Mundo gourmet chega ao mercado pet: como fazer a melhor escolha?

Categoria: Convivência

Autor(a): Camila Rodrigues | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas | 24/02/2020 - 15:05

Será que essas novas fórmulas trazem benefícios aos pets ou são apenas chamarizes para tutores ultrazelosos? Descubra!

Foto: arquivo de Carolina Rodrigues Ishii

Foto: arquivo de Carolina Rodrigues Ishii

Já foi o tempo em que os tutores tinham que escolher entre carne ou frango na hora de comprar ração para seus cães. Hoje, com o avanço da indústria pet food, as gôndolas estão repletas de opções para atender à demanda de seus clientes e agradar ao paladar de seus consumidores de quatro patas. Entre as novidades estão os ingredientes já conhecidos da alimentação humana: mandioca, batata-doce, que é ótima aliada no controle glicêmico, proteínas orgânicas e produtos sem glúten ou corantes artificiais. Mas será que toda essa reformulação alimentar traz benefícios à saúde do animal ou é um artifício para chamar a atenção dos consumidores ávidos por novidades, a chamada gourmetização dos alimentos? Para a tutora de primeira viagem e advogada, Carolina Rodrigues Ishii, de São Paulo, a escolha desses alimentos não se dá pela propaganda glamorosa feita pelas marcas, mas sim, por se assemelhar ao seu estilo de vida saudável e consumo consciente dos ingredientes. Além disso, a tutora quer o melhor para Clotilde, sua Pug de 4 meses. “Já tenho o costume de consumir produtos orgânicos no meu dia a dia e seria contraditório oferecer uma ração cheia de corantes e ingredientes de baixa qualidade para ela”, relata. “Tenho plena consciência de que oferecendo uma alimentação saudável, ela terá uma vida longa e cheia de energia”, alegra-se Carolina.

Gourmet ou saudável, qual o termo certo?

Segundo Letícia Tortola, médica-veterinária especializada em nutrição animal pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Jaboticabal, SP, a nova demanda por rações mais elaboradas não deve ser vista como “gourmetização”, mas sim como uma alternativa focada em oferecer ingredientes de qualidade com o intuito de fortalecer a saúde dos animais. “Muitos desses alimentos industrializados, que nós popularmente chamamos de ração, têm como foco um cuidado superior na escolha dos ingredientes utilizados, com elevada quantidade de carnes, cereais integrais ricos em fi bras e ingredientes vegetais altamente digestíveis. Além disso, procuram ser sem corantes e aromatizantes artificiais e conservados naturalmente”, explica. Letícia diz que os aromatizantes/palatabilizantes naturais vêm, normalmente, do fígado de aves ou suínos. “A função desses aromatizantes naturais é deixar o alimento com sabor natural de carne, garantindo que o pet se alimente para se manter forte e saudável”, completa.


Reprodução: Aurok Pet

Saiba escolher

Antes de se deixar seduzir por embalagens atrativas, procure conhecer a procedência dos componentes descritos nos rótulos. “O controle de qualidade é extremamente importante para assegurar que a matéria-prima utilizada não contém contaminantes (microtoxinas e metais pesados), e seja de alta qualidade, independentemente da categoria do alimento”, relata a especialista. Para avaliar um produto, Letícia recomenda que tutores optem por empresas sólidas no mercado, que prezem por um rigoroso controle de qualidade em seu processo de fabricação e também pelo bem-estar animal. “Empresas comprometidas realizam pesquisas internas para avaliar a qualidade dos alimentos fabricados. Entre as análises estão a de digestibilidade, que avalia a quantidade de absorção pelo animal de cada um dos nutrientes presentes no alimento, e pH urinário, importante para a manutenção da saúde do trato urinário, principalmente em gatos”, atesta.

Novidades são bem-vindas!

Outro chamariz das rações gourmets para pets é o uso de diferentes proteínas, além dos tradicionais “sabor carne e frango”. A veterinária explica que além da variação de sabor dos alimentos, elas devem garantir o fornecimento de todos os nutrientes essenciais. “Os animais não tendem a enjoar do alimento. Isso acontece, geralmente, devido à humanização, quando tutores oferecem petiscos (alimentação humana) que são mais atrativos para o animal e, por isso, acabam recusando a ração”, explica. Além de disponibilizar um cardápio diversifi cado, Letícia explica que quando o animal não apresenta alergia alimentar causada por alguma proteína não importa se a proteína oferecida ao pet é cordeiro ou frango, o mais significativo é a procedência e a quantidade de alimento que está sendo ofertada. “Mais importante que o sabor é que essa proteína seja de qualidade para fornecer os aminoácidos essenciais para o desenvolvimento do pet”, salienta.

Sem glúten e transgênicos

Letícia é enfática ao dizer que ainda não há estudos que comprovem que alimentos sem glúten (substância presente em cereais) contribuem na longevidade do animal e a casuística da alergia ao ingrediente é extremamente rara em pets. “O que realmente ajuda na conservação da saúde é o uso de ingredientes de alta qualidade que possuem todos os nutrientes essenciais”, diz a veterinária, que só conhece casos de alergia a glúten na literatura veterinária e em cães da raça Setter. Já a opção de rações livres de transgênicos apresentam o mesmo cenário. “Até o momento, também não existem estudos que demonstrem seus malefícios para a saúde dos pets”, finaliza Letícia