Cães puxadores de trenó: Malamute, Husky e Samoieda

Categoria: Raças

Autor(a): Samia Malas | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 10/01/2018 - 14:24

Conheça três raças primitivas que são usadas para puxar trenós em regiões polares

doghusky.ru

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A seguir, você conhecerá mais sobre as raças Husky, Samoieda e Malamute

    Um dos aspectos em comum é que tanto o Husky quanto o Samoieda e o Malamute desenvolvem forte ligação com os membros de seu grupo, sejam pessoas, sejam cães. Por isso, todos os três precisam estar perto da turma deles, de interagir com ela e de trocar afeto. 

 

De raciocínio rápido, curiosos e travessos, têm inteligência refinada. Um hábito comum das três raças é testar, de tempos em tempos, a posição hierárquica no grupo. O dono que não souber se impor perante o cão, preservando a dignidade do animal, corre o risco de torná-lo insubordinado e, por exemplo, ser derrubado em brincadeiras.

O instinto predatório com gatos e outros animais de pequeno porte e a disputa por território também estão bastante presentes nessas raças, em menor escala no Samoieda. Mas o convívio costuma ser bom quando o cão passou por socialização desde as primeiras semanas de vida. Para conviver bem com esses cães, é importante que eles aprendam a atender aos comandos básicos de obediência.
 

Com estranhos, geralmente o Husky e o Malamute não mostram desconfiança ou hostilidade, nem alertam sobre sua aproximação. Seus escassos latidos são destinados principalmente para as brincadeiras e situações muito adversas. Já o Samoieda funciona como cão de alarme. Late para avisar sobre a aproximação de desconhecidos e outras ocorrências, mas não é de atacar. As três raças gostam de comer bastante, tendência que precisa ser controlada para evitar obesidade.

 

Uivos

Nas interações do dia a dia, o Husky, o Malamute e o Samoieda costumam se expressar com uma sequência de pequenos uivos – “ououou” –, cujo som lembra bastante o da fala humana. Já na comunicação à distância, para desespero da vizinhança, os três usam o tradicional uivo “auuuuuuuuuuu...”, audível a até mais de 15 km. Os uivos acontecem principalmente em situações como o cão se sentir sozinho ou, caso não tenha sido castrado, ao buscar parceiro para a reprodução.


Clima quente

As três raças se adaptam bem ao clima brasileiro, estando apenas sujeitas a uma pelagem menos densa nas regiões mais quentes do país. Os cuidados são os mesmos recomendados para qualquer cão, ou seja, não deixar sob sol forte e oferecer sempre áreas de sombra. Nos dias muito quentes, ter ar-condicionado ligado dentro de casa é uma boa opção tanto para os cães quanto para seus donos. Não é recomendado raspar esses cães pensando que assim ficarão mais fresquinhos. “A pelagem deles desempenha papel importante na regulagem térmica do organismo”, alerta o criador Tony Noronha, que se dedica ao Husky Siberiano pelo canil Tunghat’s Siberians.


 

Queima de energia

Pular, correr e brincar é necessidade para Huskys, Malamutes e Samoiedas. Sem atividade suficiente, acabam se tornando irrequietos, destrutivos e uivadores. Pode deixá-los no quintal ou jardim se houver espaço para correr, sem esquecer de que muitos deles gostam de cavar e de que são hábeis para passar por baixo e por cima de cercas. A presença de outro cão, com o qual possam interagir, ajuda bastante a entretê-los. 

Aqueles que vivem em apartamento ou casa com área insuficiente precisam praticar em outro lugar. Os exercícios não devem ser realizados sob sol forte nem em temperatura superior a 30 graus. Práticas extenuantes ou que exijam mais das articulações devem se restringir aos cães adultos, faixa etária na qual a recomendação é praticar duas horas por dia.




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Husky Siberiano 

Quando a caça começou a escassear nas proximidades de onde vivia a tribo dos Chukchis, na Sibéria, foi preciso buscar presas mais longe. Com isso, surgiu a necessidade de transportar pequenas cargas por longas distâncias sobre a neve e o gelo. A solução foi atrelar, a um trenó, uma matilha de cães capaz de conduzi-lo em ritmo constante, por mais longo que fosse o percurso. Surgia assim o Husky Siberiano.
 

A partir de 1909, ele começou a ser levado para os Estados Unidos para uso em competições de trenós, dando início à criação local. Em 1930, o Husky Siberiano era reconhecido pelo American Kennel Club (AKC) e hoje é 14ª raça mais registrada naquela entidade, a mais importante dos Estados Unidos.

Em nosso país, entre as raças abordadas nesta matéria, o Husky é a que mais ganhou fama – chegou a estar entre as cinco mais registradas na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) nos anos de 1989 a 1995. Depois disso, passou por forte queda, da qual vem se recuperando aos poucos. 

 

Detalhes

Das três raças, a mais independente é o Husky, que quando solicitado, só se aproxima se estiver a fim. Seu porte é intermediário entre o do Samoieda e o do Malamute, podendo ser classificado com cão de porte médio. Seu físico bem balanceado proporciona equilíbrio entre força, velocidade e resistência. 

Esta é a única das três raças que pode ter olhos azuis (os quais podem também ser marrons ou um de cada cor) e para a qual não há restrição para as cores da pelagem. A maioria do plantel tem branco nas patas, nas pernas e na ponta da cauda.

Outra exclusividade dos Huskies são as marcações na região da cabeça, presentes em vários exemplares. Essas marcas aparecem no topo da cabeça, em volta dos olhos e no focinho, formando máscaras únicas na espécie canina.

Exceto as escovações diárias durante as duas mudas por ano, em que o Husky perde todo o subpelo, é suficiente escovar a cada dois dias para manter a pelagem limpa e estimular a troca dos pelos. 



Johnny/Canil Sun Lions


 

Malamute do Alaska

Muito antigo, esse cão se desenvolveu com os Mahlemuts, povo esquimó que habitava as regiões do Golfo de Kotzebue e da Baía de Norton, no Noroeste do Alasca. Com a chegada de colonizadores àquela região, a raça passou por um processo de miscigenação. Depois outras mesclas ocorreram com a popularização das corridas de cães de trenó, em busca de animais cada vez mais velozes. Mas, em 1926, cinófilos começaram um trabalho visando reconstituir o Malamute original. E, em 1935, a raça era aceita pelo AKC nos moldes como é hoje conhecida.


 

Detalhes

Menos independente que o Husky, o Malamute atende aos chamados do dono. Mais independente que o Samoieda, tolera períodos de solidão por mais tempo. Das três raças, é a maior e mais encorpada, a que consegue transportar cargas mais pesadas. “É um cão poderoso, de construção sólida, com corpo forte e bem musculoso”, diz o padrão. Classificável como de grande porte, tem altura ideal de 63,5 centímetros na cernelha e peso de 38,5 quilos (fêmeas são um pouco menores).
 

Diferentemente do Husky, os olhos do Malamute só podem ser castanhos. Sua pelagem se caracteriza por ter uma manta que pode variar da cor cinza-clara para tons intermediários de preto ou para tonalidades de areia a vermelho. O branco predomina na parte inferior do corpo e em parte das pernas, patas, mas pode também tomar o corpo todo, neste caso sendo a única cor sólida permitida na raça. Sobre a cabeça, a raça tem uma espécie de touca e as faces podem ser brancas ou marcadas por uma faixa e/ou máscara com predomínio de branco. A cauda, bem guarnecida de pelos, é portada sobre o dorso, com aparência de pluma ondulante.
 

No verão, o subpelo do Malamute cai – a pelagem fica mais curta e menos densa – e no inverno, volta a ficar mais espessa e grossa. “Fora os períodos de muda, quando a escovação é diária, basta escovar duas vezes por semana e dar um banho por mês para manter a higiene”, recomenda Julinho Casares, criador de Malamute do Alaska pelo canil Sun Lions, em Boituva, SP.



Canil Les Amis
 


Samoieda

Conhecida por seu permanente “sorriso”, que resulta da ligeira curvatura para cima dos cantos da boca, a raça se desenvolveu convivendo com a tribo nômade dos Samoiedas, na Sibéria. Ajudava os donos na caça e na pesca (era excelente pescadora), pastoreava renas e tinha convívio bem próximo com as famílias humanas, com acesso ao interior das tendas, onde compartilhava as camas de adultos e crianças e os aquecia com seu aconchego. Rebocar trenós com cargas leves e, eventualmente, barcos, eram funções praticadas pelos Samoiedas quando o uso de renas era inviável.  
    O primeiro padrão da raça é de 1909. No Brasil, o Samoieda é o mais criado dos cães desta matéria.


 

Detalhes

Do trio de raças aqui abordado, o Samoieda é a menos independente – gosta de ficar perto das pessoas e precisa de companhia para ser feliz – e a de menor porte, com altura ideal de 53 a 57 centímetros. Mas exemplares na faixa de tolerância de 3 centímetros para menos ou para mais, prevista no padrão, igualam-se ao Husky na altura. 

Assim como o Malamute, o Samoieda só pode ter olhos marrons. Sua pelagem é bem cheia, efeito obtido por ser o pelo de cobertura relativamente longo e reto e por existir uma juba que emoldura a cabeça em torno do pescoço. A cor branca, que pode ser pura ou com ligeiras marcas biscoito ou, ainda, com suave tom creme, é mais uma marca registrada da raça. 

 

Durante as duas mudas, fase em que a escovação é diária, a raça fica com aspecto esguio por perder todo o volume da pelagem. “Para evitar o acúmulo de sujeira e a formação de nós, basta uma escovação semanal durante o crescimento dos pelos e duas por semana quando a pelagem estiver renovada, todas finalizadas com banho a seco de talco”, orienta a criadora da raça Alessandra Comin Martins, do canil Les Amis, que convive com a raça desde 1994. “O Samoieda mantido seco e bem escovado não exala cheiro, podendo ficar sem banho por meses.” 

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