7 respostas às principais dúvidas sobre castração de cães

Especialistas desmistificaram as preocupações mais recorrentes em consultórios veterinários sobre o procedimento

Por Samia Malas

shironosov/iStockphoto.com

Quem tem pets em casa e lê a revista Cães & Cia sabe de todos os cuidados que eles necessitam – e olha que a lista é grande! Mas já se perguntou o que você realmente sabe sobre castração? Se você respondeu que é um método preventivo de cruzas indesejadas e de doenças, você está certo. Entretanto, há muitas outras dúvidas e crenças que agem como grandes obstáculos e levam os tutores a adiarem o procedimento em seus companheiros. Com a finalidade de solucioná-las, conversamos com quem lida com a castração diariamente, ou seja, médicos-veterinários e especialistas em reprodução animal.

1. Quando devemos castrar as fêmeas?

Essa questão é realmente polêmica e ainda diverge entre os veterinários. Para Fernanda Ribeiro da Silva Aoki, médica-veterinária do Centro de Saúde Animal Jardins, de São Paulo, os tutores devem optar por castrar suas cadelas após o primeiro cio, que ocorre entre o 6º ou 9º mês de vida. Dessa forma, Clair Oliveira, médica-veterinária doutora em reprodução animal pela Universidade São Paulo (USP), explica que os hormônios sexuais, produzidos nesta fase, irão ajudar no desenvolvimento dos genitais externos evitando, assim, que a vulva permaneça infantil. “Atualmente, muitos estudos relatam que a influência hormonal do primeiro cio é benéfica para o bom desenvolvimento muscular e ósseo da paciente, evitando tumores ósseos no futuro, além do excelente desenvolvimento dos órgãos genitais urinários”, expõe Fernanda. Contudo, há veterinários que recomendam a castração antes do primeiro cio ou no máximo entre o primeiro e segundo cios com o objetivo de prevenir tumores de mamas, bastante graves em gatas. “A influência hormonal pode ser maléfica, aumentando a chance de o animal desenvolver tumores de mama”, enfatiza Fernanda. Contudo, Clair alerta que a cadela não precisa ter uma ninhada antes de ser castrada, isso sim é um mito.


Especialistas indicam castrar fêmea após o primeiro cio para não interromper a formação dos órgãos sexuais. Foto: iStock.com/didesign021 

2. Medo da anestesia

Temer que o pet não acorde da anestesia geral é outro fator que impede que muitos tutores submetam o pet à cirurgia. Mas os especialistas entrevistados nesta reportagem garantem que, se bem feita e aplicada por um profissional, as chances de problemas com anestésicos são mínimas. “Entretanto temos que levar em consideração que existe a reação individual do animal ao medicamento, por isso o proprietário precisa estar ciente dos riscos”, explica Clair. Ela informa que o choque anafilático causado por alergia do pet à substância ministrada é umas das consequências que não se pode prever e evitar. A médica-veterinária Yasmin Fernandes, do Hospital Sena Madureira, de São Paulo, informa que há outros meios para diminuir os riscos, além de escolher um profissional capacitado. “A realização de exames pré-anestésicos antes da operação como hemograma da função renal, hepática, testes de coagulação e eletrocardiograma diminui as chances de acontecer alguma complicação”, diz a veterinária.

3. A recuperação é muito dolorosa

Tutores têm receio de que o processo seja muito doloroso para o animal. De fato, a dor é algo que o pet pode sentir, mas o que determina sua intensidade é a forma como a cirurgia é conduzida. “Quanto maior a manipulação feita durante a cirurgia, maior será a dor por causa dos traumas causados”, explica Clair. Porém, o uso de analgésicos associados ou não a anti-inflamatórios no pós-operatório alivia possíveis desconfortos. “Principalmente em machos, pelo edema que pode ocorrer em função da retirada dos testículos”, acrescenta a veterinária.

4. Ele vai ficar gordinho?

Essa é outra preocupação presente entre tutores de gatos e cães e, infelizmente, eles estão certos em ficar receosos com os quilinhos extras que podem ser adquiridos. “animal castrado tende a ganhar peso. Contudo, já existem no mercado rações específicas para pets castrados que contribuem para a manutenção do peso ideal”, indica Yasmin, e salienta que mesmo ofertando esse tipo de alimento de baixo índice calórico, os tutores devem levar seus pets para passear e realizar atividades que ajudarão a evitar o sedentarismo. Algumas raças têm tendência a desenvolver a obesidade”, alerta Clair, e lembra que o ganho de peso pode também estar atrelado a fatores genéticos do animal, não somente ao procedimento de castração.

5. Perda dos instintos

Entre os mitos mais disseminados estão a perda da capacidade de vigiar a casa, principalmente para quem tem cão de guarda, e a esperança de que com a cirurgia a indesejada marcação de território cesse.Com a castração, o macho deixará de marcar território, mas pode acontecer de continuar fazendo xixi pela casa, fora do lugar estabelecido pelo tutor. Para cessar esse comportamento, é preciso ensiná-lo a não urinar na residência”, indica Clair. Nem sempre fazer xixi pela casa está relacionado com demarcação de território. Animais mais velhos que já têm esse comportamento não costumam mudar”, relata Marcelo Dantas, veterinário da ONG Paraíso dos Focinhos, do Rio de Janeiro-RJ, que faz cerca de 20 castrações por mês somente na ONG. Já em relação à guarda, é essencial lembrar que raças selecionadas para executar tal função não perdem seus instintos após a castraçãoO comportamento de um animal não é comandado apenas por hormônios”, complementa o veterinário.

6. Preciso castrar um cão idoso?

Quando feita em animais já idosos, isto é, acima de 9 anos, e com mais chance de complicações médicas, Marcelo orienta que os profissionais peçam exames específicos como hemograma e bioquímica para avaliar padrões sanguíneos e funções hepáticas e renais, raio-X de tórax para avaliar pulmões e silhueta cardíaca, antes de castrar o animal. “Eles devem passar por uma avaliação cardiológica caso seja necessário estabilização para a anestesia”, relata o profissional. “Caso tenha alterações nos exames, a cirurgia deve ser feita apenas após tratamento da doença detectada”, complementa o profissional que indica a anestesia inalatória para os pets idosos, por ser mais segura.

Procure fazer todos os exames pré-operatórios antes de castrar seu pet idoso; eles são indispensáveis para uma operação de sucesso.

7. Ele só fica em casa e vive sozinho

Segundo Fernanda, a castração é indicada para todos os animais, mesmo aqueles que não tenham contato com pets do sexo oposto, pois o procedimento não é só designado para prevenir cruzas indesejadas, mas sim, para aumentar a qualidade de vida do animal. “Os machos podem desenvolver algumas doenças devido à infl uência hormonal, como tumor de próstata, testículos, prostatite (inflamação das glândulas da próstata) e estão propensos a doenças endócrinas. Já as fêmeas, podem desenvolver inflamação dos cornos uterinos (piometra), gestação psicológica, tumores na mama, metástase pulmonar e outros males”, lista a veterinária.


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