Cães pegam dengue, zika ou chikungunya? Veja doenças transmitidas por moscas e mosquitos

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): Canción Comunicação | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 27/04/2018 - 11:19

Nós, humanos, podemos pegar dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Mas será que nossos pets também podem pegar essas doenças? Veja o que diz o especialista

iStock/ CarlaNichiata

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De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil a febre amarela apareceu pela primeira vez em Pernambuco, no ano de 1685 e no período de 1980 a 2004, foram confirmados 662 casos de febre amarela silvestre, com ocorrência de 339 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 51% no período. É importante saber que a doença apresenta dois ciclos epidemiológicos, o urbano (transmitido pelo Aedes aegypti) e o silvestre (transmitidos pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes).
 
Mas, como essas doenças afetam nossos pets? Devemos nos preocupar?
A boa notícia que é nossos cães e gatos não pegam febre amarela, nem dengue, ou zika e chikungunya. Apenas humanos e macacos são hospedeiros do vírus. Como os macacos possuem um sistema imunológico mais fraco do que o nosso, acabam morrendo precocemente.


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Mas, o fato de os pets não contraírem a doença, não significa que ela não vá oferecer perigo, pois os mosquitos transmissores da febre amarela, dengue, zika e chikungunya são os mesmos que transmitem doenças como leishmaniose e dirofilariose (Verme do Coração). Além do Aedes aegypti, existem cerca de 29 espécies de mosquitos do gênero Aedes, 12 do gênero Anopheles, 14 do gênero Mansonia e 6 do gênero Culex. Praticamente um exército de insetos contra a nossa saúde e dos nossos bichinhos de estimação.
 
Aqui vão algumas informações sobre essas doenças, para que todos os tutores estejam preparados para prevenir e não apenas remediar.
 
Isso mesmo o Aedes Aegypti, e os mosquitos Culex e Anopheles são os responsáveis por transmitir a dirofilariose, doença grave em que o mosquito infectado libera larvas na corrente sanguínea dos pets e se alojam no ventrículo direito, na artéria pulmonar e na veia cava, causando os sintomas de redução da função cardíaca, dificuldade respiratória e tosse crônica. Mais comum em cachorro do que em gatos, a eficácia do tratamento se deve à rápida identificação da doença.


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Já a leishmaniose é transmitida pelo mosquito-palha também conhecido como flebótomo fêmea. A doença é altamente infecciosa, não tem cura, mas é possível reverter os sintomas. Vale lembrar que a doença pode ser transmitida para humanos, ou seja, é uma zoonose, e infelizmente muitos animais são encaminhados para eutanásia devido à gravidade da doença. A limpeza de terrenos onde há lixo e matéria orgânica ajuda a evitar a propagação do inseto.
 
Ainda temos a doença de chagas causada pelo triatomídeo também conhecido popularmente por barbeiro, que defeca ao picar o pet e assim contamina o local.


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Além dos mosquitos, devemos ter muita atenção com as moscas. A varejeira (Cochliomyia hominivorax), por exemplo, causa a famosa bicheira ao depositar suas larvas em feridas expostas. Muitas vezes, devido ao tamanho do ferimento e da infecção, a amputação é o único método de tratamento e cura da doença. Já a Dermatobia hominis, conhecida como mosca-berneira é a causadora do berne, que pode contaminar a pele de qualquer animal, até mesmo se não houver ferimento.
 
Prevenção: Quais cuidados devemos ter?
 “Aqueles cuidados básicos que devemos ter em casa, como não deixar água parada em vasos, calhas, pneus, garrafas e outros utensílios, além da higienização em ralos e esgotos também servem como precaução para nossos pets. E claro, a água que é oferecida ao pet deve ser sempre fresca e trocada constantemente do pote”, explica o diretor veterinário da Health For Pet, José Roberto Souza Ribeiro, que cita abaixo alguns outros cuidados que devemos ter:
 
- Higiene em primeiro lugar. Não deixar xixi ou cocô expostos;

- Medicamentos antipulgas costumam ser eficazes no combate de larvas, mas estes devem ser prescritos pelo veterinário;

- É de uma importância não só trocar a água do pet várias vezes ao dia, como já foi dito, mas também lavar diariamente as vasilhas com água e sabão;

- Repelentes podem ser usados desde que sejam indicados e prescritos por um veterinário;

- Ralos devem ser higienizados diariamente e devem ser mantidos fechados;

- Mantenha seu pet num local ventilado. Isso dificulta que pragas possam pousar no local;


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- Não acumule lixo;

- Use mosqueteiros em portas e janelas;

- Manter a casa limpa, com faxina feita ao menos uma vez por semana;

- Utilize coleiras que repelem pulgas, carrapatos e mosquitos em seus cães, desde que elas sejam liberadas pelo veterinário de sua confiança;

- Se você mora em regiões litorâneas de grande risco para dirofilariose é muito importante conversar com o veterinário a respeito de um protocolo preventivo.

- Mantenha as vacinas de seus pets em dia e converse com o veterinário a respeito de vacina de prevenção contra leishmaniose.