Eu e meu cão superamos o câncer juntos

Categoria: Saúde

Autor(a): Camila Rodrigues | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: CAMPINAS | 03/10/2019 - 12:05

Conheça histórias de superação que demonstram todo amor e carinho que os tutores têm por seus peludos

MirasWonderlan /istockphoto.com

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Com a chegada do outubro Rosa, campanha que conscientiza o combate e o diagnóstico precoce do câncer de mama, é importante que nos atentemos também à saúde de fêmeas.

“O câncer de mama é considerado um dos tipos mais comuns em gatas ou cachorras não castradas, pois os hormônios agem significativamente na etimologia da doença”, explica Renata Sobral, veterinária especialista em Oncologia da Onco Cane, de São Paulo. Ela salienta que 50% dos tumores encontrados são malignos. “A melhor forma de preveni-los é castrar antes do primeiro cio, pois a inibição de estímulos hormonais sobre a glândula mamária diminui o risco de desenvolvimento da doença”, complementa.

Como na maioria das doenças, um diagnóstico precoce e certeiro ajuda no tratamento. “Palpar é a melhor forma de detectar câncer de mama. Em casa, os tutores podem aproveitar aquele momento de relaxamento em que os cães ficam de barriga para cima, para acariciar e palpar toda a cadeia mamária no lado esquerdo e direito”, ensina Renata Setti, veterinária oncologista mestranda pelo AC Camargo Center e integrante do Veterinary Cancer Society.

Segundo ela esse exame também deve ser feito em toda consulta de rotina no veterinário. “Os nódulos mamários são firmes e com o crescimento podem causar pequenas feridas que não cicatrizam ou grandes lesões em forma de placas. Quando pequenos podem não manifestar sintomas, mas mesmo nódulos pequenos podem provocar metástases”, endossa Setti. A seguir, veja histórias de cães que enfrentaram a doença ao lado de seus tutores.

Castração necessária

Nina, uma Buldogue Francês de 3 anos, foi castrada apenas depois de adotada pela administradora de empresa Fabíola Tassia Ferreira, de São Paulo. “Nina era matriz de um canil no Rio de Janeiro e por algum motivo foi descartada. Ficamos sabendo por uma ONG que ela estava para adoção e como sempre gostei da raça, resolvi ficar com ela”, conta a tutora. Contudo, passados 6 meses da castração, a administradora notou um nódulo no pescoço da pet e levou-a ao veterinário.

“No consultório foi constatado que além do nódulo no pescoço, ela estava com um carocinho na cadeia sempre gostei da raça, resolvi ficar com ela”, conta a tutora. Contudo, passados 6 meses da castração, a administradora notou um nódulo no pescoço da pet e levou-a ao veterinário. “No consultório foi constatado que além do nódulo no pescoço, ela estava com um carocinho na cadeia da mama esquerda. A consulta e a coleta da amostra aconteceram em um sábado e na segunda, Nina já estava sendo operada, mesmo sem ter a resposta do laboratório. Em seguida, se comprovou que o nódulo era maligno”, conta a tutora.

Para conter os avanços da doença, Nina foi encaminhada para a oncologia e deu continuidade ao tratamento com sessões de quimioterapia.

“Ela teve que fazer seis sessões a cada 21 dias. O procedimento dura 15 minutos e o medicamento é diluído em soro”, conta Fabíola, ao falar que a pet costuma ficar sonolenta e amuada com o procedimento, mas depois de dois dias já está brincando pela casa toda. “Ela não apresenta metástase e está rumo à última sessão de quimioterapia, mas para nos certificar e prevenir, vamos retirar a outra cadeia mamária e efetuar os exames de controle a cada 3 meses, durante um ano”, conta a tutora.


Foto: Arquivo de Fabiola Tassia Ferreira - Nina no pós-cirúrgico 

Amor e dedicação

Foi por acidente que a professora universitária Ana Cristina Azevedo, de São Paulo, notou um caroço em Nina, uma Cocker Spaniel Inglês de 15 anos. “Estava fazendo carinho nela e percebi uma pequena protuberância próxima à mama. Eu sabia que poderia ser câncer, mas, no fundo, não achava que esse seria o diagnóstico”, relembra a tutora, que teve a confirmação quando o veterinário fez uma biopsia na cadela. E logo já foi operada. “Antes de descobrir o câncer, meu marido e eu, estávamos com a mudança para o Canadá agendada.

Optamos por operá-la rápido para que ela se recuperasse por completo antes de enfrentar uma viagem internacional”, conta a professora. Nina teve que retirar toda a cadeia mamária para a eliminação do câncer por completo para não ter chance de o câncer regressar. “Após a cirurgia, lembro de apoiar levemente a mão na barriga dela e ela gemer muito de dor”, diz. Nos primeiros dias, ela e o marido se revezavam para não deixar a peluda nem um minuto sozinha.

Só deixamos ela em paz quando estava usando a roupa cirúrgica, mas nunca por muito tempo. Levávamos comida e água para que ela não precisasse se levantar ou fazer muito esforço, além de bloquear a passagem da escada para que ela não fizesse esforço”, conta.

Nina, por ser idosa, foi submetida a apenas quatro sessões de quimioterapia após a cirurgia, ocasião na qual perdeu o apetite e tinha diarreia.


Foto: Ana Cristina Azevedo/ Arquivo pessoal

Cocker Spaniel Nina aproveita a neve com seus donos, René e Ana Cristina Azevedo e, de tão querida, virou rótulo da cervejaria do casal.

“Vale salientar que tivemos que usar luvas para limpar suas necessidades devido à toxicidade”, fala. Hoje, morando no Canadá há 3 anos, Nina está ótima e já enfrentou dois invernos com temperaturas de -22 °C. “Ela é a nossa maior alegria e esperamos que ainda tenha muitos anos de vida. Pelo menos, não vai ser por falta de carinho e nem por suplementos e vitaminas”, brinca Ana Cristina, queaté homenageou Nina nos rótulos de cerveja que produz de forma artesanal no Canadá. Não escolhe raça Barbie é uma cachorrinha sem raça definida (SRD) de 8 anos que desde muito nova passa por idas e vindas em hospitais veterinários.

“Quando a adotei, ela só havia sido vermifugada. Após alguns dias teve convulsões e foi diagnosticada com cinomose. Um dos veterinários que a atendeu me aconselhou a sacrificá-la, mas neguei e procurei ajuda de outros profissionais”, fala Glaucia Pelaquin, analista de sistemas sênior, de São Paulo. “Ela foi tratada da cinomose e reagiu superbem. Por ter um cuidado excessivo com ela, demorei a castrá-la, pois não queria que nada acontecesse”, lembra a tutora.

Contudo, quando foi levar a pet para realizar o procedimento, aos 7 anos, o veterinário percebeu que havia nódulos nas mamas. “Após a castração fizeram biópsia desses nódulos e, para o meu desespero, a veterinária pediu que eu procurasse um oncologista”, conta. Barbie foi submetida a quatro sessões de quimioterapia e exames regulares para verificar a quantidade de plaquetas no sangue, e os sintomas que a medicação poderia provocar. “Depois das sessões, ela fica sem apetite e com as fezes mais escuras, mas no dia seguinte já está ótima”, fala a tutora. “Ela está reagindo muito bem ao tratamento. Não mudou em nada. É uma cachorra muito ativa, companheira, brincalhona e detesta ficar sozinha”, enfatiza.

 
Fotos: Arquivo de Glaucia Pelaquin -Barbie em sessão de quimioterapia

Ajuda imprescindível

Graças ao Pretinho, um SRD de 5 anos de idade, a dona de casa Maria Celeste Marques Ferreira, de Itaquera, SP, descobriu um câncer de mama.Toda vez que chego em casa, tenho o costume de dar algo para ele carregar, nem que seja um jornal''.

Um dia, não entreguei nada e ele pulou em cima de mim, esbarrando em meu peito, que já estava machucado por ter batido em um ferro uns dias antes”, relembra. Graças a esse “esbarrão” do Pretinho, um caroço duro em seu seio esquerdo ficou mais perceptível.

“Fui ao médico para ver o que tinha acontecido e descobri que estava com um nódulo na mama”, relembra Maria Celeste. Após os exames, os médicos detectaram o câncer. “Se não fosse por ele eu nunca saberia que estava com a doença, pois o caroço não estava visível e não conseguia sentir direito”, salienta. “Com a descoberta precoce, pude fazer o tratamento e conter os avanços da doença”, diz. Se engana quem pensa que o pet só ajudou a “descobrir” o nódulo, pelo contrário, o cão também foi peça essencial na recuperação da dona de casa que contou com a companhia dele e de mais dois cães, Dana e Nico, da raça Husky Siberiano.

Nos momentos mais difíceis e de dor, eles estavam lá, cuidando de mim. São grandes companheiros”,finaliza Maria Celeste


Arquivo de Maria Celeste Marques Ferreira - Preto: o verdadeiro anjo da guarda de Maria Celeste