Acabe com as reclamações dos vizinhos com medidas simples

Grande parte dos administradores de prédios e condomínios aponta os cachorros como um dos principais motivadores de reclamações e até de brigas entre vizinhos. Porém, a grande verdade é que, na maioria dos casos, trata-se apenas de provocação. Ou seja, um vizinho reclama do barulho da festa e como retaliação o outro reclama do barulho do cão. Na maioria dos casos, o bom senso poderia prevalecer, mas não é o que ocorre. Saiba agora como evitar atritos desnecessários com a vizinhança.

Nas casas

Quem pensa que morar em casa é a solução para se livrar das reclamações de vizinhos se engana. Elas podem vir a qualquer momento
 

Latidos: a maior fonte de reclamações
 
Se o cão tiver acesso direto ao portão da frente, pode latir para tudo que se move e passa diante dele. Por isso, uma ótima ideia é mantê-lo dentro de casa. Outra opção é vedar o portão ou não permitir acesso à parte frontal da propriedade. Há também caso de filhotes que choram muito quando recém-chegados.
 

Wayne e Patricia Primeau
Campeão de reclamações: latidos de cão que ficou sozinho

 
Agressividade: risco de mordidas e de fugas

Cães que ficam soltos com acesso ao portão passam a proteger a casa. Latem e até mesmo tentam morder quem passa ou se aproxima. Prestadores de serviços, como medidores de água e luz, carteiros e entregadores, podem ser vítimas de mordidas ao tentar tocar a campainha. Além disso, o cão agressivo pode desenvolver a habilidade de fugir, escalando ou abrindo o portão para pegar o “invasor”. Portanto, manter o cão dentro de casa ou no quintal dos fundos é a melhor opção, inclusive para proteger o animal de possíveis vinganças, como envenenamento.


Em prédios e condomínios
Quanto mais próximo o vizinho, maior é a possibilidade de o seu cão incomodar alguém. Portanto, para dividir áreas comuns e até paredes, todo cuidado é pouco

Latidos: de novo a principal reclamação
Latir é algo natural e saudável para o cão. Assim, latidos por barulhos diversos, desde o toque da campainha até outros latidos, são bem comuns e não devem ser repreendidos. Mas, quando ocorrem em excesso ou em horários inoportunos, precisam ser controlados por meio de treinamento. Na maioria dos casos, a motivação da vocalização excessiva é a falta de atividade física e mental. O problema pode ser resolvido com passeios frequentes, atividades interativas e companhia. No entanto, quando os latidos ocorrem durante a noite ou na ausência dos donos, a motivação principal costuma ser a ansiedade por separação – distúrbio comportamental  relacionado à dificuldade em permanecer sozinho. Nesse caso, o proprietário precisa consultar um especialista para resolver o problema do cão. As edições 385 e 386 da revista Cães & Cia contêm informações adicionais sobre como lidar com o excesso de latidos.


Daily News America

No elevador: dê prioridade às pessoas
Tenha em mente que o seu vizinho pode sentir medo ou desconforto na presença do seu cachorro. Portanto, o ideal, sempre que possível, é perguntar se a pessoa não se importa em dividir o elevador com o pet antes mesmo de entrar. Afinal, esperar a chegada do próximo elevador não é tão difícil assim. Outra dica é manter os cães pequenos no colo, o que evita incômodos para quem não gosta de cães. 
No caso de pets agressivos, é essencial o uso de focinheira ao frequentar qualquer espaço público. Ensinar ao cão exercícios básicos de obediência, como o “junto”, “senta” e “fica”, ajuda na condução dele no elevador e nas áreas comuns. Evite também circular com ele nos horários de maior movimento.
 
Treinamento: cão educado não incomoda ninguém
A falta de controle do dono sobre o cachorro em áreas comuns também costuma gerar reclamações. Portanto, educar o cão para se comportar adequadamente enquanto circula pelo condomínio, andando calmamente na guia ao seu lado, é um ótimo exemplo de cidadania. Pular ou encostar o focinho nas pessoas, andar solto, ser agressivo, fazer  necessidades nas áreas comuns são as principais reclamações.
 
Banheiro do cão: deve ser tão limpo quanto o seu
Usar a área de serviço e a varanda do apartamento como banheiro para o cão é uma prática comum. Mas, se esses espaços não forem limpos frequentemente, o mau cheiro poderá incomodar os vizinhos. Portanto, mantenha-os sempre limpos. Será melhor para você, para o seu cão e para os vizinhos. Existem dezenas de removedores de odor eficientes no mercado.
 
Barulho das unhas: tão incômodo quanto dos sapatos
Especialmente onde há piso de madeira, para evitar o ruído das passadas do cão mantenha as unhas dele bem aparadas e disponibilize tapetes e passadeiras onde ele mais circula. Outra opção é colocar nele sapatos caninos com sola de borracha durante a noite, mas o cão precisa ser adaptado ao uso e o acessório deve ser confortável para ele.


Arquivo Edie Jarolim

Em áreas públicas
Nas ruas e parques valem todas as regras citadas acima e mais algumas:

• O cão deve sempre andar na guia sem incomodar os pedestres.
• Esteja preparado para limpar a sujeira do seu cão – ao sair com ele, leve sacos plásticos. 
• Não permita que o cão, especialmente o macho, faça xixi em lugares que possam incomodar as pessoas, como no portão dos vizinhos, nas rodas dos carros e no banco da praça. 
• Escolha sempre locais com pouco trânsito de pedestres, como praças e parques. Para condicionar o cão a fazer as necessidades apenas nesses lugares, ande em passo rápido até o local, impedindo-o de fazer pelo caminho. Chegando no local certo,  clique (*) e recompense o cão com carinho depois de ele ter feito as necessidades no local escolhido.
• Em restaurantes, shopping centers e no comércio em geral, mantenha o mesmo respeito e se informe com antecedência se a presença de cães é permitida e quais são as regras de acesso. O mesmo deve ser feito no litoral, pois a presença de cães na praia é, na maioria das vezes, proibida. 


Victor Bezrukov / Flickr

Vizinho de má fé

Em alguns casos, quando um vizinho mal intencionado quer atingi-lo, pode até mesmo mentir, dizendo que seu cão está latindo em excesso, que fez xixi na roda do carro dele ou até denunciar você alegando que maltrata o cão. Portanto, ter testemunhas a seu favor é muito importante nesses casos. Por isso, converse sempre com os vizinhos e mantenha bom relacionamento com eles. Afinal de contas, todos nós, de alguma forma, podemos incomodar o outro. Câmeras de segurança também ajudam a esclarecer mentiras.
Além dos cães, a discórdia entre vizinhos pode ser causada por vários motivos, como o local onde se deixa o carro, o som de instrumento musical, excesso de movimentação de visitas e uso de cigarro, mas com bom senso todos nós podemos conviver em paz. Se a regra do bom senso não prevalecer, já existem vários advogados especializados no assunto que poderão lhe auxiliar.

André Barreto treina cães há 14 anos e é especialista em adaptação de cães para o convívio doméstico. Tels.: (11) 2503-7333 e 5093-6244. Site: www.andrebarreto.com