Batalha: Siamês x Oriental

Categoria: Gatos

Autor(a): Júlio Mangussi e Samia Malas | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 06/03/2019 - 17:00

Da coloração à história: veja diferenças entre essas raças tão tradicionais da gatofilia

Foto: Juliana Grossi / Gatos: By Yanko Come Dance With Me (Siamês) e Flower Ilida of By Yanko (Oriental) do gatil Byy Ya

Foto: Juliana Grossi / Gatos: By Yanko Come Dance With Me (Siamês) e Flower Ilida of By Yanko (Oriental) do gatil Byy Ya

Podemos afirmar com certeza que o gato Siamês é um dos mais conhecidos no mundo da gatofilia. Aliás, muitos tutores acreditam piamente que têm um gato dessa raça em casa quando, na verdade, se trata de um gato sem raça definida, o Colorpoint, também chamado de Siamês bolinha – por ser mais rechonchudo que o Siamês de raça. 

 

Já em relação ao Oriental a história é outra. Ele ainda é menos conhecido que seu parente tailandês. De acordo com a americana Mary Kolencik, secretária do conselho da raça na Cat Fanciers’ Association (CFA), o Siamês ainda é uma das cinco raças mais populares nos Estados Unidos. Já na Inglaterra, em 2016, o Siamês e o Oriental se destacaram, respectivamente, como a quarta e oitava raça do país, segundo a The Governing Council of the Cat Fancy (GCCF), importante associação felina local. 

 

A seguir veja semelhanças e diferenças entre esses dois felinos dotados de rica história.  

 

 

Origem das raças

Calcula-se que os gatos domésticos chegaram ao Oriente há cerca de 2.500 anos. De acordo com a revista norte-americana de ciências Scientific American, foi nesse período que algo curioso aconteceu: como não existiam gatos selvagens nativos, os felinos recém-chegados cruzaram entre si, adquirindo assim gradualmente cores e características específicas. O Siamês surgiu no então Reino Sião (atual Tailândia) e já era registrado em gravuras nos manuscritos no Tamra Maew, que remontam ao ano de 1350. Tido como gato da realeza, ele é considerado o pai dos gatos de tipo oriental. Em sua terra nativa, ele é conhecido como Wichien-Maat (em tradução livre, Lua Diamante). Estima-se que tenha chegado aos Estados Unidos em 1878, quando o presidente americano recebeu um exemplar da raça do cônsul americano de Bangkok (atual capital da Tailândia). Mas o reconhecimento oficial aconteceu somente em 1906, pela CFA.

 

Gerado a partir do Siamês, o Oriental foi desenvolvido em 1950 na Inglaterra, logo após a Segunda Guerra Mundial. A raça foi resultado de cruzas entre Siameses e Russian Blues, Britishes Shorthairs, Abissínios e gatos domésticos. O processo demorou algumas gerações até alcançar gatos com todas as características do Siamês, mas sem a marcação ponteada. Em 1977, o Oriental foi aceito pela CFA e, desde 1995, é aceita a variedade de pelo longo. 

 

 

 

 

Fotos: Arquivo do gatil By Yanko 

Oriental da cor chocolate, também chamado de Havana (à esq.): esta é apenas uma das mais de 600 combinações de cores e padrões dessa raça. Ao lado, Siamês na cor seal point com olhos azuis


 

O estrabismo é um problema que pode acometer ambas as raças e é indesejado. Ou seja, criadores trabalham para eliminá-lo, de acordo com Maria Rita Brandão, do gatil By Yanko, de Belo Horizonte, que se dedica à criação de Oriental e Siamês. A prevenção se dá por meio da esterilização de matrizes estrábicas do plantel, de modo a não se transmitir o gene do estrabismo aos filhotes, explica a criadora. “Muitos tutores creem que o estrabismo é apenas uma questão estética, ou até mesmo um ‘charme’, ao passo que o desalinhamento dos olhos pode acarretar na percepção de profundidade, podendo o gato estrábico não enxergar com nitidez e, em casos extremos, até mesmo ter perda total da visão”, atenta. 

 

 

Pelagens

Esse é o ponto que as raças mais se diferenciam entre si. O Oriental Shorthair é dono de uma pelagem bem curta, com textura fina. Já o Longhair possui pelagem de comprimento médio, de textura fina e sedosa, e cauda longa e emplumada. A pelagem do Siamês, por sua vez, é bem curta, sem subpelo e rente ao corpo, de textura fina. Quando filhotes, são mais claros e, conforme tornam-se adultos, escurecem, mas sem perder os característicos ponteados nas patas, pernas, cauda e orelhas, além da inconfundível máscara no rosto. 

 

De acordo com a CFA, existem mais de 600 combinações de cores e padrões de Oriental. As variações mais comuns são: sólido, bicolor (duas cores), tabby (tigrado), shaded (sombreado) e smoke (esfumado). O Oriental, porém, nunca pode ser ponteado. Já o Siamês, sempre com a pelagem ponteada, é aceito nas seguintes cores: preto (seal), azul, chocolate, lilás, cinnamon, fawn, vermelho e creme. Elas podem ser apresentadas em três padrões diferentes: point, tortie ou tabby (rajado). A coloração mais recente do gato é a bicolor ponteada ou seychellois, que já é até reconhecida como raça à parte pela Fédération Internationale Féline (FIFe). 

 

 

Olhos coloridos

Os olhos amendoados de ambas as raças são semelhantes no formato, mas diferentes em cores. No Oriental os olhos são, preferencialmente, verdes em praticamente todas as cores de pelagem, podendo, porém, ser também amarelos ou cobre. A exceção se dá com os Orientais brancos que, além dos olhos verdes, podem ter olhos azuis ou odd eyes (quando o felino possui um olho verde e outro azul). O Siamês, por sua vez, se destaca por ter somente olhos azuis. E quanto mais intensa a cor, melhor. 

 

 

 

 

Foto: Arquivo do gatil By Yanko 

Orelhas grandes, pontudas, inseridas baixas e largas na base são ponto em comum tanto do Siamês (foto) como do Oriental


 

 

Semelhanças físicas

O corpo de ambos os felinos se assemelha, sendo longilíneo, esbelto, musculoso, com ombros mais largos que o quadril, de porte médio e elegante. A cabeça triangular, orelhas grandes - parecendo um “morceguinho” -, focinho proeminente e formato dos olhos, pequenos, amendoados e oblíquos, também pertencem a ambas as raças. Contudo, o Siamês nem sempre foi assim, pois a raça mudou bastante para chegar nesse felino anguloso e magro que conhecemos. Originalmente, ele tinha um corpo mais pesado e o rosto era mais redondo do que triangular. Conforme criadores ingleses começaram a desenvolver a raça, o felino foi ganhando novas características físicas. As marcações ponteadas se tornaram mais contrastantes, o azul dos olhos ficou mais intenso e o corpo foi alongado, tornando-se mais anguloso e esbelto. “Se você revisar os padrões no final do século XIX, o padrão Siamês sempre pediu um gato mais aerodinâmico do que outras raças. Nosso padrão sempre foi sobre elegância, graça e linhas, não círculos. O padrão Siamês raramente muda, mas os criadores estão selecionando para esse objetivo - de um estudo em linhas - há mais de 100 anos.” Da mesma forma que se deu com o Siamês, o Oriental teve suas características melhoradas através de cruzamentos com as melhores linhas de sangue. 

 

 

 

 

Foto: Arquivo do gatil By Yanko  

No Oriental, os olhos são preferencialmente verdes em praticamente todas as cores de pelagem

 

 

 

Falantes e afetuosos

As duas raças se notabilizam por estarem entre as mais falantes do universo felino. Miam por qualquer motivo: de fome à curiosidade. “Sempre têm um ‘comentário’ sobre tudo o que você faz. São deliciosamente falantes! E também reclamões”, diverte-se Maria Rita. “Um espirro é motivo para muita reclamação!”, brinca a criadora. 

 

  Curiosos energéticos

Esses bichanos são energia pura, adoram brincar e interagir com sua família. Mesmo depois de adultos, eles continuam sempre em movimento e dificilmente ficam parados durante muito tempo enquanto seus donos estão próximos. Ágeis e musculosos, saltam com extrema facilidade. Recomenda-se, portanto, oferecer brinquedos e enriquecer o ambiente para que eles não fiquem entediados.  

 

As raças Oriental e Siamês também se destacam por serem muito curiosas. Como são inteligentes, não raro esses gatos conseguem abrir compartimentos mal fechados. “Precisei chamar um amigo quase à meia-noite para destrancar a porta do banheiro social que ficou travada por uma gaveta que minha Oriental Havana conseguiu abrir para mexer em algo que até hoje eu não sei o que era. Ela ficou depois de um tempo desesperada, querendo sair. Ficou um pequeno espaço e quando a libertamos do banheiro, estava uma bagunça danada no chão”, conta Maria Rita. A criadora ainda cita seu Siamês Dog, que se comporta como um cachorro. “Atiramos seus brinquedos para que ele os traga de volta em sua boca, como um cão”, finaliza.

 

 

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Agradecimentos: 

 

MARY KOLENCIK 

Secretária do conselho da raça Siamês  na CFA (mdsiamese@yahoo.com);

 

MARIA RITA BRANDÃO 

Gatil By Yanko (www.by-yanko.com).