Prepare seu cão para as festas de fim de ano

Categoria: Educação/ Consultório

Autor(a): Cassia Rabelo Cardoso dos Santos | Colaborador(es): JORNALISMO TOPICO | Cidade: CAMPINAS | 21/11/2019 - 12:49

Estas dicas ajudarão você a lidar com o medo do cão a fogos de artificio e a evitar que ele roube comida na mesa

iStock/© fly_dragonfly

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Durante a balhureira o cão deve ser deixado a vontade em seu refúgio. Quando os festejos de final de ano são anunciados muita gente começa a se afligir com o que vem pela frente. Nessa época alguns problemas comportamentais do cão podem se tornar bem incômodos. Por exemplo, ninguém merece roubo do peru na hora da ceia. E, quanto maior o cão, maior a facilidade para ele explorar com o focinho as gostosuras em cima da mesa. Se os estouros dos fogos fizerem o fiel amigo entrar em pânico, a comemoração da entrada no Ano Novo poderá ser bastante tumultuada. Sem falar nos trovões das chuvas de verão, que podem resultar em buscas atrás do cão fugitivo no meio do aguaceiro. O impacto de situações estressantes como essas, porém podem ser evitados ou bastante reduzido com algumas dicas.

ROUBO DE COMIDA

É normal um cão saudável e com peso dentro da média tenha bom apetite. Mas alguns são vorazes demais, difíceis de controlar. Há até estudos que tentam identificar quais características genéticas estão ligadas à voracidade, como um que foi publicado sobre a base genética da obesidade nos Labradores (encontra-se no https://www.caes-e-cia.com.br/materias/ler-materia/690/obesidade-em-pets-reduz-expectativa-de-vida ). Raças selecionadas para caça, como os Beagles, tendem a estar esfomeadas o tempo todo. É um comportamento que até pode contribuir para manter o interesse pela presa, mas tanta gula não é bem-vinda nas confraternizações familiares. E como agir quando não foi possível preparar o cão para ser bem-comportado ao ver comida? Sugeriremos, em seguida, algumas providências com potencial para reduzir significativamente os ímpetos de abocanhar gostosuras. Mas lembre-se que, no futuro, quando você resolver ensinar obediência básica ao cão, um comando poderá ser suficiente para controlar os impulsos gastronômicos dele.

CANSE O CÃO ANTES DA FESTA

Algumas poucas horas antes do evento, faça um passeio longo e vigoroso com o cão. Com isso, ele terá menos energia para atividades como dar uma espiada na mesa e, quem sabe, conseguir alguma guloseima.


Stock/© Blindturtle

ENCHA A BARRIGA DELE PREVIAMENTE

Alimente bem o cão antes da reunião familiar para diminuir o interesse dele por comida. Além disso, quando for servir a refeição aos convidados, ofereça antes ao cão um osso novo, do tipo que ele mais gosta. Ou, então, dê um brinquedo daqueles que desafiam a tirar comida de seu interior (alguns modelos permitem até que a comida esteja congelada, o que prolonga a duração do entretenimento). Cansado depois de passear, de barriga cheia e ainda entretido com as delícias especialmente oferecidas para ele, provavelmente participará da confraternização familiar sem incomodar. Bem me- lhor do que ter de isolá-lo e deixá-lo ansioso num momento que deveria ser de descontração e bom convívio.

MEDO DE FOGOS

Cães com receio de estampidos costumam salivar em excesso, perdem o apetite, ficam ofegantes e procuram o tempo todo um lugar seguro para se esconderem (geralmente menor que eles). Há também os que fogem ou acabam se machucando ao tentar pular uma cerca ou muro, por exemplo. Se não deu para começar a preparar o cão para que os estrondos sejam aceitos com naturalidade, algumas dicas poderão ser úteis na hora-h. Vamos a elas, mas assim que o novo ano começar consulte um especialista em comportamento animal. Por meio de treinos, é possível minimizar as reações de medo dos cães ao ouvirem estrondos.

DURANTE OS ESTOUROS

Distraia o amigo canino com os brinquedos de que ele mais gosta, tornando aqueles momentos os mais prazerosos possível. Petiscos também podem ser oferecidos. O objetivo desses cuidados é tentar uma associação positiva com os barulhos.

NAS DEMOSTRAÇÕES DE MEDO

Transmita segurança. A família deve agir normalmente, como se nada estivesse ocorrendo. Deixe o cão à vontade. Se ele quiser ficar deitado no seu colo, permita. Comece uma interação para distraí-lo, do tipo mencionado no tópico anterior. Só não mostre pena dele nem se abaixe para confortá-lo: se ele entender que a pessoa também está com medo, ficará mais inseguro.

DEXA QUE SE ESCONDA

Se ao ouvir estampidos o cão buscar um local para se esconder, não o impeça. Providencie um cômodo livre para ele se aninhar lá. Se for possível, comece a acostumá-lo ao lugar pelo menos alguns dias antes. Brinque com ele naquele ambiente e, assim, ao se abrigar lá, ele tenderá a se sentir mais seguro por já ter feito uma boa associação antes.

ABAFE OS ESTAMPIDOS

Se onde o cão entrou à procura de abrigo dos estouros houver janelas e portas que possam abafar a barulheira, feche- as. Um rádio com música tranquila em volume mais alto que o habitual melhorará ainda mais o ambiente para o cão. É válido também tornar menos audíveis as explosões colo- cando nos ouvidos dele algodão ou protetores auriculares para cães.


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CUIDADO COM FUGAS

Cão amedrontado pode tentar fugir para longe do barulho. Para evitar fuga, deixe-o dentro de casa com as portas e portões bem fechados e elimine vãos e outras vias de escape nas cercas. Além disso, mantenha uma plaquinha de identificação na coleira do cão, com o nome dele e um telefone para contato.

SEGURANÇA

Não se esqueça de verificar se o local onde o cão fica abrigado nas situações que o amedrontam é seguro e livre de perigos. Alguns cães chegam a quebrar portas de vidro, podendo se ferir gravemente.

MEDICAÇÃO

Se o caso do seu cão é caracterizado como fobia em alto grau, é indicado consultar um veterinário de confiança. Ele poderá prescrever medicamentos ansiolíticos, se for o caso.

CONCLUSÃO

As dicas desta matéria permitem amenizar o pavor do cão e mantelo em segurança. São, portanto, um grande passo para evitar acidentes e permitir que todos curtam a passagem do ano!

 

Cassia Rabelo Cardoso dos Santos é adestradora e consultora comportamental na Cão Cidadão.