Quando vacinar o cão? Veja como funciona um protocolo de vacinação

Categoria: Na íntegra

Autor(a): Samia Malas e Marcos Pennacchi | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 13/03/2018 - 15:41

O que é considerado um bom programa de imunização diante dos conhecimentos atuais e de tantas vacinas existentes?

iStock/ Fly_dragonfly

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Se você imagina que quantas mais vacinas o cão ou gato tomar, tanto melhor, ou se acha que a imunização deve começar nas primeiras semanas de vida do filhote ou, ainda, se acredita que o reforço das vacinas deve ser anual, aproveite para fazer uma reciclagem. 

Vacinação inteligente
Vacinar continua sendo o gesto mais efetivo para proteger cães e gatos de diversas doenças com sequelas graves, responsáveis até por mortes com muito sofrimento. Reduzir a aplicação de vacinas à menor quantidade possível, porém, é a diretriz adotada pela Veterinária mundial. Até porque cada vacinação corresponde a um risco de reação adversa, por menor que ele seja.

American Animal Hospital Association (AAHA), dos Estados Unidos, defende que, em princípio, somente sejam aplicadas as vacinas “essenciais” nos cães e gatos em geral. Trata-se daquelas que evitam doenças graves muito disseminadas e que podem ser transmitidas em qualquer lugar ou situação. Segundo a entidade, dá para contar nos dedos essas doenças. Nos cães, elas são a cinomose, a hepatite infecciosa e a parvovirose, combatidas pela vacina polivalente V8. E, nos gatos, a panleucopenia, a rinotraqueíte e a calicivirose, imunizadas pela vacina V3. Caninos e felinos precisam também ser vacinados contra a raiva.

As demais vacinas, de acordo com a AAHA, entram na categoria das “não essenciais”. São aquelas que agem contra doenças mais presentes em áreas endêmicas, assim como em cães que ficam expostos a situações de risco. É o caso, por exemplo, dos mais sujeitos a picadas de carrapatos ou ao contato com a urina de ratos. Respectivamente, esses cães correm risco superior à média de pegar borreliose e leptospirose.


 

Imunização básica
A estratégia fundamental para a saúde do cães e gatos é proteger bem os filhotes. Eles nascem com pequena quantidade de anticorpos (apenas de 2 a 10% dos anticorpos maternos conseguem passar pela placenta). Logo em seguida herdam uma dose extra de imunidade ao mamarem o colostro (forma de leite rico em anticorpos produzido nas primeiras mamadas). Quantos mais anticorpos a cadela prenhe tiver, tantos mais a ninhada herdará. Por isso, o programa de vacinação do filhote começa antes de ele nascer, já que cabe abastecer a futura mãe com a maior quantidade possível de anticorpos. Para tanto, aplica-se vacinas polivalente e antirrábica nela imediatamente antes da concepção. Esse cuidado transferirá maior imunidade aos filhotes enquanto estiverem na placenta e, logo depois do parto, por meio do colostro.

Por outro lado, os anticorpos herdados têm um efeito negativo. Eles combatem os princípios ativos das vacinas. É preciso esperar a queda de imunidade herdada para a vacinação fazer efeito. Como esse declínio acontece em momentos diferentes, conforme o tipo do anticorpo, é muito adotado o modelo de vacinação sugerido pela United States Drug Association (Associação de Medicamentos dos Estados Unidos) em conjunto com os fabricantes de vacinas. O programa é formado por três doses de vacina aplicadas até as 12 a 16 semanas de idade, com posterior revacinação anual, exceto pela antirrábica, que é aplicada em uma única dose (veja quadro).


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Programas especiais
Uma das variáveis que pode ser alterada nos programas de vacinação de filhotes é a quantidade de aplicações. Outra é o intervalo entre elas. O importante é sempre respeitar o término com 14 a 16 semanas de vida. Cabe ao médico-veterinário avaliar também se é o caso de aplicar alguma vacina “não essencial”. Entre elas, para cães existem contra leptospirose, parainfluenza, bordetelose, borreliose (doença de Lyme), leishmaniose visceral e giardíase. Para gatos, há contra leucemia felina, clamidiose e bordetelose.

Curiosamente, boa parte das vacinas polivalentes conta não só com vacinas essenciais. A V8, por exemplo, tem cinco vacinas “não essenciais”: adenovirus tipo 2, parainfluenza, coronavirose e dois tipos de leptospirose. A V10, tem sete (cobre mais dois tipos de leptospirose). Para gatos, a V4 acrescenta à V3 proteção contra a clamidiose e a V5 inclui ainda proteção contra a leucemia felina.

Muitos veterinários estão recomendando para cães a vacina contra bordetelose (traqueobronquite infecciosa ou tosse dos canis), além da V8 (ou V10, se na região ocorre leptospirose de um dos dois tipos extra que essa vacina combate). Para gatos, é comum ser recomendada a vacina contra leucemia felina (FelV), além da V3.

Revacinações
A diretriz de só aplicar vacina quando é realmente necessário vale também para os reforços vacinais. A estimativa média de duração da imunidade conferida pelas vacinas essenciais caninas (contra a cinomose, a hepatite infecciosa e a parvovirose) é de, no mínimo, três anos. Existem kits que informam se já chegou o momento de revacinar a partir de uma pequena amostra de sangue. No Brasil, o VacciCheck, importado de Israel pela curitibana VP Diagnóstico, permite saber se o cão já precisa ser revacinado para cinomose, parvovirose e hepatite infecciosa canina. 

Vacinas de aplicação obrigatória, como a antirrábica, devem seguir o prazo de reforço exigido por lei (muitos municípios brasileiros pedem para revacinar anualmente contra a raiva). Inclusive, para viajar com o pet, a vacina contra a raiva é exigida pelas companhias aéreas. Vacinas “não essenciais” frequentemente requerem administração anual ou até em intervalos menores.

 

Você sabia? enlightened
• Depois da aplicação de uma dose de vacina, é preciso esperar vários dias para os anticorpos aparecerem no sangue. Uma vez presentes, eles podem durar anos.

• A eficácia das vacinas costuma ser alta, mas nunca é de 100%. Ou seja, a doença contra a qual milhares de animais são vacinados não se manifesta na grande maioria, mas aparece em um ou outro.

• Para a vacina dar o melhor resultado possível precisa ser de boa qualidade e ter sido conservada com refrigeração constante desde o momento em que foi produzida.

• Antes de uma vacina ser lançada, deve ser considerada segura. Para tanto, passa por testes de esterilidade, de toxicidade e de presença de agentes e adventícios. A eficácia é confirmada por testes de desafio.