Cães chatos para comer!

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): Maria Fernanda Modaneze | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 06/03/2019 - 16:11

Cinco erros de manejo - e suas soluções - que causam o apetite seletivo em cães

JoopS/ iStock.com

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Com o passar dos anos, cada vez mais os cães têm sido inseridos na nossa rotina, se tornando membros da família e sendo tratados como tal. Isso é ótimo, pois nos preocupamos mais com a qualidade de vida e bem-estar do pet. O lado ruim é que, alguma vezes, acabamos mimando-os demais e causando alguns hábitos problemáticos, como a inapetência (que é a falta de apetite).

 

Quando isso ocorre, o primeiro passo é levar o seu cão a um médico-veterinário e excluir qualquer possibilidade de que a falta de apetite seja causada por um problema clínico. É muito importante garantir que seja uma questão comportamental e não de saúde. Com essa hipótese eliminada, a próxima fase é identificar quais hábitos levam seu cão a não se alimentar da forma correta e, então, colocar em prática a melhor forma de reverter o quadro.

 

Abaixo, segue uma lista com as causas mais comuns de apetite seletivo e as melhores formas de lidar com elas.

 

 

1. Ração apenas com comida

O cão pode demonstrar falta de apetite por várias razões. Calor, por exemplo, é um dos motivos. Em dias muito quentes, o tutor pode ficar preocupado porque o pet não comeu e resolver colocar um pouco de carne na ração para incentivar a alimentação. A tática pode funcionar bem e fazer com que o tutor sempre coloque algum agrado na comida. Mas pode chegar um dia em que não terá nada a acrescentar e, daí, o cão deixará de comer a ração pura, pois está condicionado a sempre ter algo a mais misturado à sua refeição. Essa situação pode, inclusive, se agravar quando o pet come apenas a carne e deixa a ração. O maior problema é que somente a proteína não é suficiente para garantir todas as vitaminas e nutrientes que o animal precisa. 

 

• Solução: Nesse caso, o tutor tem duas opções: mudar a alimentação para natural, o que deve ser feito com o acompanhamento de um nutrólogo veterinário para garantir a quantidade e suplementação necessárias; ou deixar de colocar a carne junto com a ração até que o cão entenda que aquela é sua alimentação e volte a comer normalmente. Não tem problema agradar seu cão com frango ou carne ocasionalmente, mas faça isso de vez em quando e fora dos horários da refeição.

 

 

2. Só comem na presença do tutor

Há muitos casos em que os tutores servem a alimentação ao cão antes de sair para trabalhar, mas o animal só come quando eles voltam para casa. Esse é um dos sintomas mais significativos do Transtorno de Ansiedade de Separação, um problema comportamental que deve ser tratado o mais rápido possível, pois o ideal é que seu cão tenha uma rotina sozinho da mesma forma que quando acompanhado. E o maior problema em manter o alimento exposto é que a ração começa a oxidar assim que entra em contato com o ar, fazendo com que a alimentação do seu pet não fique tão saudável como poderia, e é ainda pior quando se trata de alimento natural ou quando há carne misturada na ração. 

 

• Solução: O ideal é que o cão coma assim que servido, por isso, deixe a alimentação disponível por dez minutos e, caso o cão não coma, tire-a e guarde em um lugar fechado. Em caso de ração, não devolva ao pacote, pois a ração do comedouro já começou o processo de oxidação e pode contaminar os outros grãos. À noite, sirva novamente, por mais dez minutos. Caso ele ainda não coma, não se preocupe, pois um cão pode ficar até 48 horas em jejum sem comprometer sua saúde. Porém, na terceira ou na quarta vez em que você servir o alimento e depois retirá-lo, o pet vai entender que ele precisa se alimentar ou ficará sem comida. De qualquer forma, também é importante procurar um especialista em comportamento animal para resolver o problema de ansiedade de separação.

 

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Trocar a alimentação de forma constante pode fazer com que o cão entenda que se não comer, algo melhor virá

 

 

 

DICAS ÚTEIS

• O ideal é que o cão coma assim que a refeição é servida, em horários fixos; 

• Cada cão deve receber a quantidade e os nutrientes necessários de acordo com seu porte, podendo ser ração ou alimentação natural;

• Todas as rações trazem na embalagem uma tabela com a quantia diária recomendada para os diferentes portes. Identifique a do seu pet, divida essa quantidade em duas ou três porções e supervisione a refeição, pois cada organismo reage de uma forma, podendo ser necessário adequar as quantidades servidas.

 

 

3. Comida tem que ser na mão!

Existem ainda aqueles cães que acostumaram a comer apenas na mão dos tutores. Nesses casos, o primeiro passo é se certificar de que o pet não tem medo do comedouro. Cães muito desconfiados ou atentos a qualquer barulho podem não querer comer em um comedouro que faz ruídos quando utilizado, como os de alumínio, por exemplo. Eliminada essa possibilidade, alguns cães querem comer na mão dos tutores como forma de se aproximar e ter aquele momento de atenção só para eles. 

 

• Solução: Para acostumar seu cão a comer no comedouro, você pode colocar o alimento no recipiente aos poucos e, quando o pet pegar, faça um carinho e o elogie. Você também pode ensinar alguns comandos básicos, como sentar, dar a pata e girar, e recompensar apenas com a ração no comedouro. Aos poucos, vá aumentando a quantidade de grãos até que o cão coma somente no comedouro. Lembrando que como o ideal é que o pet coma tudo quando servido, não tem problema se o tutor estiver por perto, mas ele também pode ir se afastando aos poucos até que o animal coma sozinho.

 

 

4. Cães que enjoam do alimento

Um dos motivos mais comuns para o apetite seletivo é a troca constante de ração ou mesmo a troca para a alimentação natural. Uma vez que a alimentação é trocada por qualquer motivo, o cão pode entender que se ele não comer aquilo que lhe é apresentado, virá algo melhor e mais gostoso. Às vezes, até por saber que poderá vir algo diferente já é motivo para que o cão rejeite a alimentação atual. 

 

• Solução: Assim como na segunda opção, o ideal é insistir na mesma alimentação, aquela que o tutor considerar a mais adequada, até que o cão entenda que é a única opção e passe a comer corretamente nos horários estabelecidos.

 

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O ideal é que o cão coma assim que a comida é servida, em horários fixos

 

5. Comem várias vezes ao dia

Quando os cães se alimentam várias vezes ao dia, normalmente os tutores deixam os comedouros sempre cheios, o que faz com que o alimento perca a qualidade necessária para uma refeição balanceada, mesmo problema que ocorre quando o animal só come com companhia. Mais um agravante da alimentação muito fracionada é que o tutor não consegue saber se o pet está se alimentando corretamente, um dos indicadores mais importantes de que pode haver algum problema de saúde. 

 

• Solução: Sirva uma pequena porção várias vezes ao dia e vá aumentando o intervalo aos poucos, até que o cão coma duas ou três vezes ao dia. Assim, o tutor garante uma alimentação saudável e consegue acompanhar melhor a rotina alimentar de seu amigo.

 

No fim, qualquer que seja a seleção que seu cão faça nos seus hábitos alimentares, tenha paciência e insistência para que ele se alimente da melhor forma e tenha uma vida longa e saudável. 

 

 

 

 

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Maria Fernanda Modaneze 

Adestradora e franqueada da Cão Cidadão de São Paulo