8 soluções para problemas da humanização de pets

Categoria: Convivência

Autor(a): Paulo César Pinto | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas | 24/02/2020 - 15:38

Não caia no erro de atribuir aos pets necessidades e características humanas e garanta uma boa convivência com eles

Foto: damedeeso/iStockphoto.com

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Com a convivência mais próxima entre pets e seus tutores os peludos estão ganhando cada vez mais qualidade de vida. Contudo, alguns exageros e falta de informação sobre as necessidades básicas dos animais estão trazendo problemas físicos e comportamentais a esses fiéis amigos. Isso tem sido muito observado por profissionais ligados à área comportamental e veterinários. A principal causa desse problema é a humanização ou antropomorfismo, uma linha de pensamento que atribui aos nossos pets características e necessidades humanas, fazendo com que as necessidades específicas da espécie não sejam respeitadas. Isso pode lhes causar problemas comportamentais e físicos, além de sofrimento. Ao tratarmos nossos pets como humanos estamos limitando os comportamentos naturais deles. Muitos animais de estimação entram para a família a fim de substituir a companhia humana, fazendo com que, mesmo sem ter a intenção, alguns tutores atrapalhem a evolução e a natureza de seus companheiros.

Se respeitarmos as necessidades naturais dos animais de estimação, como os passeios diários, que cães precisam ter, certamente a convivência do pet em família será cada vez melhor. Humanizar tem seu lado bom, pois o animal deve, sim, fazer parte da família, mas é preciso resguardar a essência desses seres que são nossos melhores amigos. Veja, a seguir, quais são os principais problemas da humanização e como solucioná-los.

1. Não tolera outros animais

Muitas vezes não levamos nossos cães a parques ou praças para que não se sujem. Tal atitude evita que aprendam a se comportar com outros cães, resultando em adultos medrosos ou agressivos e que não deixam que outros animais cheguem perto deles ou dos donos. A solução é, mesmo quando filhote, apresentar o amiguinho a outros animais e deixar que ele brinque com eles, sempre supervisionado a interação. Assim, o pet aprenderá que outros animais existem e entenderá que deve se comportar na presença deles. Se seu cão ainda não puder ir a parques por causa do ciclo vacinal, converse com seu veterinário sobre ele sair em uma bolsa por enquanto, de carro ou ir à casa de familiares e amigos que tenham animais sadios e vacinados.

2. Agressivo com pessoas

Alguns cães se tornam agressivos e até chegam a morder pessoas desconhecidas ou que convivam pouco com a família, mesmo que sejam recebidas na presença do tutor. A causadora desse problema é a chamada falta de socialização. Para evitá-lo, leve seu pet a diversos lugares como shoppings, parques, casa de amigos e familiares, enfim, ele precisa ser apresentado desde cedo aos diversos estímulos, pessoas diferentes, barulhos diversos e assim por diante. Algo frequente e que é muito prejudicial para o cão é dar colo ou oferecer proteção a ele caso lata ou ataque alguma visita. O cão que é recompensado com um carinho nessas situações vai agir dessa forma sempre. Então, ao receber pessoas em sua casa, faça dessa ocasião um momento agradável também para o cão, estimulando-o a brincar com a visita e não permita que ele fique todo o tempo em seu colo, lhe protegendo das pessoas.

3. Tudo é meu!

Ao deixarmos que nossos pets fiquem sobre móveis ou que peguem nossos pertences quando bem entenderem, estamos também contribuindo para que sejam agressivos conosco e possessivos com objetos. O animal precisa de limites! Nossa permissividade no dia a dia coloca a saúde dele em risco e ainda deixa sua mente confusa. Pode parecer estranho, mas cães gostam de regras claras e uma rotina pré-definida. Então, ensine seu peludo a descer quando você pedir e a entregar objetos e brinquedos para você e para outras pessoas, assim, ele se tornará cada vez mais sociável e brincalhão. Um bom exercício é dar um brinquedo para ele e brincar junto, depois você troca por outro e continua a brincar. Esse treinamento o fará entender que você pode pegar o que está com ele a qualquer momento. É importante fazer esse exercício com outras pessoas também.

4. Destruição de objetos

Quando não deixamos claro quais são os brinquedos deles e quais são nossos pertences, eles acabam, muitas vezes, destruindo o que não devem para chamar a atenção. Brinque ou deixe ao alcance dele apenas objetos que ele possa pegar. Caso ele pegue algo que não é permitido, diga um “não” firme e troque por outro objeto com o qual ele possa brincar.

5. Bagunça quando está só

Muitos cães ficam estáticos ou latem e uivam por horas quando seus donos saem de casa. Eles chegam até a destruir portas e a machucar suas patas e boca na tentativa de sair de casa para irem atrás do dono. Essa síndrome, em que o cão não consegue ficar sozinho de forma tranquila em casa, é chamada de ansiedade de separação por especialistas. Para evitar esse tipo de problema devemos ensinar ao cão que ele tem atividades para fazer longe de nós, dando brinquedos mesmo quando estamos em casa e deixando-o brincar e se divertir sem que precisemos participar. Além disso, no dia a dia, não devemos fazer grandes despedidas ao sairmos de casa, nem festa ao chegar, pois tais atitudes aumentam a ansiedade dele. Como dica, pratique pequenas saídas, indo até a lixeira sem levá-lo consigo, por exemplo. Dessa forma, o animal de estimação aprenderá que ele pode ficar só, sem maiores preocupações.

6. Lambe-lambe nas patas

Por terem cães pequenos, muitos proprietários acham que eles não precisam passear, afinal já gastam a energia brincando e se movimentando dentro de casa. Porém, passear é uma necessidade da espécie, pois é nas voltinhas que se distraem, conhecem novos cheiros e sons e se exercitam. Faça dos passeios uma rotina e deixe ele se divertir nesses momentos. Em pouco tempo você notará o quanto ele mudará e se tornará mais ativo e menos ansioso, reduzindo lambeduras excessivas nas patas, uma compulsão que causa falha na pelagem, ferimentos no local e infecções nas patas e na boca.

7. Depressão canina

Muitos animais começam a se tornar apáticos e tristes para tudo e, muitas vezes, os causadores disso somos nós, que achamos que eles só precisam do nosso amor e carinho para viverem bem. Errado! Esse comportamento é gerado por falta de atividades que estimulem o cérebro dele. Brinquedos com petiscos dentro, objetos escondidos pela casa e novos truques são excelentes atividades. Existem muitos artigos ligados a essas atividades que chamamos de “enriquecimento ambiental”. Então, novamente, a rotina de passeios, de socialização com outros cães e com pessoas diferentes fará do pet um animal mais feliz.

8. Acessórios demais

O uso de roupas sem que haja uma necessidade real impede que os pets se limpem e se cocem com naturalidade, o que pode causar problemas de pele ou compulsões como, rodar atrás do próprio rabo e perseguir sombras. Portanto, evite os excessos de pingentes, joias e outros acessórios sem função. Colocar para tirar uma foto ou em um evento não tem problema, mas fazer disso um hábito é errado. Roupas só devem ser usadas no inverno e se seu amigo demonstrar que sente frio. Normalmente os mais peludos não precisam, apenas raças peladas ou com poucos pelos. Nesses casos, opte sempre por roupas com tecidos naturais e apropriadas para eles, evitando alergias e outros problemas de pele.