar em casa é a solução para se livrar das reclamações de vizinhos se engana. Elas podem vir a qualquer momento
 

Latidos: a maior fonte de reclamações
 
Se o cão tiver acesso direto ao portão da frente, pode latir para tudo que se move e passa diante dele. Por isso, uma ótima ideia é mantê-lo dentro de casa. Outra opção é vedar o portão ou não permitir acesso à parte frontal da propriedade. Há também caso de filhotes que choram muito quando recém-chegados.
 

Wayne e Patricia Primeau
Campeão de reclamações: latidos de cão que ficou sozinho

 
Agressividade: risco de mordidas e de fugas

Cães que ficam soltos com acesso ao portão passam a proteger a casa. Latem e até mesmo tentam morder quem passa ou se aproxima. Prestadores de serviços, como medidores de água e luz, carteiros e entregadores, podem ser vítimas de mordidas ao tentar tocar a campainha. Além disso, o cão agressivo pode desenvolver a habilidade de fugir, escalando ou abrindo o portão para pegar o “invasor”. Portanto, manter o cão dentro de casa ou no quintal dos fundos é a melhor opção, inclusive para proteger o animal de possíveis vinganças, como envenenamento.


Em prédios e condomínios
Quanto mais próximo o vizinho, maior é a possibilidade de o seu cão incomodar alguém. Portanto, para dividir áreas comuns e até paredes, todo cuidado é pouco


Latidos: de novo a principal reclamação
Latir é algo natural e saudável para o cão. Assim, latidos por barulhos diversos, desde o toque da campainha até outros latidos, são bem comuns e não devem ser repreendidos. Mas, quando ocorrem em excesso ou em horários inoportunos, precisam ser controlados por meio de treinamento. Na maioria dos casos, a motivação da vocalização excessiva é a falta de atividade física e mental. O problema pode ser resolvido com passeios frequentes, atividades interativas e companhia. No entanto, quando os latidos ocorrem durante a noite ou na ausência dos donos, a motivação principal costuma ser a ansiedade por separação – distúrbio comportamental  relacionado à dificuldade em permanecer sozinho. Nesse caso, o proprietário precisa consultar um especialista para resolver o problema do cão. As edições 385 e 386 da revista Cães & Cia contêm informações adicionais sobre como lidar com o excesso de latidos.


Daily News America


No elevador: dê prioridade às pessoas
Tenha em mente que o seu vizinho pode sentir medo ou desconforto na presença do seu cachorro. Portanto, o ideal, sempre que possível, é perguntar se a pessoa não se importa em dividir o elevador com o pet antes mesmo de entrar. Afinal, esperar a chegada do próximo elevador não é tão difícil assim. Outra dica é manter os cães pequenos no colo, o que evita incômodos para quem não gosta de cães. 
No caso de pets agressivos, é essencial o uso de focinheira ao frequentar qualquer espaço público. Ensinar ao cão exercícios básicos de obediência, como o “junto”, “senta” e “fica”, ajuda na condução dele no elevador e nas áreas comuns. Evite também circular com ele nos horários de maior movimento.
 
Treinamento: cão educado não incomoda ninguém
A falta de controle do dono sobre o cachorro em áreas comuns também costuma gerar reclamações. Portanto, educar o cão para se comportar adequadamente enquanto circula pelo condomínio, andando calmamente na guia ao seu lado, é um ótimo exemplo de cidadania. Pular ou encostar o focinho nas pessoas, andar solto, ser agressivo, fazer  necessidades nas áreas comuns são as principais reclamações.
 
Banheiro do cão: deve ser tão limpo quanto o seu
Usar a área de serviço e a varanda do apartamento como banheiro para o cão é uma prática comum. Mas, se esses espaços não forem limpos frequentemente, o mau cheiro poderá incomodar os vizinhos. Portanto, mantenha-os sempre limpos. Será melhor para você, para o seu cão e para os vizinhos. Existem dezenas de removedores de odor eficientes no mercado.
 
Barulho das unhas: tão incômodo quanto dos sapatos
Especialmente onde há piso de madeira, para evitar o ruído das passadas do cão mantenha as unhas dele bem aparadas e disponibilize tapetes e passadeiras onde ele mais circula. Outra opção é colocar nele sapatos caninos com sola de borracha durante a noite, mas o cão precisa ser adaptado ao uso e o acessório deve ser confortável para ele.


Arquivo Edie Jarolim

Em áreas públicas
Nas ruas e parques valem todas as regras citadas acima e mais algumas:

• O cão deve sempre andar na guia sem incomodar os pedestres.
• Esteja preparado para limpar a sujeira do seu cão – ao sair com ele, leve sacos plásticos. 
• Não permita que o cão, especialmente o macho, faça xixi em lugares que possam incomodar as pessoas, como no portão dos vizinhos, nas rodas dos carros e no banco da praça. 
• Escolha sempre locais com pouco trânsito de pedestres, como praças e parques. Para condicionar o cão a fazer as necessidades apenas nesses lugares, ande em passo rápido até o local, impedindo-o de fazer pelo caminho. Chegando no local certo,  clique (*) e recompense o cão com carinho depois de ele ter feito as necessidades no local escolhido.
• Em restaurantes, shopping centers e no comércio em geral, mantenha o mesmo respeito e se informe com antecedência se a presença de cães é permitida e quais são as regras de acesso. O mesmo deve ser feito no litoral, pois a presença de cães na praia é, na maioria das vezes, proibida. 



Victor Bezrukov / Flickr

Vizinho de má fé

Em alguns casos, quando um vizinho mal intencionado quer atingi-lo, pode até mesmo mentir, dizendo que seu cão está latindo em excesso, que fez xixi na roda do carro dele ou até denunciar você alegando que maltrata o cão. Portanto, ter testemunhas a seu favor é muito importante nesses casos. Por isso, converse sempre com os vizinhos e mantenha bom relacionamento com eles. Afinal de contas, todos nós, de alguma forma, podemos incomodar o outro. Câmeras de segurança também ajudam a esclarecer mentiras.
Além dos cães, a discórdia entre vizinhos pode ser causada por vários motivos, como o local onde se deixa o carro, o som de instrumento musical, excesso de movimentação de visitas e uso de cigarro, mas com bom senso todos nós podemos conviver em paz. Se a regra do bom senso não prevalecer, já existem vários advogados especializados no assunto que poderão lhe auxiliar.

André Barreto treina cães há 14 anos e é especialista em adaptação de cães para o convívio doméstico. Tels.: (11) 2503-7333 e 5093-6244. Site: www.andrebarreto.com