Griffons de companhia: Conheça o Griffon de Bruxelas, Griffon Belga e Petit Brabançon

Categoria: Raças

Autor(a): Marcos Pennacchi | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 04/10/2018 - 10:53

Eles são os "irmãos" Griffon de Bruxelas, Griffon Belga e Petit Brabançon. Pouco vistos por aí, estão firmes na disputa por um espaço em seu coração

Johnny Duarte/ Canil Lapinus

Johnny Duarte/ Canil Lapinus

A expressão quase humana, franca e tocante desses cães de pequeno porte, com grandes olhos brilhantes, atrai atenção imediata. Sua postura de grandalhões destemidos, apesar dos apenas 3,5 a 6 quilos de peso, lhes dá charme adicional. Estamos falando dos Griffons de companhia. Sim, no plural. Eles são três raças, segundo a Federação Cinológica Internacional (FCI), embora estejam separados por apenas uma única diferença: a pelagem.

 

Dois desses cães – os Griffons de Bruxelas e Belga – têm pelos duros, ásperos e desgrenháveis quando mantidos ao natural. O diferencial é a cor. No Griffon de Bruxelas, ela é vermelha ou avermelhada, eventualmente com um pouco de preto na barba e no bigode. E no Griffon Belga, é preta ou preta-e-castanha, podendo também ser preta mesclada com marrom avermelhado, coloração essa desincentivada.

 

O trio se completa com o nada desgrenhável Petit Brabançon. Seus pelos são curtos, lisos e macios demais para serem considerados griffons. Tanto que a palavra nem mesmo consta no nome oficial da raça. Mesmo assim, é chamado também de Petit Griffon Brabançon pela Société Royale Saint-Hubert (SRSH), entidade máxima da cinofilia em seu país de origem, a Bélgica (veja em http://goo.gl/wkhjqX). Trata-se de uma merecida “concessão” ao parentesco com as outras duas raças. Quanto às cores, todas as dos “manos” Griffons são bem-vindas, muitas vezes acrescidas por uma máscara preta.

 

Entre as mais de 400 raças caninas existentes, quase duas dezenas têm Griffon no nome. Mas os únicos da categoria considerados de companhia são os desta reportagem. Os demais estão classificados pela FCI como “cães apontadores” e “sabujos farejadores”.

 

Há consenso quanto aos Griffons de companhia terem surgido no século 19 a partir da mescla de alguns cães. Mas não há certeza sobre quais eram esses ancestrais. O padrão oficial da FCI menciona que um deles era um terrier de pelo duro conhecido como Smousje, encontrado na Bélgica, mais exatamente em Bruxelas e seus arredores. Pequeno e alerta, exterminava ratos em estábulos e dava alarme. O padrão menciona outras duas raças participantes, ambas de pequeno porte, robustas, com focinho achatado e olhos grandes.

 

O King Charles Spaniel de cor rubi (ruivo intenso), com pelos longos e sedosos, e que pesa de 3,6 a 6,3 quilos, seria o responsável pela cor vermelha do Griffon de Bruxelas. O Pug, com seus pelos curtos, macios e brilhantes, e peso de 6,3 a 8,1 quilos, teria contribuído com a cor preta do Griffon Belga e a pelagem curta do Petit Brabançon.

 

O primeiro Griffon de Bruxelas foi registrado em 1883 pela SRSH. Logo em seguida, a rainha belga Marie Henriette se interessou pela raça e a divulgou em seu país e no exterior. 

 

Apesar de a criação dos Griffons de companhia nunca ter sido numerosa, sua aparição em alguns filmes e programas de TV contribuiu para torná-los mundialmente mais conhecidos. Um destaque foi o filme Melhor é Impossível, de 1997, premiado com dois Oscars (Jack Nicholson, melhor ator, e Helen Hunt, melhor atriz).

 

Só em salas de cinema, mais de 57 milhões de pessoas (fonte Box Office Mojo) viram um simpático Griffon de Bruxelas conquistar o escritor que tinha dificuldade de se relacionar com as pessoas. 

 

No Brasil, os pedigrees emitidos para as três raças cresceram de 28 para 83, de 2004 a 2014. Enquanto em 2004 só houve Griffons de Bruxelas registrados, dez anos depois foram 68 Griffons de Bruxelas, 10 Griffons Belgas e 5 Petit Brabançons. “Acho que no Brasil somente eu crio as três raças”, comenta Paloma Pegorer, do canil Lapinus, de São Roque, SP, que cria Griffons há 15 anos e é árbitra especializada na raça. “Quanto ao Griffon de Bruxelas, sei de cinco criações.”

 

Os Griffons são autênticos cães de companhia. Por um lado, destacam-se pela animação. “São engraçadíssimos”, opina Alejandro Castro, do canil Netzach, de São Paulo, que já conviveu com 14 Griffons de Bruxelas em 21 anos dedicados à raça. “Interessam-se por tudo: colecionam caroços de azeitona sob o sofá, usam papel amassado como bola, derrubam a lata de lixo ao fuçá-la em suas buscas”, exemplifica. Apreciam sair para caminhar. Muitas vezes, disparam pela casa e correm em círculos. Brincar é com eles mesmo. 

 

Quando as brincadeiras acabam, ficam calmos. Enrolam-se ao lado do dono e cochilam, por exemplo. São perfeitamente adaptáveis a pequenos espaços e a fazer companhia a pessoas tranquilas. 

 

Atentos, curiosos e interessados, os Griffons de companhia são também bons de alarme. “Avisam sobre barulhos não rotineiros, quando alguém passa na rua ou se há pessoa estranha no território”, diz Alejandro. “Dão um ou dois latidos nada histéricos”, detalha Paloma, que conviveu com mais de 50 Griffons de Bruxelas e com cerca de 15 Griffons Belgas e 15 Petit Brabançons.

 

Correr e brincar com crianças tem tudo a ver com o jeito de ser dos Griffons de companhia. E, caso a paciência deles chegue ao limite, simplesmente deixam de interagir. “Podem até rosnar, mas nunca atacam”, assegura Paloma. “Desconheço caso de mordida de Griffon em quem quer que seja.” De qualquer maneira, a garotada precisa ser ensinada a manejar cães com delicadeza, até mesmo para proteger os animais.

 

Com os outros bichos da casa, incluindo cães, gatos e furões, o Griffon costuma se dar bem. Mas sem abrir mão de sua enorme autoconfiança, o que pode lhe custar ferimentos caso algum animal o desafie.

 

Edmilson Reis/ Canil Lapinusd (Griffon Belga)

Tipo sensível

Ter jogo de cintura para aceitar contrariedades não é um ponto forte dos Griffons de companhia. Às vezes, seus donos cultivam involuntariamente a sensibilidade excessiva desse cãozinho. Quando filhote, por ser minúsculo, delicado e afetivo, fica difícil não mimá-lo. Aí ele cresce e passa a se magoar facilmente ao levar bronca ou se a brincadeira não sair como deseja. “Depois de ficar assim, torna-se trabalhoso fazê-lo aceitar contrariedades”, ri Alejandro. “Griffons não admitem injustiça – não brigue com eles se não houver necessidade”, recomenda Paloma. “Algumas vezes, podem até se vingar fazendo xixi na sua cama”, avisa.

 

Existem Griffons tímidos, principalmente com pessoas desconhecidas. Alguns são até agressivos com quem não é da casa. Para evitar esse comportamento, uma boa socialização é de grande ajuda. Além disso, antes de levar um filhote para casa, é válido observar o comportamento dos pais dele e dos irmãos de ninhada. Paloma observa que os muito pequenos são, em geral, os mais tímidos.

 

Paloma Pegorer/ Canil Lapinus (Petit Brabançon)

 

Beleza

Há algumas opções para manter o pelo dos Griffons de Bruxelas e Belga. Uma é deixá-los ao natural, sem nunca tosar. A pelagem fica como a do Griffon de Bruxelas da primeira página. Perde um pouco da textura áspera, mas preserva a intensidade da cor e o poder autolimpante. “Nesse caso, não convém deixar sem escovar por mais de 15 dias para evitar a formação de nós”, explica Paloma. 

 

No outro extremo, está a pelagem requerida em exposições. É o caso do Griffon Belga da primeira página. Para ressaltar a textura dura e áspera, é preciso o stripping (retirada manual dos pelos maduros). “Aos 3 a 4 meses de idade, são tirados todos os pelos puxando-os com a ponta dos dedos ou com uma faca especial, de modo que reste somente o subpelo”, explica Paloma.

 

“O processo não dói: enquanto retiro os pelos, os cães até dormem!”, descreve. Depois de os pelos crescerem, retira-se o subpelo. A partir daí, Paloma realiza a manutenção com trimmings a cada 3 a 4 dias. “São puxados os pelos com mais de 2 a 3 centímetros, para maximizar a textura típica”, explica Paloma. Ficam longos apenas os pelos da barba, que deve ser bem cheia, e os das pernas. Novos strippings serão desnecessários enquanto o trimming acontecer regularmente. “Os Griffons com pelagem de exposição podem ser escovados a cada três semanas, exceto a barba que deve ser lavada, seca e escovada a cada 3 ou 4 dias”, explica Paloma.

 

Há quem opte por tosar à máquina. Nesse caso, são perdidos a textura dura e áspera dos pelos, que ficam mais finos e claros, bem como deixa de haver o efeito “autolimpante”. “A escovação deverá ser mais frequente, a cada 3 ou 4 dias”, ressalta Paloma. Ela opina que nos exemplares com pelagem tratada com trimming ou ao natural bastam poucos banhos. Já nos de pelagem tosada à máquina convém dar banho a cada 15 dias.

 

Quanto ao Petit Brabançon, seus pelos curtos não precisam de tosa. Ficam brilhantes se forem tratados semanalmente com luva para escovação, o que também retira os pelos mortos antes que caiam. Das três raças, somente o Petit Brabançon passa por troca de pelos. “A muda ocorre duas vezes por ano, por cerca de duas semanas, como acontece com os cães de pelo curto em geral”, comenta Paloma. Nesses períodos, os efeitos podem ser abreviados com escovação diária ou com banho morno seguido por escovação. 

 

As orelhas dos Griffons se levantam e depois se dobram. Nos países onde é permitida cirurgia estética, existe a prática de operá-las para ficarem pequenas e erguidas. A cauda é muitas vezes cortada bem curta. No Brasil, os veterinários estão impedidos pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária de fazer cirurgias em animais com finalidade exclusivamente estética.

 

Arquivo do canil Lapinus (filhotes de Griffon de Bruxelas)

 

Saúde

A expectativa de vida dos Griffons de companhia é de 10 a 15 anos. Os olhos grandes e expostos exigem cuidado para evitar lacerações. Criadores responsáveis tiram da reprodução exemplares com siringomielia (acúmulo de líquido na medula espinhal) e malformação de Chiari (parte do cérebro fica fora do crânio). 

“Griffons com pais parentes são muito mais sujeitos a problemas como displasia coxofemoral, hidrocefalia, siringomielia e de coração”, alerta Paloma, que tem contato inclusive com criadores do exterior por julgar exposições da raça fora do Brasil.

 

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