Como impedir fugas

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): ANDRÉ BARRETO | Colaborador(es): Jornalismo topco | Cidade: CAMPINAS | 18/09/2019 - 10:50

Não faltam determinação, esperteza e agilidade aos cães quando resolvem ir para a rua. Adotar estratégias que os mantenham na propriedade é dever de seus donos

Welsh Terrier: pelo de arame, duro, fechado e abundante

Welsh Terrier: pelo de arame, duro, fechado e abundante

Cada vez que o cão tenta fugir, espera conseguir algo que deseja muito naquele momento. Explorar a rua ou ter contato com outros cães e pessoas, por exemplo, ou então querer muito concretizar um ataque depois de ter se sentido provocado são algumas das motivações mais comuns das fugas. Mas não importa o motivo. É responsabilidade dos donos evitar que os cães escapem. Para tanto, existem estratégias que podem ser adotadas conforme cada caso. Explicá-las é o objetivo desta matéria.

Estratégias motivacionais: É preciso evitar as motivações que levam os cães a fugir.

Proporcionar atividade física e mental: 

Vida sedentária e monótona por falta de espaço, isolamento ou abandono precisa tornar-se mais estimulante. Isso é conseguido com atitudes como oferecer brinquedos interativos, passear mais, fazer socialização, dar mais atenção ao cão, convidá-lo mais para brincadeiras, praticar exercícios de adestramento com ele e outras atividades. Pode-se também introduzir um segundo animal em casa para um proporcionar distração ao outro.


David Bedard / Flickr Michelle Joyce / Flickr

Oferecer mecanismos que atenuem o medo:

O estouro de fogos e de trovões são exemplos clássicos de motivações para fugas. O cão que tem medo precisa contar com um abrigo para onde possa correr e se esconder (o ideal é uma casinha em local coberto, como um quarto ou garagem). Quando a data e o horário do evento amedrontador for previsível, durante sua ocorrência deixa-se o cão contido de forma segura. Antes do evento, pode-se preparar o animal deixando o mais relaxado com um longo passeio, alimentando-o em seguida e esperando que faça as necessidades para depois ficar com ele em um quarto com som ambiente e com as portas e janelas fechadas. Existe também a possibilidade de usar técnicas de dessensibilização para que o cão deixe de se desesperar com o que lhe causa medo.

Bloquear o instinto sexual

As fugas podem ser impedidas com um sistema de contenção seguro. Esse é um cuidado essencial da posse responsável, juntamente com outros como oferta de espaço suficiente para o cão se movimentar, ambiente limpo, água fresca e abrigo para os dias de sol, chuva e frio. Mostramos, a seguir, como assegurar uma contenção eficiente.

Alturas intransponíveis

A altura habilidade dele para saltar e escalar e a capacidade para superar seus próprios limites, características que são mais acentuadas nos cães com medo e nos não castrados.

Vãos insuficientes para passagem da cabeça:

Os espaços entre grades e sob o portão ou cerca assim como os vãos da tela não devem permitir que o cão consiga passar a cabeça por eles. Caso contrário, ele tentará também passar o corpo e fugirá ou ficará entalado.

Fechadura que não abre com as patas:

O ideal é deixar trancadas as portas ou portões que dão acesso à rua.

Evitar apoios que facilitem escaladas

Um erro comum é deixar caixas, cadeiras, vasos e até escadas perto de cercas, grades e portões, o que facilita a escalada dos cães. Não deve também haver espaço na trama do material de contenção que permita ao cão inserir a pata e escalar. Buracos que possibilitem apoiar as patas e escalar podem ser “selados” com chapa de ferro ou com tecido plástico, como lona, solução que também impede o cão de ver a rua, o que resulta em menos latidos. Outra opção, se for difícil evitar as escaladas, é impedir a passagem pela parte mais elevada da cerca, deixando-a inclinada para dentro da propriedade, com ângulo mínimo de 45 graus (veja foto ao lado) a máximo de 90 graus e maior que o comprimento do cão.

Forçar distância segura do muro ou cerca:

“Atapetar” o chão próximo ao muro ou à cerca com tela hexagonal de arame (tela de galinheiro) ou com cercado colocados alguns centímetros acima do chão dificultam que o cão pegue impulso para saltar e que se aproxime para escalar ou cavar uma passagem subterrânea.

Segunda porta ou portão

Com esse recurso, caso o cão consiga passar pela primeira porta ou portão, encontrará a segunda porta impedindo o acesso à rua

Estimular comportamentos seguros

Premie o cão quando você estiver com ele perto de portão, muro ou cerca e ele não se apoiar neles nem tentar passar (clique e dê petisco). Caso ele tente passar, diga “não!” no momento exato em que ele fizer isso e prenda-o imediatamente por cinco minutos. Após esse tempo, solte-o e continue recompensando os bons comportamentos

Traumas a evitar

Ao fazer contenção, fique atento para não causar problemas comportamentais ao cão.

Cerca elétrica para cães

Os fabricantes dos diversos modelos existentes alegam que produzem apenas um leve desconforto no cão, mantendo-o assim distante da cerca. Mas um desconforto leve tende a ser insuficiente para desestimular fugas. Por outro lado, se o choque for mais aversivo, poderá atingir o objetivo, mas causar trauma no cão, muitas vezes irreversível, tornando-o inseguro, medroso e até agressivo. Portanto, antes de usar esse equipamento, procure um profissional que ofereça orientação segura.

Corrente de contenção

Um cão preso com corrente pode se enrolar nela e se enforcar, além de poder ficar inseguro e agressivo, especialmente ao sentir medo. Sendo assim, na falta de contenção adequada, o melhor é deixar o cão dentro de casa e adaptá-lo à rotina da família.

 

André Barreto treina cães há 13 anos e é especialista em adaptação de cães para o convívio doméstico. Tels.: (11) 2503-7333 e 5093-6244. Site: www.andrebarreto.com