Agosto é o mês da campanha contra a raiva canina

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): P+G Comunicação | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 07/08/2018 - 11:43

Você já deve ter ouvido alguém se referir ao mês de agosto como "mês do cachorro louco". Veja por que esta é a melhor época para prevenir a doença

iStock/ Wavetop

iStock/ Wavetop

Agosto chegou e neste mês muito se fala sobre a raiva canina, uma doença grave que pode comprometer o sistema nervoso central (SNC). Este mês ficou conhecido como "mês do cachorro louco" porque as condições climáticas favorecem o cio das cadelas. Assim, os machos brigam para conseguir acasalar e quem realmente sabem como a raiva é transmitida, entende que o contágio acontece durante as rinhas, pela saliva de animais infectados. Do mesmo modo, a doença pode entrar em nosso corpo por meio de uma mordida ou até mesmo após lambedura de uma lesão já existente na pele, o que faz dela uma zoonose muito perigosa. O vírus pode viajar até o cérebro humano, causando inchaço ou inflamação.
 
“O tempo entre a transmissão e o aparecimento da infecção pela raiva é de, em média, 45 dias. Os principais sintomas são febre, baba em excesso, dor ou sensibilidade exagerada no local da mordida, excitabilidade, perda de sensibilidade ou força em uma área do corpo, espasmos musculares, agitação, ansiedade, dificuldade de engolir e até mesmo convulsões”, explica Marianna Lago, infectologista do Docway.

 Segundo a profissional, caso uma pessoa seja mordida por um animal desconhecido é importante manter a calma e obter o máximo de informações sobre ele. Isso vai facilitar muito o tratamento. A ferida deve ser limpa com sabão e água e um médico deve ser procurado para que sejam realizadas as medidas necessárias.“Se houver risco de raiva, o paciente receberá uma série de vacinas preventivas”, explica Marianna.


iStock/ tverkhovinets
 
As vacinas são aplicadas, geralmente, em cinco doses durante 28 dias. A maioria dos pacientes também recebe um tratamento chamado imunoglobulina humana para raiva (HRIG). “Ele é administrado no dia do incidente, se a probabilidade de o animal apresentar raiva for muito alta”, detalha a veterinária. Mesmo não existindo um tratamento efetivo conhecido para raiva, a vacina antirrábica ainda é a melhor maneira de se prevenir o contágio. “E mesmo nessa situação delicada, se possível, entre em contato com o controle de animais para que aquele animal seja capturado de forma segura e caso haja suspeita de raiva, ele possa ficar em observação e receber o tratamento adequado”, aconselha.
 
Os pets e a raiva
Quanto aos animais que transmitem a doença, Jueli Berger, veterinária da EsalPet, explica que qualquer mamífero pode ser infectado pela raiva, que afeta o sistema nervoso central e pode levar o animal a óbito em apenas alguns dias após a contaminação. Mas os principais transmissores são animais silvestres como morcegos, gambás e macacos, além de cães, gatos, bovinos, suínos, caprinos, ovinos e equídeos.


iStock/ Chalabala
 
Segundo Jueli, nos animais a doença tem um período de incubação que pode variar de 15 dias a 2 meses e pode se manifestar de duas formar: a furiosa e a muda. “A furiosa que é a mais comum apresenta três fases de sintomas”, detalha a especialista. Na primeira, que costuma durar cerca de 3 dias, o animal contaminado apresenta mudança de comportamento, esconde-se em locais escuros, não obedece e tem momentos de agitação. Já na segunda fase, o pet começa a se mostrar extremamente agressivo, mordendo e atacando, e sendo comum inclusive a automutilação, além de apresentar salivação intensa e latido rouco devido à paralisia dos músculos de deglutição e das cordas vocais causados pela doença. Na fase final, o animal tem convulsões generalizadas, falta de coordenação motora e paralisia do tronco e membros que geralmente após 48 horas evolui para óbito.
 
Já na forma muda, o animal se torna melancólico e calmo demais, esconde-se em locais escuros, não come, não late, não responde aos chamados do dono e, também, apresenta paralisia gradativa dos músculos. “A melhor maneira de prevenção é a imunização adequada. Animais domésticos devem receber uma dose anual da vacina, para que não corram riscos”, completa a veterinária.