Old English Sheepdog: amigo bem-humorado

Foto: Arquivo canil Suffolk/ Cão: YANG Shetland of Suffolk – Manutenção da pelagem e porte grande (machos podem ultrapassar os 61 cm na cernelha) minaram a popularidade da raça no mundo

Com aparência de ursão de pelúcia, a raça fez sucesso na década de 1990 no Brasil

Quem tem pouco mais de 30 anos se lembra bem da personagem Priscila, do programa de televisão TV Colosso, que representava um cão da raça Old English Sheepdog, cujo próprio nome sugere, foi desenvolvida para pastorear ovelhas na Inglaterra. Embora seja considerado um cão britânico nativo, acredita-se que seu real ancestral seria derivado dos Pastores Europeus dos tipos Owtcharka e Bergamasco cruzados com cães pastores da Inglaterra. Por muito tempo, foi chamado de bobtail, mas esse apelido não é mais utilizado, mesmo que ainda conste no padrão oficial da raça da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC/FCI). Com o fim do corte da cauda dos exemplares, o nome não faz mais sentido.  

Atualmente, existem poucos exemplares dessa raça até em seu país de origem, a Grã-Bretanha, onde ainda é considerada popular. Segundo o The Kennel Club, nos últimos 10 anos o número de registros se mantém entre 300 e 500 cães da raça, em média, por ano. Contudo, em 2020, houve queda considerável: apenas 153 Old English Sheepdogs foram registrados no país. 

No Brasil, a raça teve o seu auge na década de 1990, graças à já citada série TV Colosso. Porém, de lá para cá, sua popularidade vem apresentando queda, se mantendo em uma média de 40 a 50 exemplares registrados por ano. Em 2019, por exemplo, foram 47 exemplares registrados de acordo com relatório da CBKC. 

Na foto, filhote fêmea de 3 meses: a raça permanece brincalhona e alegre até a idade adulta – Foto: Arquivo canil Suffolk/ Cão: Magnólia Shetland of Suffolk

Mesmo “em baixa”, a raça não corre risco de extinção. Se depender das criadoras Elânia Cauduro e Myrian Borba, do canil Suffolk, de Porto Alegre, então, isso está longe de acontecer. “Trabalhamos arduamente em prol da raça”, garante Elânia, que atribui essa fama de raça extinta à falta de registros por parte de tutores. “Muitas vezes, proprietários que têm a raça e, por vezes, têm ninhadas, simplesmente não registram os filhotes nos clubes filiados à CBKC. Por isso que a raça não aparece de forma expressiva nas estatísticas de registro por raça”, opina a criadora, que, assim como Myrian, se dedica à raça desde a década de 1980. 

“A pelagem da raça requer escovação periódica, caso contrário, formará nós, fazendo com que muitos desistam dela por isso”, acrescenta Elânia. Myrian concorda, e ainda acredita que criadores da raça desistam de participar de exposições pelo mesmo motivo. “Manter o pelo em boas condições para as pistas leva tempo, afastando criadores que desejavam participar de tais eventos”, diz. O que é uma pena, já que o aspecto de ursão de pelúcia gigante é um dos atrativos da raça. Ambas as criadoras, inclusive, se apaixonaram pela raça justamente por essa característica.  

Temperamento

“Dócil e de caráter sem igual. Corajoso, fiel e confiável; não é de forma alguma tímido ou agressivo se não for provocado”, assim é descrito o temperamento da raça no padrão CBKC/FCI. “Seu destaque é a inteligência. São eternamente brincalhões, carinhosos e apaixonados pelos seus donos. Ter um Old English em casa é ter uma querida e eterna companhia que sempre está de bom humor”, acrescenta Elânia. “A principal particularidade da raça é a proximidade ao seu dono. Ele procura estar sempre ao seu lado”, aponta Myrian.

Função e aptidões

Em sua origem, o Old English era um cão do campo bastante amigável. “Se destacavam na condução de ovelhas, pois não as lastimavam com mordidas, se posicionando com latidos, além de serem obedientes às ordens recebidas. Adquirem a obediência trabalhando desde pequenos, instintivamente e observando os adultos. Com treinamento, ela pode ser aperfeiçoada”, descreve Myrian. Hoje, esse cão é usado para companhia e toda essa proteção da raça que era direcionada às ovelhas, agora, é exclusividade de seus donos, em especial crianças, com quem convive muito bem.

O Old English também serve como cão de guarda por seu latido que amedronta qualquer intruso. “Possui um timbre de voz/latido inigualável, lindo e grave. Não é agressivo, mas corajoso o suficiente para impor respeito”, destaca Elânia.

Pelagem

 Segundo o padrão oficial da raça (CBKC/FCI), o Old English é um cão abundantemente peludo, dotado de pelagem resistente ao clima. “Serve como proteção do frio, calor e até da chuva”, acrescentam as criadoras. Myrian recomenda manutenção quinzenal ou até mesmo mensal da pelagem, com banhos e escovação, com uso de escova de pinos de metal. “A tosa nunca deve ser feita. A não ser um leve recorte para higienização”, alerta Myrian.


Por: Samia Malas

Agradecimento: Elânia Cauduro e Myrian Borba, canil Suffolk – www.canilsuffolk.com.br


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